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Lua de Sangue

Lua de Sangue | por Kelly kpc








História por: Kelly kpc



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38. Veneno


Jacob e eu permanecemos um bom tempo abraçados, embora estivéssemos deitados num lugar nada agradável – principalmente para as costas –, não era como se isso importasse. Sentir a pele um do outro, a temperatura um do outro... era tão confortante que esvaía completamente qualquer tipo de desconforto que pudéssemos sentir.
Fiz careta. Droga. Por que justo eu teve que sofrer um amor tão intenso assim? Logo eu! Que sempre detestei romantismo e coisas sentimentais demais! Por que minha vida é tão irônica, Deus?
Rolei os olhos e sorri. Apesar de todos esses pensamentos ridículos, eu não podia negar que estava feliz. Estupidamente feliz – radiante pra ser mais exata, podia até sair por aí pulando e cantando com os animais como as princesas da Disney. Era o tipo de felicidade que você pensa que sentirá apenas uma vez na vida, pois o sentimento é tão forte que o pensamento de que é a última coisa que você vai sentir surge imediatamente. Apenas parece que nosso corpo humano não aguentaria tanta emoção assim, então não resistiria... ao menos é meu ponto de vista. E talvez eu esteja certa, pois Jacob e eu não somos humanos. Ele é, o que recentemente aprendi, um transmorfo e eu sou uma criatura única que ninguém faz ideia do que seja. Eu podia até ser considerada uma meia-vampira por minhas capacidades, mas como não tenho nenhuma atração á sangue humano como... Ah. Droga. Levei meus pensamentos a um ponto em que não queria chegar... Renesmee.
Suspirei e me afundei mais no peito desnudo de Jake.
— Jake... e Renesmee? — perguntei de repente, acabando com o silêncio confortante instalado, onde estávamos apenas ouvindo o ressonar um do outro.
Ele suspirou.
— Ela é minha maior preocupação. Afinal, ela gosta de mim e sofreria quando soubesse de nós dois.
— Acha mesmo que ela sofreria? — perguntei em dúvida. Na verdade, eu ainda tinha esperanças de que ela não sentisse nada por Jake e tudo fosse mais fácil de se resolver.
Ele olhou para longe e brincou com os dedos de minha mão – que estava pousada sobre seu peito forte. Estreitei os olhos – ele está escondendo algo de mim!
— O que eu não sei? — perguntei acusadoramente.
— Bem... é que... — ele hesitou, levando uma mão para coçar a nuca. — Nessie já deixou claro que está apaixonada por mim.
Arregalei os olhos e levantei de seu peito.
— C-c-como assim?! Desde quando isso? E por que eu sou a última a saber?! — chiei irritada e solidária ao mesmo tempo. Por mais que eu me preocupasse com Nessie e temesse que ela sofresse, ainda sentia a voz irritante do ciúme encher minha cabeça de fúria.
— E-ela me beijou — gaguejou, desconfortável. Talvez tivesse medo que eu fizesse alguma coisa, pois a esse ponto meu ciúme estava bem visível.
— Como assim ela te beijou?! — berrei, encarando-o com raiva. — Ela ainda é uma criança e você se aproveita dela, seu imbecil!
— Ela que me beijou, sua idiota! — disse irritado. — O que queria que eu fizesse? Desse um empurrão nela e a rejeitasse por uma vampira adormecida? Ela era meu imprint e naquele momento eu não fazia ideia do que sentia por você!
— Por que não disse á ela que ainda não a enxergava daquela forma?! Droga Jake! Mas que merda! — gritei, levantando para pegar minhas duas e únicas peças de roupas espalhadas pelo local. — Ela tem apenas cinco anos! Mesmo aparentando ter 14, ela ainda é muito nova para você que aparenta, e tem, mais que 20!
— Eu já disse que fui pego de surpresa! — ele também levantou, tão irritado e alterado quanto eu. — Nosso imprint ainda estava intacto, eu me importava com o que ela sentia! Eu nunca a magoaria!
Estreitei os olhos.
— Me mostre.
— Quê?! — perguntou sem entender.
Cruzei os braços, bufando para tentar diminuir a fúria.
— Nós podemos nos comunicar pelos pensamentos, esqueceu? Eu quero ver esse beijo! Me mostre! — murmurei, ficando séria.
Ele suspirou, revirando os olhos, mas logo os fechando. Também fechei os meus, antes de enxergar uma imagem se focar aos poucos em minha mente. Nessie. Ela estava encolhida á minha frente – ou a frente de Jake – e olhava para seus pés. De repente, ela elevou seu olhar ao meu e se aproximou com um rosto triste e meio hipnotizado. Ela falava baixamente...
— Eu não sei o que sinto — sussurrou, aproximando-se. — De repente... Eu comecei a me sentir estranha perto de você. — uma lágrima escorreu por seu rosto rosado. — Aquele ato agora á pouco foi um impulso, eu não queria ter feito, Jake, me desculpe. Não quero que se sinta pressionado ou nada do tipo, e-eu não fiz por querer, e-eu...
Eu a abracei, tentando confortá-la. Ela estava muito desesperada, tanto que eu podia até sentir em mim.
— Está tudo bem, Ness, está tudo bem — alisei suas costas, tentando acalmá-la.
— Eu te amo — ela sussurrou e eu congelei. — Eu sei que não posso, pelo menos não agora, mas eu te amo... e eu te desejo muito, Jake. Muito.
Senti o meu próprio desespero crescer e tentei a todo custo pensar numa forma de acabar com aquela situação. Eu não estava preparado, eu ainda não a queria...
Eu ainda estava paralisado e tenso quando ela levantou o rosto de meu peito, encostando seus lábios nos meus.
Fechei os olhos, tentando fugir daquele momento e pensar numa forma de parar aquilo sem ferir seus sentimentos. Isso não podia estar acontecendo, não com Nessie, que sempre foi uma criatura tão doce e frágil...
Suas pequenas mãos vieram até meu pescoço e eu continuei parado. Ela movia seus lábios nos meus, mas tudo o que aconteceu foi uma comparação surgir em meus pensamentos.
Os lábios dela eram quentes, os que eu pensava eram gelados. Seus toques eram delicados, os que eu pensava eram impulsivos e selvagens. O beijo era inexperiente e sem nenhuma reação, o que eu pensava era caloroso, experiente e me enlouquecia de forma sem igual. Definitivamente... Ela não era quem eu queria que fosse.
Segurei sua cintura e tentei afastá-la delicadamente, mas a criança entendeu errado. Sua língua tocou meu lábio inferior e logo em seguida pediu passagem, e tudo o que pude fazer foi ceder.
Agora eu retribuía seu beijo, mas de forma automática, não impulsiva. Eu tinha medo de magoá-la, mas acabei me sentindo o maior pedófilo do planeta. Como eu queria que algo acontecesse e fizesse esse momento difícil acabar.
Ela se afastou sem fôlego, a respiração acelerada e o olhar admirado. Ela tocou com os dedos os próprios lábios e sorriu, fechando os olhos.
— Eu sabia — sussurrou e eu olhei para o lado, envergonhado por não ter parado aquilo. — Foi exatamente como sonhei — aspirou o ar profundamente e me olhou nos olhos. — E você cedeu... Você me beijou de volta — eu queria negar e esclarecer tudo á ela, mas permaneci calado. — Isso significa que você não me vê mais como uma criança... não é?
Droga, as coisas só pioram. O que eu faço? Ok, não há outro jeito, terei de magoá-la ago...
— Não precisa dizer nada! — ela disse felizmente, assim que abri a boca. — Eu entendi — ela se aproximou de repente e me roubou um beijo. — Agora vá e traga minha amiga de volta. Mas tome cuidado, estarei te esperando.
Olhei-a totalmente incrédulo, enquanto ela corria de volta para a mansão totalmente saltitante.

Abrimos os olhos ao mesmo tempo e Jake arqueou uma sobrancelha pra mim, com um olhar cínico. Rolei os olhos e bufei, deixando o orgulho falar mais alto, apesar de saber que ele estava certo em agir daquela forma.
Aos poucos sua expressão foi se alterando e de irritado ele passou para divertido, sorrindo um sorriso irritante, apesar de lindo.
— Nunca achei que um dia diria essa frase, por parecer clichê demais, mas — ele riu, se aproximando e levando suas mãos para meus quadris, embora eu tentasse inutilmente afastar elas de mim, emburrada infantilmente. — Você fica linda com ciúmes.
Apertei os lábios fortemente e tranquei o maxilar para que nenhum sorriso escapasse para lhe desse o gostinho da vitória. Mas, Deus! Aquilo parecia ser tão impossível com ele me olhando com aquele sorriso tão perfeito!
Ele depositou um beijo em meu pescoço e me senti estremecer.
— Não sei o que farei quanto a Nessie — murmurou contra meu ouvido e eu impedi que um suspiro escapasse de meus lábios e revelasse o quão entregue estava em seus braços. Mas não adiantou muito, já que minha pele se arrepiou totalmente com sua ação, fazendo-o sorrir satisfeito. — Mas sei o que farei quanto a nós — murmurou, agora erguendo a cabeça para fixar nossos olhares um no outro. — Não quero mais esconder o que sinto por você... de ninguém. Quero que todos saibam que estamos juntos.
Suspirei e desviei meu olhar do seu, ficando séria e preocupada.
— Jake, não pode ser agora. Precisamos esperar que Nessie esteja forte o suficiente para aguentar essa notícia.
, ela terá que sofrer isso uma hora ou outra, não adiantará nada ficar adiando — seu tom era calmo, doce, mas havia uma determinação tão forte em seu timbre de voz, que nem me atrevi a contradizê-lo. — Apenas será pior para nós ficarmos fingindo que nada está acontecendo.
Olhei em seus olhos e acariciei sua nuca delicadamente.
— E o que seus amigos pensarão disso? — pensei alto. Afinal, até pouco tempo atrás eu era uma vampira, já havia matado muitas pessoas e odiado os lobos por serem meus inimigos naturais. Além disso, todos sabiam que Jacob estava destinado á Nessie... Seria difícil convencê-los de que as coisas não seriam mais assim... Suspirei, lembrando-me de Ness. — O que os Cullen pensarão...?
— Eles podem não entender o que aconteceu — disse, abraçando-me fortemente. — Mas vão nos apoiar. Tenho certeza.
Passei meus braços por sua cintura e me acomodei em seu peito, fechando os olhos e sentindo seu calor inumano me confortar de uma forma sem igual.
— Também tenho certeza — sussurrei, sabendo que minha família me apoiaria em qualquer coisa que eu decidisse, ainda mais se isso envolvesse um sentimento tão puro e incontrolável, apesar de envolver o sofrimento de Renesmee. Eu só não tinha tanta certeza quanto a Bella...
Despertei de meus pensamentos ao notar o peito de Jake balançando levemente e abri os olhos, ao me dar conta de que ele estava rindo.
— Qual a graça? — perguntei, redondamente confusa.
Ele riu suavemente e balançou a cabeça.
— Nada. — arqueei uma sobrancelha e ele balançou a cabeça novamente. — É que... — sorriu, acariciando minha bochecha. — Isso tudo simplesmente não combina com a gente. Com nossa personalidade... — murmurou e eu sorri bufando. É, já tinha pensado nisso também. — Nunca fui de falar tão abertamente o que sinto... Pra você ter ideia, demorei tanto tempo para me declarar para Bella, que nem foi uma surpresa para ela. Já estava obvio para todo mundo. Mas eu não conseguia dizer... vergonha e medo, tudo misturado. Mas eu não tinha muito tempo...
— Por que ela se transformaria em vampira — conclui, sentindo um pouco de ciúmes ao lembrar que ele já gostou muito de Bella.
Ele assentiu.
— Mas depois... disso — ele murmurou incerto, sem saber do que chamar o que aconteceu entre a gente. — É tão natural dizer o que sinto que nem me sinto ridículo, como sempre achei que me sentiria se um dia agisse como o leitor-de-mentes.
Eu gargalhei, surpresa.
— Chega a me assustar o quanto somos parecidos — murmurei. — Eu também sempre achei o Ed idiota ao dizer todas aquelas coisas á Bella, mas agora... É como se eu entendesse, embora ainda ache ridículo.
— Muito ridículo — ele gargalhou também, mas depois parou, segurando uma de minhas mãos na sua. — Acontece que sempre achei que quanto mais você repete o que sente, mais isso vai perdendo o significado, perdendo o efeito...
— Eu também — sussurrei, completamente hipnotizada com seu olhar sustentando o meu com uma intensidade impossível de descrever. — Então... vamos tentar ao máximo não ser como Edward e Bella.
— Vamos — ele sussurrou, sorrindo, aproximando seus lábios dos meus e roçando-os. — Só diremos as três palavrinhas quando for incontrolável...
— ... quando sentirmos todas aquelas ondas de sentimentos nos atingirem com força total... — sussurrei, fechando os olhos após vê-lo fazer o mesmo.
— ... Para que assim... — sussurrou...
— ... Sempre seja especial, como se fosse a primeira vez — completei, unindo nossos lábios num toque suave, sem transformar aquilo num beijo, de fato, apenas um ato para selar aquela promessa.
— Eu amo você — murmuramos em uníssono e incontrolavelmente, exatamente como combinamos.
Ambos sorrimos contra os lábios um do outro e, finalmente, transformamos aquilo no beijo caloroso que nossos corpos imploravam para ter.
Porém, antes que eu pudesse levar meus braços á seus ombros ou me grudar mais a seu corpo, um choque nos percorreu e nos separamos no mesmo segundo, ouvindo um uivo alto ao longe. Viramos a cabeça em direção á cachoeira e ouvimos mais uma vez o uivo soando á uma longa distância.
— São os caras — Jake disse, confuso, se separando de mim. — Mas por que estão tão longe de casa? Só se...
Olhei-o confusa, esperando sua resposta, mas ele não disse nada, apenas se afastou apressado, pegando sua bermuda e amarrando num pedaço de couro ao redor do tornozelo.
— Jake, o que es...
— Vampiro! — murmurou, com o tom de repulsa e desprezo para a palavra. — Os lobos devem ter o seguido até aqui, mas não deram conta do recado. Preciso ir ajuda-los — murmurou obstinado, mas de repente parou, olhando-me como se só agora se desse conta de algo. — Droga! Não posso te deixar sozinha aqui...
— Que papo é esse? — murmurei irritada, cruzando os braços. — Desde quando sou tão indefesa?
— Desde que se tornou humana.
Só então me dei conta que Jacob ainda desconhecia minhas capacidades. Então, sem muita paciência, enviei uma avalanche de memórias para sua mente, que pudesse explicar tudo que ainda não sabia, para que ele entendesse que não havia um porquê em me proteger.
— Oh — murmurou quando terminei. — Mas não é como se você soubesse usar com perfeição essas capacidades, quanto mais os poderes. Seth, Quil e Paul estavam de patrulha hoje e se eles não deram conta desse intruso, com certeza não deve ser um vampiro qualquer.
— Jake, eu posso me proteger! — murmurei, impaciente e irritada com sua teimosia. — Além disso, com esse chamado que fizeram, provavelmente já ganharam reforços, então a probabilidade desse vampiro escapar ileso é uma em um milhão.
Ele olhou para um ponto vago, considerando meus argumentos.
— Não sei...
— Eu vou direto para casa! — garanti. — O uivo aconteceu mais para o sul daqui, eu não vou seguir por esse caminho. Então não há como eu estar em perigo.
Ele suspirou.
— Ok, mas vá direto para casa! Não hesite, não pare e não desvie de seu caminho. Direto. Pra casa. — disse extremamente autoritário e se aproximando de mim com rapidez. — Acabarei com isso logo. — roubou-me um beijo rápido e foi até o lado em que a água da cachoeira caía. — Fique segura.
E então partiu como um raio.
Suspirei e fiz o mesmo, pulando através da parede de água formada pela cachoeira e mergulhando no rio. Nadei rapidamente até a borda e fui até minhas coisas. Vesti a roupa com rapidez e peguei o pedaço do espelho, saindo correndo dali o mais rápido que minha velocidade permitia.

Eu já estava correndo á um bom tempo e podia até já perceber que me aproximava de Forks, mas algo me fez diminuir o ritmo dos passos e me indagar sobre o que acontecia. Um uivo. Não um uivo qualquer, como aquele que Jake e eu escutamos antes, era um uivo de fúria. E não só um, pois logo vários outros o acompanharam.
Será que eles perderam o vampiro? Balancei a cabeça e decidi ignorar aquilo. Seja o que for que tenha acontecido, não é um problema tão grande, afinal, que mal um simples vampiro pode fazer á uma enorme matilha de lobos ou á vampiros poderosos como os Cullen?
Suspirei e continuei meu caminho, lembrando do que Jake me dissera. Direto pra casa. Por mais que eu odiasse ordens, não desobedeceria.
Porém, parei os passos no mesmo instante, ao sentir os pelos de minha nuca se eriçarem e um calafrio se apossar de meu corpo – alarmando-me de que eu estava sendo observada. Fechei as mãos em punhos e dei um giro de 360º graus, olhando cada canto daquele lugar com tanta cautela que mal me reconheci – afinal, sempre sou descuidada quando se trata de me proteger.
Bufei por não encontrar nada e revirei os olhos, aceitando que deveria ser apenas algo que minha fértil imaginação brotou dentro da minha cabeça. Virei-me de volta para o caminho, retornando o percurso de antes, mas parei subitamente ao me dar de cara com um par de olhos vermelhos.
O espelho escorregou de minhas mãos com o susto e minha boca se entreabriu com a surpresa, percebendo que aquele vampiro tinha se materializado de repente a minha frente. Como se ele fosse invisível e estivesse ali o tempo todo, mas só agora se revelasse.
Engoli em seco e não tive tempo de ter uma reação, pois o vampiro se aproveitou de meu breve momento de surpresa – e baixa guarda – para pular em meu pescoço, lançando-nos contra o chão.
Mais do que rápido tentei concentrar meus poderes para lança-lo para longe de mim, mas o choque de sentir seus dentes perfurarem minha jugular me fez reprimir qualquer ação que estava para fazer. Um arfar alto escapou de meus lábios, acompanhado á um grunhido de dor. Fechei os olhos para aguentar a ardência concentrada no ponto onde estavam seus dentes e uma onda enorme de pavor cobriu meu corpo ao perceber o quanto aquele momento parecia assustadoramente familiar, desesperando-me como se tivesse voltado para aquele mesmo dia em que fui transformada.
Senti o líquido quente correr por minhas veias, sendo sugado para os lábios do vampiro, e apertei os olhos fortemente para reunir toda a coragem que possuía em minha alma. Chega de sempre ser a garota indefesa!
O pavor sumiu por completo de minhas emoções, então finalmente fui capaz de controlar meus poderes conscientemente. Cerrei os punhos com tanta força, que senti minhas unhas se cravarem na palma das mãos, enquanto minha aura começava a exalar o magnífico poder que eu possuía. Os poderes da telecinética fizeram uma barreira ao redor de meu corpo e, de repente, como uma explosão, uma força descomunal lançou o vampiro para longe de mim, sem que eu sequer movesse um músculo para isso.
Após isso, levantei-me com dificuldade e tentei postar-me numa posição no mínimo defensiva, mas me sentia fraca demais. Tudo ao meu redor girava e minha visão estava tão turva que imaginei que dessa vez não teria nem como tentar me defender. Gemi ao sentir a familiar ardência do veneno no ferimento de meu pescoço e pousei a mão na mordida causada ali. O sangue escorreu de meu pescoço por meu ombro e eu apenas tentei ignorar esse fato para reunir forças para permanecer consciente e terminar com aquilo.
Tentei ao máximo focar minha visão no vampiro, esperando-o levantar, mas ele apenas continuava deitado, jogado ao chão feito um repugnante pedaço de lixo. Trinquei os dentes ao sentir a dor mais forte e juntei toda a força que tinha para observá-lo com a visão vampiresca, pronta para o ataque que provavelmente ele se preparava para dar.
Mas nada aconteceu. Na verdade, aconteceu exatamente o que eu não esperava. A dor começou a se esvair aos poucos de meu pescoço, como se o veneno não conseguisse se espalhar por minhas veias, e minha força começava a se restaurar numa rapidez tão grande que me fez ficar um minuto completo apenas absorvendo o que acontecia em minha mente.
Minha visão voltou a ficar nítida e a tontura sumiu por completo, fazendo-me mais do que rápido focalizar o olhar no vampiro ao chão. Agora eu podia ver por que ele não havia se levantado. Ele estava agonizando desesperadamente e gritando de um modo horrivelmente grotesco. Seu corpo se convulsionava tão selvagemente que cheguei a recuar dois passos, assustada e confusa.
Seus olhos se reviravam nas órbitas e gorfadas de sangue começaram a sair de seus lábios. Mas não somente isso. O sangue que saía de sua boca – que provavelmente era meu – e recaía sobre seu rosto, queimava-lhe a face como ácido contra a pele de um humano – a pele se derretia e desfigurava de uma forma extremamente horripilante á cada lugar em que meu sangue tocava.
Senti meu coração pulsar aceleradamente com pavor e meu corpo estremeceu ao ouvir o alto grito agoniado do vampiro.
Quanto mais sua pele se queimava, mais ele gritava e mais sangue saía de seus lábios – queimando-o mais do que já estava. Então seu corpo começou a tremer num ritmo que qualquer um acharia improvável existir. Fumaça começou a exalar de cada parte de sua pele e aos poucos ela também fora derretendo, de dentro pra fora.
Mesmo ele tendo me atacado, eu queria fazer aquilo parar. Era a coisa mais horrível que já tinha visto na minha vida. E saber que aquilo fora causado por mim apenas me aterrorizava mais.
Ouvi pesadas fortes e rápidas se aproximarem do local, mas não consegui desviar meu olhar do vampiro morrendo infernalmente, apenas caí de joelhos e observei aquilo fixamente, sem saber como agir ou reagir.
Rosnados ecoaram perto de mim e só então despertei e olhei para os lobos que começavam a se postar ao meu redor. Eles estavam furiosos e prontos para atacar, mas pararam ao notar o que acontecia.
O vampiro estava morrendo... Sem que ninguém fizesse nada.
Logo o lugar fora preenchido por rosnados e grunhidos que pareciam indagações, mas eu apenas continuei olhando aquela cena hipnotizada, sentindo até minha alma estremecer.
O lobo castanho-avermelhado se afastou para trás de uma árvore e em menos de um segundo já estava ao meu lado em sua forma humana, devidamente vestido, e com uma expressão extremamente preocupada.
, você está bem? — perguntou com desespero, colocando minha face entre suas mãos e forçando-me a encará-lo, embora meu olhar fosse distante e horrorizado. — O que aconteceu? Ele te machucou? , fale alguma coisa, droga! !
— E-e-ele — sussurrei, gaguejando e sentindo tremores amedrontados se espalharem por meu corpo. — está... morrendo.
— Sim, nós percebemos — ele murmurou, ainda preocupado. — O que aconteceu?
— Eu fiz isso — minha voz soou num fio, enquanto uma lágrima escapava de meu olho.
Aquela cena era tão... infernal. Então eu era um demônio? Para causar aquilo... Sim, era o que parecia.
— Como? — perguntou confuso e desesperado pelo meu olhar traumático.
— Jake, o que há com ela? — Seth apareceu em sua forma humana e tocou meu ombro. — , o que aconteceu?
— Eu o matei... — sussurrei, quando pude enxergar que o vampiro se reduzira somente a pó sobre uma possa de sangue escuro. Meu sangue. Um veneno capaz de matar vampiros... — Eu o matei...
— Jake, olhe isso — Seth disse horrorizado, tocando a pele de meu pescoço. — Ela foi mordida!
Jake se deu conta do que Seth dizia e reparou na profunda mordida ainda permanente em meu pescoço. Sua mão foi desesperadamente ao local e ele olhou-me com um desespero puro.
— E-ela não... e-ela vai... não! — sussurrou coisas desconexas, olhando-me assustado e desesperado.
— Ela não vai se transformar em vampira. — disse outra voz e inconscientemente virei meu olhar para a pessoa. Sam.
— Como pode ter tanta certeza? — Jacob perguntou ríspido, mas esperançoso.
— Ela não está agonizando com o veneno, Jake — ele disse como se fosse obvio. — Parece que ela é imune á ele.
— Não só isso — murmurou Seth, olhando para o local onde antes estava o vampiro. — Ela é um veneno para eles.
Apertei os olhos fortemente ao ouvir suas palavras e senti os braços de Jake me rodearem, confortando-me ao sentir meu desespero e medo.
— Você não é um monstro — ele sussurrou em meu ouvido, entendendo o que se passava em minha mente. — Você é a cura para todo esse mal... você é a escolhida, . Não pense o contrário. Eles merecem tudo isso.
Eu conseguia ver a razão em suas palavras, mas não conseguia aceita-las. Aquela cena foi tão demoníaca...
— Você não é um monstro... Não é um monstro... não é... — sussurrou ele, repetidas vezes, enquanto acariciava meu cabelo até que eu me acalmasse.
— Jake, é melhor leva-la para casa — murmurou outra voz e eu levantei a cabeça para enxerga-lo. Não conhecia muito bem os outros lobos, mas tinha quase certeza de que aquele era Embry. — Os Cullen saberão o que fazer para acalmá-la.
Jake assentiu minimamente e pegou-me no colo. Enfiei o rosto na curva de seu pescoço e o abracei firmemente, ainda chorando baixinho.
— Eu vou leva-la — disse, erguendo-se comigo em seus braços com uma facilidade e delicadeza tão grande que parecia estar carregando uma pétala de flor.
— Eu vou junto — disse Seth, seguindo Jake, que já começava a seguir o conhecido caminho até minha casa.
— Espere, Jake — disse Embry, aproximando-se de mim e olhando-me com suavidade no olhar. — Isso é seu? — perguntou delicadamente.
Olhei para o objeto que segurava e soltei um suspiro surpreso. O espelho.
— Sim — sussurrei, sem tirar os olhos do objeto e começando a me lembrar de toda a dor que senti ao ver minha mãe. Se ela soubesse o demônio que me tornei...
— Tome — entregou-me, adquirindo um olhar de compaixão. — E fique bem, .
Tentei sorrir em resposta, mas apenas apertei o objeto fortemente contra o peito – chegando até a sentir um corte onde estava sendo pressionado – e abraçando Jake para sentir o conforto que o calor de seu corpo me trazia e poder esquecer toda aquela dor que me dominava.

— O que aconteceu?! — Edward gritou desesperado, vindo de encontro a nós assim que chegamos perto da mansão.
— Longa história — disse Seth. — Vamos leva-la para dentro e depois contamos tudo.
Meus olhos encontraram com os dourados reconfortantes de Edward e eu apertei mais o pescoço de Jake. Eu sou um veneno para Edward.
Jake atravessou a entrada da mansão comigo nos braços e logo um montueiro de vampiros se formou ao nosso redor. Ergui a cabeça minimamente da curva do pescoço de Jake e encarei os rostos de minha família com pesar, sentindo os olhos marejarem.
Eu sou um veneno para todos eles.
Chorei com esse pensamento e senti os braços de Jake me apertarem como se quisessem me proteger de qualquer dor que eu pudesse sentir.
— Jacob, pode coloca-la no sofá — disse Carlisle, indicando o móvel ao centro da sala.
Agarrei-me desesperadamente a ele, ao ouvir Carlisle, e suspirei aliviada ao notar o leve negar de sua cabeça.
— Não, ela ficará comigo — disse determinadamente e eu espiei através de seu pescoço para enxergar a reação dos vampiros presentes. Todos pareciam chocados e perplexos, exceto Edward e Seth que obviamente já estavam a par de nossa situação.
— Mas o que aconteceu? — perguntou Alice, quebrando o silêncio com sua voz cautelosa.
foi atacada por um vampiro. — disse Jacob.
Encolhi-me ao lembrar da mordida que o ser me dera e senti meu corpo ser mais pressionado ao de Jake, protetoramente.
Estou aqui, pequena. Você está segura, não deixarei que nada lhe aconteça.
Relaxei ao ouvir sua voz em meus pensamentos e encarei Edward, que parecia assustado e incrédulo com nosso meio de comunicação.
— O que?!
— Ele a mordeu?!
— Ela está bem?
— Que vampiro?
— O que mais aconteceu?
— O que há com ela?!
— Acalmem-se! — exclamou Edward. — Jacob, leve-a para o quarto e tente acalmá-la. Eu me encarrego de explicar o que aconteceu.
Jake assentiu e logo já estava me carregando pelas escadas. Olhei por seu ombro e senti meu coração apertar, ao ver a confusão e receio nos olhos de Nessie ao nos ver tão íntimos.
Assim que entramos em meu quarto, Jake pousou-me delicadamente na cama, mas antes que ele pudesse sequer pensar em se afastar, eu o puxei contra mim e o abracei, voltando a chorar.
, pare com isso — suplicou, alisando meus cabelos carinhosamente. — Não há motivos para chorar.
— Eu o matei...
— Ele mereceu.
— Mas foi tão... horrível — murmurei, lembrando com perfeição cada detalhe de seu sofrimento. — Eu não desejaria uma morte como aquela nem para o meu pior inimigo.
— Isso é por que você é muito bondosa, ainda não está acostumada com as mortes e todo esse lado sombrio que faz parte da vida de um ser sobrenatural. — parei de soluçar e continuei a ouvi-lo. Apenas o som de sua voz já conseguia me acalmar. — Nessie me contou uma vez, que você chorava toda vez que matava um humano e até chegou a pensar em se matar. Desde aquele dia eu comecei a te admirarar, , mesmo sendo uma vampira. E principalmente naquele dia em que te vi tão... vulnerável.
— Não acho que sou uma pessoa tão admirável assim.
— Não seja idiota! Você é determinada, tem a personalidade forte, põem as pessoas que ama acima de seus princípios e tem um caráter incrível. — sorri com suas palavras e fechei os olhos ao sentir o toque delicado de sua mão em meu queixo, erguendo meu rosto de encontro ao seu. — Você é perfeita.
Beijou minha testa delicadamente e mais do que rápido todo o sofrimento desapareceu, pois o amor e carinho que Jake demonstrava naquele momento, era mais forte do que tudo, cobrindo todas as magoas e dores.
— Mas eu ainda não entendo por que você estava sofrendo antes de eu chegar á cachoeira — murmurou, preocupado. — Posso saber o que aconteceu?
Desviei o olhar do seu e suspirei, tentando reprimir a dor que ameaçava voltar ao lembrar-me do episódio passado.
— Aquele espelho... — murmurei.
— O que Embry lhe entregou?
— Sim.
— O que tem ele?
— Ele pertencia a Ray — fechei os olhos, lembrando-me dela. — Ele mostra o que a pessoa mais deseja ver no momento.
— E o que você viu? — perguntou preocupado.
Solucei e apertei os olhos para que nenhuma lágrima escorresse. Os braços de Jake me apertaram mais.
— Minha mãe. — senti a compaixão de Jake cobrir meus sentimentos e relaxei um pouco, sendo capaz de abrir os olhos e encará-lo sem chorar. — Ela estava... se despedindo.
— Se despedindo? — perguntou sem entender.
— Estava se despedindo de sua filha morta — tranquei o maxilar, impedindo que o choro viesse. — Ela não aceitava que eu estava morta até aquele momento... E vê-la se despedir, tão triste e sofrida... me fez querer voltar para ela e esquecer todos esses episódios surreais em minha vida. Mas o que mais doeu foi saber que isso era um desejo impossível.
Ele me abraçou, sentindo minha dor.
Você pode não tê-la com você. Mas farei o possível para preencher esse vazio que ela deixara em seu coração.
Sorri e soltei um riso baixo.
— Pare de ser meloso, também é ridículo pra você — brinquei e ele sorriu feliz ao perceber que eu já me conformava com tudo.
Então permanecemos quietos por algum tempo, apenas sentindo um ao outro perante o silêncio. Sentindo o pulsar suave e ritmado de nossos corações, as respirações ressonando levemente contra o ar... a temperatura de nossos corpos se misturando... o conforto de nossas peles se tocando...
Quando me dei por mim, havia adormecido. E não me lembrava de ter tido um sono tão confortável em minha vida, nos braços quentes e fortes do homem que eu amava.

Eu tentava correr o máximo que podia, mas era como se meu corpo estivesse em efeito câmera lenta, pois por mais que me esforçasse, não me via saindo daquele lugar que fazia um pavor insano crescer em meu coração. Porém, ainda não sabia o por que. Na verdade, não sabia nem mesmo por que estava tentando correr. Eu só... sentia que precisava sair dali.
As palavras certas para descrever aquele lugar escapavam de minha mente e era como se ele lugar não conseguisse se fixar em minha mente. No instante em que suas imagens começavam a fazer um pouco de sentido, elas desapareciam novamente. Como se eu estivesse tendo a memória apagada de novo e de novo e de novo...
Fechei os olhos para parar a tontura que aqueles “clarões” estavam fazendo em minha mente e respirei profundamente, tentando eliminar a todo custo o medo que me dominava.
Chiei surpresa ao sentir uma mão gelada circular meu pulso e abri os olhos, sentindo meu coração parar uma batida ao enxergar os assustadores olhos de íris cor vermelho escarlate.
— Bu!

Gritei realmente assustada e sentei-me rapidamente, sentindo meu coração acelerar de um modo tão rápido que parecia querer criar um buraco em meu peito para poder sair para fora. Recostei-me sobre a cabeceira e tentei me acalmar. Droga, por que tantos pesadelos?
Minhas mãos vagaram pelo lençol claro do colchão e meus olhos se arregalaram ao me dar conta que o que minhas mãos procuravam não estava ali. Jacob.
— Jake — choraminguei, já levantando da cama e pondo-me de pé.
— Ele não está nesse sonho — bufou o guia do vazio em cima de minha cama, impaciente. — Você já deveria saber que este é mais um sonho lúcido, sua tola.
Revirei os olhos.
— O que você quer dessa vez? — resmunguei, me jogando ao seu lado na cama.
— Preciso que me entregue o espelho — murmurou, apontando para o objeto pousado sobre a cômoda ao lado da cama.
— Por quê? — perguntei desconfiada.
— Preciso ter certeza de algo.
Sem entender muito bem o que ele queria com aquilo, lhe entreguei o pedaço de vidro e o observei. Ele franziu o cenho enquanto encarava o espelho e pareceu estar enxergando algo ali. Tentei me aproximar para ver o que ele estava vendo, mas sua mão me empurrou.
— Fique aí. O espelho não funciona se duas pessoas olharem ao mesmo tempo.
Bufei e cruzei os braços, analisando suas expressões para poder deduzir o que ele enxergava e escutava ali. Claro que não consegui, já que ele conseguia esconder muito bem qualquer tipo de emoção, então fiquei um bom tempo apenas esperando-o entediada.
— É, bem como imaginei. — murmurou finalmente, entregando-me o objeto com um olhar preocupado na face.
— Pode me explicar o que diabos está acontecendo? — chiei irritada. Odiava ficar boiando.
Ele me repreendeu com o olhar e só depois percebi que tinha falado a “palavra proibida” que ele tanto odiava. Diabos! Diabos! Diabos! Pensei só pra irritar. Ele rolou os olhos e ignorou.
— Eles já começaram a agir — murmurou, levantando-se da cama com rapidez.
Arregalei os olhos ao ver o ambiente em que estávamos se alterar e o encarei chocada, levantando-me da cama rapidamente, pois esta começava a sumir, dando lugar á uma enorme árvore. Só então tomei consciência de onde estávamos. Numa campina muito, mas muito mesmo, grande.
— Onde estamos? — perguntei confusa. — E por que estamos aqui?
— Eles começaram a agir, — murmurou impaciente. — Você precisa começar seu treinamento.
— Quê?! — indaguei incredulamente. — Que treinamento? Do que você está falando? Quem são “eles”?
— Os Volturi — murmurou sério e eu reprimi o tremor no corpo ao soar do nome sombrio. — Foram eles que enviaram aquele vampiro que te atacou.
— O que...?
— Eles sempre observaram vocês, . Estavam apenas esperando o momento certo para agir — suspirou, olhando para longe. — Antes mesmo de Ray ser enviada para te matar, eles colocaram vários vampiros discretos para observar os Cullen. E quando viram que eles haviam adquirido mais uma peça valiosa ao clã, perceberam que tinham que fazer algo.
— Por que está me contando isso tudo só agora? — perguntei irritada.
— Por que ainda não era o momento para contar — deu de ombros. — Aliás, eles ficaram um bom tempo parados, então achei desnecessário te preocupar á toa.
— Então continue o que estava contando — ordenei, autoritária. — Quero saber tudo.
— Os Volturi queriam você na guarda, mas, ao observarem de perto suas capacidades, tiveram medo das consequências de te trazer para o lado negro. Se você fosse devidamente treinada por eles, se tornaria uma vampira invencível e poderia facilmente se virar contra eles e obter vitória. Então decidiram lhe eliminar enquanto ainda era inexperiente, para que não tivessem riscos. Não poderiam mandar um vampiro para essa missão, pois você estava rodeada por vampiros experientes e transmorfos perigosos, além de que suas capacidades eram arriscadas. Decidiram então fazer uso da feiticeira.
— Ray... — sussurrei com pesar.
— Esse vampiro de hoje era o que estava vigiando vocês desde o começo da missão de Ray. Ele havia recentemente se juntado a guarda e tinha o poder de invisibilidade, então fora bem útil. Ele descobriu que você tinha se tornado humana e comunicou aos Volturi.
— Então eles pensaram que seria o meio mais fácil de se livrar de mim — conclui, bufando.
— Na verdade, não. — ele estava tão sério agora, que mal o reconheci. — Eles são mais astutos que isso, . O plano original era reunir testemunhas e mostrar-lhes que os Cullen quebraram a lei, tendo uma humana entre eles.
— Testemunhas de novo? — revirei os olhos. — Eles não me parecem tão astutos, parecem sem criatividade.
, você não é parceira de nenhum Cullen, como Bella era. Não teria motivos para ser transformada e todos veriam isso. Todos pensariam que os Cullen estariam quebrando as regras apenas para desafiar os Volturi. E se as testemunhas tivessem que escolher um lado se de repente o encontro rendesse uma guerra... esse lado seria o mais forte. Os Volturi.
Arregalei os olhos, percebendo a gravidade da situação.
— Mas esse vampiro novato quis agir por conta própria. Ele não conhecia o plano, apenas tinha ordens de se certificar de que você era realmente uma humana e voltar. Porém, ele quis bancar o herói para agradar os mestres. Quis mostrar á eles que seria fácil matar você, pois sabia que no início a única coisa que os Volturi queriam era ter você morta.
— Imbecil — murmurei, lembrando-me do que lhe aconteceu, do que essa atitude idiota lhe causou.
— Vi pelo espelho que os Volturi descobriram que ele está morto e estão se preparando para um novo plano. Eles ainda não sabem que seu sangue os mata, então é capaz que tudo aquilo se repita. Portanto, você deve estar prevenida.
— O que quer dizer com isso?
— Eles mandarão outros. Pensarão numa nova estratégia, mas, enquanto isso, seus seguidores apenas tentarão serem os heróis, mesmo desobedecendo as ordens de seus mestres, pois desconhecem o plano real.
— Então você está me dizendo que virão mais vampiros loucos para me morder e morrerem?
— Você deve aprender a se proteger, . Você pode ser um veneno para eles, mas se algum chegar a drenar totalmente seu corpo... não haverá volta. Você morrerá.
Engoli em seco.
— Então o que pretende?
— Eu vou lhe treinar — sorriu.
— Como assim?
— Te transformarei numa guerreira, . Você aprenderá a controlar todas as suas capacidades com perfeição, desde físicas á mentais.
— Como é? — arregalei os olhos.
Ele sorriu torto.
— Bem, está na hora de começar sua missão, escolhida.


N/A: Helooo, meu povo querido!! O que acharam do capítulo? Estão animadas com a volta dos mistérios na fic? Yep! Os mistérios ainda vão continuar! haha Eu sinceramente espero que vocês tenham gostado, pois pra mim esse capítulo saiu uma bosta. Tudo bem que ele saiu grande e cheio de conteúdo, mas não saiu do jeito que EU queria! Oh God, como eu queria que os japoneses inventassem um aparelhinho para transmitir pensamentos! Aí sim vocês iam amar a fic, sério KKKKK (Ok, eu sei q viajo as vezes, ñ precisam me dizer)
Enfim, comentem bastante pq já sabem oq acontece se faltar comentários né! Haha Adoro fazer chantagens com vocês, sempre consigo o q quero assim :B MUAAAHAAHAAHAA Ok, gente, brinks Mas é bom comentarem! run
Para ativar mais a curiosidade de vocês, vou apenas dizer que a PP vai mudar um pouquinho o jeito dela... vai começar a amadurecer, se tornar mais séria e responsável... e isso vai começar a acontecer a partir do próximo capítulo! E o próximo capítulo de Lua de Sangue será.... TREINAMENTO /me senti o narrador do dragon ball z agora KKKKK
Enfim, beijos amadas e até a próxima!
PS: Agora este é o novo endereço da fic, pois ela estava dando problemas por ser grande demais. Os próximos capítulos serão postados SOMENTE aqui, ok? Então apertem Ctrl+D aí! ksks
PS² GAROTAS, ESQUECI DE UMA COISA, MAS A BABY ME LEMBROU COM O COMENTÁRIO! EU QUERO QUE VOCÊS DÊEM SUGESTÕES PARA O NOVO NOME DO GUIA DO VAZIO! O QUE FOR MAIS LEGAL/CRIATIVO EU USO! BEIJOS



39. Treinamento


[Ponham essa música para carregar e esperem meu sinal]

Fiquei um tempo encarando sua face. Não por que estava em choque, mas para ter certeza se ele falava sério mesmo ou era uma das suas várias brincadeiras sem graças. E para falar a verdade, meu consenso final não foi nada, nada, agradável.
— Como assim me transformar numa guerreira? Ficou louco? E-eu... eu nunca vou levar jeito para isso!
— Pois então — aproximou-se, com uma expressão tão autoritária que chegou a dar medo. — Vai aprender a levar.
Tentei não demonstrar meu desespero e mudei de tática.
— E como pretende fazer isso, hã? Pelo que eu saiba você sempre foi apenas um Guia da Dimensão do vazio.
Ele revirou os olhos.
— Há muitas coisas que você não sabe sobre mim ou qualquer outra entidade espiritual. Todos nós passamos por um treinamento assim que somos criados, mas não se preocupe, seu treinamento será um pouco diferente.
— Diferente bom ou diferente ruim? — perguntei temerosa, sentindo o suor do nervoso nascer em minhas mãos.
— Não sei — deu de ombros. — Depende do seu ponto de vista. Para mim, será um diferente bom, mais intensivo e com melhores resultados.
— M-mais intensi-sivo? — gaguejei.
— Sim, como o dos arcanjos — murmurou distraidamente e depois arregalou os olhos. Escancarei a boca.
— A-arcanjos? Eles existem?! — gritei.
— Droga! — resmungou. — Não era para eu falar, mas, sim, eles existem. Assim como Deus também.
— E o diabo? — perguntei assustada.
— Lúcifer? Sim, ele existe. Por que acha que odeio tanto que fique dizendo essas palavras malignas?
De repente me senti suja por ter dito tanto aquilo e me arrependi amargamente. Bem que ele podia ter me avisado, né? Vai que essa coisa ruim vai com a minha cara por dizer tanto aquelas palavras?
Suspirei. Bom, não tem jeito. Vou ter que fazer esse maldito treinamento, pois me comprometi como escolhida e agora tenho que cumprir meu dever, não importa as consequências.
— É assim que eu gosto! — ele sorriu e estalou os dedos. Odeio quando entra em minha mente.
Assim que o som ressoou pelo lugar, logo várias coisas se materializaram. Espadas, adagas, arco e flechas, alvos... enfim, tudo aquilo que gera violência e os mais graves ferimentos.
— ‘Pera aí! Você está querendo me ensinar a ser uma guerreira desse jeito? Desde quando essas coisas afetam vampiros?
— Seu treinamento incluirá tudo, . E não pense que estes são objetos comuns. Eles são sagrados, indestrutíveis, nenhum ser sobreviveria á um golpe de qualquer uma dessas armas.
Respirei fundo, tentando me acalmar. Não que eu fosse fresca, mas matar não era algo que eu curtia muito e essas armas sempre me lembram de filmes de guerras com muito sangue, mortes e... Argh!
— Bom, vamos começar — murmurou com um sorriso animado, esfregando as mãos com ansiedade. — Não se preocupe, pois você aprendera a manejar essas armas apenas por último. Seu primeiro treinamento será para que desenvolva suas habilidades físicas.
— Tipo o que?
— Equilíbrio, flexibilidade, reflexos... Enfim, você aprenderá a fazer uso total dos instintos vampirescos que herdou.
— Mas eu não sou vampira...
— É só modo de dizer, !
— Ta bom, Guia! — resmunguei e depois torci a cara para esse nome. — É mesmo, estou me lembrando que estou te devendo um nome.
— Pare de pensar bobagens e se concentre no que vou ensinar.
— Ora, mas eu preciso te chamar por algum nome! — pus as mãos na cintura. — Como quer que eu continue te chamando de Guia se você não é mais um? Além de que esse nome é horrível.
Ele grunhiu irritado.
— Eu não me importo, me chame do que quiser, mas preste aten...
— Nenhum nome bíblico combina com a sua cara — murmurei pensativamente, interrompendo-o e irritando-o. — Quem sabe Vinícios? Não... Frederico seria um nome bem engraçado, assim como sua cara, mas... não. — continuei divagando, até que senti seu olhar queimando em mim. Olhei para sua cara e recuei um passo. Ele estava muito, muito mesmo, irritado.
— Eu não acredito que você está perdendo o, precioso e limitado, tempo que temos nesse sonho com essas besteiras em vez de treinar! — gritou e eu rolei os olhos.
— Já disse que não é besteira! Onde já se viu alguém sem nome? Não dá certo... — reprimi o riso quando o vi segurar a ponte do nariz, tentando se acalmar. Já disse que adoro irritar as pessoas?
— Está certo! Escolha o maldito nome de uma vez e nós vamos treinar!
Sentei na pedra mais próxima e cruzei as pernas, coçando o queixo para pensar melhor.
— Você tem alguma sugestão? — perguntei, franzindo o cenho.
— Não! Eu não tenho uma droga de sugestão! — gritou.
Ergui as mãos em rendição.
— Ok, ok, senhor-sem-paciência! Deixe-me ver — arqueei a sobrancelha, enquanto ele parecia se controlar para não voar em meu pescoço. — Acho... Acho que você tem cara de... não sei... Alex? Não... Alexander! É um nome bem forte e digno de uma entidade espiritual, não? Está feito! Será Alexander! O que acha?
Ele estreitou os olhos.
— Terminou?
— Sim, Alexander — murmurei sorridente. Sempre amei dar nome para as coisas, imagine pessoas. — Você gostou ou não?
— Nomes não têm nenhuma importância para seres como eu.
— Gostou ou não? — insisti, impaciente, apesar dele também estar.
— Tanto faz, droga!
— Gostou ou não?! — gritei.
— Gostei! Satisfeita? Se isso fará você treinar de uma vez: EU A-M-E-I.
Segurei o riso e estreitei os olhos, irritando-o mais.
— Você não me parece muito sincero.
Tudo aconteceu muito rápido. Ele voou em cima de mim, com garras expostas nas unhas, nem parecia a mesma pessoa, porém, fui capaz de desviar numa velocidade tão grande que me espantei. E ele ainda quer melhorar meus reflexos, hã?
Ele sorriu.
— Bom. Muito bom. São esses tipos de movimentos que eu quero ver. Se esforce ao máximo durante todo o treinamento, ok?
Arqueei a sobrancelha, com descaso. Acho que um dia ainda irei me ferrar feio por agir dessa forma, mas fazer o que se eu gosto de irritá-lo?
— Então vamos começar o treinamento de verdade.


O tal treinamento durou horas e até que teve resultados, mas não posso dizer que fora agradável, tão pouco fácil tudo que tive que aprender. E já não bastava tudo que me fez fazer, ele ainda me diz que este é só o começo e que muitas coisas estão por vir. E realmente, eu não tinha como impedi-lo ou fazê-lo dar uma pausa, pois, nesse maldito sonho, eu nunca fico cansada. Nem física e nem mentalmente, pois estou dormindo. Lindo, não? [Apertem play!]
O treinamento começou com ele me atacando. Ele disse que precisava testar meus movimentos para saber o que precisava ser melhorado e, para minha surpresa, havia muita coisa que eu precisava melhorar. Na hora não acreditei, claro, mas depois dele ter me mostrado todos meus erros percebi que estava certo.
Suas mãos vinham de encontro á minha face numa velocidade incrível e, se eu não desviasse, levaria um soco que me faria voar longe. Mas o modo como eu me desviava não era totalmente eficaz, pois enquanto me concentrava em seus constantes golpes, não conseguia prestar atenção em mais nada. Nem no meu ataque, nem no lugar onde estava. Houve um momento que tropecei numa pedra e ele me chutou nas costelas. Claro que no primeiro momento eu urrei de dor e o xinguei mentalmente de todos os nomes possíveis, mas ele me fez enxergar que aquela dor era apenas uma ilusão, por estarmos num sonho, então logo voltei ao normal. Mas que doeu, doeu.
Desde aquele golpe eu tenho tentado descontar o que fizera e concentrei-me mais no ataque, tentando atingi-lo de todas as forças, porém, isso também foi algo que me prejudicara, pois minha guarda ficou baixa e ele pode me dar uma rasteira e levar-me ao chão. Contudo, dessa vez ele não conseguiu me chutar nas costelas, pois rapidamente desviei e me pus de pé.
E as coisas continuaram assim por um bom tempo. Ele me atacando e eu aprendendo com esses ataques, porém, logo ele quis pular este nível e começou a me ensinar a ter mais flexibilidade. E como a dor aqui é ilusória, consegui aperfeiçoar minha flexibilidade num alto nível, fazendo-nos mudar de lição novamente. Ele estava impressionado com minha evolução, mas eu tentava não me gabar para não irritá-lo, pois toda vez que fazia isso ele me dava um castigo, exigindo mais de mim.
A próxima lição fora equilíbrio e, devo admitir, foi extremamente difícil. Ainda não aperfeiçoei nesse treinamento, mas pude perceber o quanto o equilíbrio dos vampiros é inferior ao dos seres celestiais. Imagine: eu, uma criatura que tem todas as capacidades vampirescas, não conseguir ter equilíbrio? Bom, ao menos o equilíbrio que o Alexander – gostei desse nome – exigia, eu não tinha.
Agora nós pulamos para a prática com as armas e, apesar do estrago que elas poderiam fazer numa pessoa, era muito divertido usá-las. Principalmente arco e flecha, que exigia coordenação e uma excelente mira. Claro que eu fui perfeita nesse quesito, por isso adorei. Mas a parte complicada foi a espada. Ela era muito pesada! E isso por que tenho força sobrenatural! Era um sacrifício enorme ergue-la, quanto mais maneja-la, apesar de que Alexander tinha uma facilidade impressionante para segurá-la. Enquanto eu usava as duas mãos para ergue-la e perdia o fôlego, ele usava apenas uma mão e fazia incríveis manobras apenas com simples mover dos dedos.
Exibido.
— Acho que você demorará para se acostumar com a espada — deduziu o obvio. — Mas se tentar movimentos com ela em todos os treinamentos, logo ficará mais forte e poderá manejá-la com facilidade e, então, te ensinarei os golpes e as defesas.
— Mas para quê ensinar defesas? Não é como se fosse aparecer alguém com outra espada para me enfrentar! Vou até parecer estúpida manejando isso.
— Você está achando a maneira divina de lutar... estúpida?
— Por que você tem essa mania idiota... — perdi o fôlego ao levantar a espada e suspirei. O cansaço podia ser uma ilusão, mas era desagradável. — De chamar tudo de divino, sagrado e coisa e tal?
— Por que é — sorriu cínico. — Você devia estar grata por eu compartilhar todos esses conhecimentos com você, pois eu não tinha necessidade de ensinar.
— Ótimo — joguei a espada no chão. — Apenas com os movimentos que me ensinou eu já serei perfeitamente capaz de me proteger, não preciso disso.
Ele desviou o olhar em silêncio e, só então, percebi que estava me escondendo algo.
— O que você ainda não me contou? — inqueri. — Há algo a mais, não é? O que é?
Ele suspirou.
— Ainda não é a hora para dizer. Recolha sua espada e continue a ensaiar os movimentos.
— Não enquanto você não me dizer.
— censurou, impaciente. — Estamos sem tempo, seu sono está prestes a acabar.
Pisquei. Já havia até me esquecido que durante todo esse tempo o verdadeiro eu estava dormindo. Afinal, quanto tempo dura um sonho?
— Horas e horas, senão dias.
Estreitei os olhos.
— Não se aproveite da leitura de meus pensamentos para mudar de assunto, eu ainda quero saber o que esconde.
— Mais tarde — garantiu. — Agora continue.
Confesso que queria insistir mais naquilo, mas havia percebido o quanto ele estava determinado a adiar aquela notícia. E eu não acreditava que fosse algo simples ou tão pouco bom. De qualquer forma, empunhei novamente a espada, com o pulso firme e comecei a cortar o ar diversas vezes, como ele ordenara anteriormente. E até que aquilo estava se tornando mais fácil á cada movimento.
E, apesar de ser horrivelmente pesada, aquela espada era muito celestial. Dava um poder incrível manejá-la. Principalmente por que sua aparência era de dar inveja ao mais criativo dos artesãos. Seu cabo era dourado e reluzente, com desenhos simbólicos e divinos esculpidos e a lâmina era tão afiada que quando a luz do sol a iluminava, chegava a cegar quem a olhava. Definitivamente, eu não podia negar que aquele objeto era, como o Alexander gosta de dizer, divino.

Após ficar horas empunhando aquele chumbo de espada, o guia – quero dizer – Alexander me fizera treinar o cérebro, para fortalecer a mente. Isso mesmo, ele me fez ficar horas e horas sentada no chão com os olhos fechados, para tentar não pensar em nada. Até que era fácil por eu já ter feito isso antes no Outro Mundo, mas não era nada legal. De acordo com ele, eu teria que, além de criar uma barreira na mente, aprender a ver sem os olhos. O que ele quis dizer com isso eu não entendi muito bem, mas era algo relacionado a sentir a energia vibrante das pessoas ao meu redor, assim eu poderia saber onde elas se encontravam e em que posição estavam sem nem mesmo erguer as pálpebras para enxerga-las.
Confesso que ainda não consegui essa proeza, mas ele me garantiu que toda pessoa no universo pode conseguir isso, apenas é necessário muita dedicação.
Então partimos para a próxima lição: meus poderes. Ele queria me ensinar a controla-los com perfeição, mas, sinceramente, essa estava sendo a lição mais difícil desse treinamento. Não que meus poderes não me obedecessem, acontece que era difícil deduzir o que ordenar que fizessem, já que eu não conhecia os limites de minha força interior.
— Vamos! Atinja o alvo — ordenou ele, com os braços cruzados, á minha esquerda.
— Meu poder é telecinética, seu idiota. Como posso... lançar uma telecinética no alvo?
, eu reconheço o seu dom. Ele é o mesmo que o de um dos mais prestigiados Arcanjos. E sim, você pode lançar uma energia ao alvo á partir desse poder.
— Mas eu não sei como posso fazer isso — sussurrei para controlar a raiva. Por que ele sempre achava que tudo era fácil para mim?
— Por que é fácil! A resposta está em você. Tente!
Bufei e fechei os olhos, tentando concentrar minhas forças.
— Primeiro concentre seu poder nas mãos. E depois tente expandir essa energia para fora, só que com força, senão nada adiantará.
É fácil ficar ordenando, quero ver fazer.
— censurou. — Vamos, faça! Seu sonho está prestes a acabar, temos apenas alguns minutos para isso.
— Podemos tentar em outro sonho.
— Não. Tentaremos agora.
Suspirei, ainda de olhos fechados, e comecei a comandar meus poderes. Não era difícil concentrá-los nas mãos, eu logo pude sentir a aura reluzente e forte sobre minha palma e se espalhando por meus dedos, mas a parte difícil era expandir esse poder para fora. Era fácil ordenar a partir dali que ele forçasse alguma coisa a se mover, e até mesmo a se estilhaçar, mas era quase impossível jogar para fora esse mesmo poder.
— Continue assim, está quase conseguindo.
A voz de Alexander era apenas um murmúrio suave deslizando sobre minha mente, pois eu me encontrava completamente imersa naquele poder, tentando controla-lo... entende-lo.
— Isso... continue.
Senti a energia em minhas mãos circular ao redor de minha palma e se tornar uma pequena bola, pronta para apenas um empurrar para se tornar uma esfera luminosa sobre minhas mãos. Mas não era fácil expandir, pois exigia uma força mental que eu achava que não possuía.
— Sim... estou sentindo a energia pronta em suas mãos, . Basta apenas soltá-la, liberá-la para o alvo á sua frente.
Cale a boca. Pensei fracamente, tentando não perder a concentração. Estava quase conseguindo... mas com ele falando não daria certo.
Parecia que cada órgão de meu corpo estava trabalhando para empurrar aquela energia para fora, pois era horrível o esforço que eu estava fazendo. Apertei os olhos com força e prendi a respiração, tendo um trabalho tão grande que chegava a parecer que eu estava parindo um filho.
Senti uma ardência suave tocar meus dedos e percebi que estava conseguindo. A esfera começava a se expandir em minha palma. Quente e vibrante. Eu podia imaginar o estrago que aquilo faria se fosse jogado á alguém. Era nitidamente poderoso.
Soltei o ar de meus pulmões fortemente ao, finalmente, conseguir expandir meu poder e trinquei os dentes para que ele não retornasse para dentro de mim. Abri os olhos e enxerguei a pequena esfera dourada e luminosa flutuando sobre minha palma, esperando apenas uma ordem silenciosa para deslizar no ar.
— Isso! Você conseguiu — sussurrou Alexander, maravilhado. — Agora lance-a. Com força.
Ainda desnorteada com aquela linda energia em minhas mãos, eu me permiti ouvi-lo e obedecê-lo. Abanei a cabeça para conseguir mais concentração e focalizei o alvo a minha frente com os olhos estreitados. E, então, lancei a energia o mais forte que consegui.
Ela viajou rapidamente, cortando o ar numa velocidade incrível, e atingindo o alvo num clarão cegante. Tive que fechar os olhos e por a mão frente ao rosto, senão, provavelmente, neste momento estaria cega. Seguindo a claridade da explosão, logo um alto som estourou no ar, trazendo um forte impacto, numa rajada de vento, para nós logo em seguida. Fui lançada para trás fortemente com a explosão, mas Alexander continuou imponente frente àquilo.
Arregalei os olhos e escancarei a boca, enquanto uma densa camada de fumaça acinzentada se erguia no céu onde antes estava o firme alvo de concreto.
— O-o-o que foi isso? — gaguejei assustada. — Por que tudo explodiu desse jeito? Nunca vi nada assim...
— Isso, minha cara — disse ele, olhando-me com um sorriso torto. — É, nada mais nada menos, que seu poder. Uma energia poderosa está dentro de você e ninguém no mundo poderá vence-la se aprender a controlar com perfeição.
— M-meu poder? — perguntei horrorizada. — Mas achei que meu poder era telecinética, não isso...
— A telecinética é apenas uma parte do poder grandioso que está dentro de você.
— Mas com isso eu serei invencível — sussurrei, levantando-me. — Não há nem por que de eu continuar com esse medo insano dos Volturi. Eles nunca teriam chance comigo.
— Entende o que digo agora? — murmurou ele. — Agora você terá que se tornar mais confiante de suas capacidades. Não é a toa que é a escolhida, . Você é a mais forte, a mais poderosa. Nada teria chances de te vencer, mas não fique muito confiante. Excesso de confiança não é algo bom.
Encarei o nada, enxergando a razão em suas palavras.
— Eu nunca mais serei uma garota indefesa, não é?
— Na verdade, você será uma guerreira admirável, . Pude ter um vislumbre de seu futuro. Você evoluirá muito. Não só em suas capacidades, mas em sua postura, sua personalidade.
— Mesmo? — sorri. — Serei forte? Até emocionalmente?
— Bem... Só quem pode garantir isso... — disse ele e, só então, notei o quanto sua voz parecia fraca, se perdendo no ar ao meu redor. — É você.
Virei meu olhar em sua direção, mas ele não estava mais ali, apenas uma escuridão intensa. Tudo havia escurecido e logo eu senti meus olhos se abrirem, fazendo-me acordar e enxergar o cômodo familiar: meu quarto. Mas somente mais um despertar em que Jacob não está comigo. Onde ele estava?


N/A: Olá meus amores!!! Pois é, eu sei que dei uma sumida, mas mereço uma folguinha de vez em quando, não? Mas, então, o que acharam do capítulo? Estão gostando da evolução da PP? A força incrível que ela possui? E o novo nome do Guia? KKKK Sugestão da queridíssima Baby Suh! ;)
Mas agora falando dos comentários: estou realmente muito emocionada com vocês, sério. E olha que eu sou muito difícil de se emocionar. Quando foi que os comentários começaram a ficar tão grandes? *o* Nem quando eu cobrava comentários enormes vocês escreviam desse jeito! Estou maravilhada... super feliz! Graças á vocês, essa fic está fluindo TÃO facilmente! Caramba, como vocês me inspiram com essas palavras... Eu queria poder retribuir cada sílaba e cada emoção numa resposta para cada leitora, ou até ser cara de pau e fazer uma “surpresa para leitoras” como a Déh fizera kkkk, mas, além de ser muito complicado, eu não teria muito tempo para fazer do jeito que queria (afinal, sou muito perfeccionista). Mas quero que saibam que eu leio e AMO cada comentário! Desde o minúsculo ao mais longo testamento.
Pooorém, vou dar um destaque aqui á vocês, girls! Muito obrigada á:
Manuelza, Jess, BinhaBlack, Nannah Andrade, Baby Suh, Clau, Myh, Déh, Adriana MB, Luh, Vivi Black Cullen, Karol, Raquel, Mitchie Waldorf e Anônimo do dia 16/03.
Vocês são TODAS especiais pra mim. Não sou só leitoras, mas sim amigas incríveis que apoiaram e admiraram o resultado de minha maior dedicação, que faço com muito carinho e amor. Mas, é claro, eu tenho que dar um destaque especial àquelas divas q sempre comentaram fielmente com disposição para escrever um testamento sempre q possível, então vamos lá:
BinhaBlack, Nannah Andrade, Baby Suh, Clau, Myh, Déh, Adriana MB, Luh, Vivi Black Cullen e Raquel. (quase todas, mas relevem ksksks) Desde que começaram a ler, vocês nunca deixaram de comentar. Podem demorar, mas sempre estão ali para garantir minha felicidade com palavras tocantes e, por muitas vezes, hilárias (que vivem inflando drasticamente meu ego KKKK) Vocês são o motivo de eu visitar essa página de 5 em 5 minutos ansiosa pela opinião fantástica de cada uma... Sem vocês a fic e eu não seriamos nada. É ótimo saber que sou aceita. Conhecer pessoas com ideias iguais ás minhas... Ser admirada, elogiada, por algo que amo e me desponho a fazer com carinho e paixão, sem querer nada em troca (exceto comentários KKKK). Amo todas vocês, minhas amigas doidinhas! Queria que vocês morassem na minha rua para poder encontra-las sempre e dar apertados abraços alá Emmett Cullen kkkkkkk
Enfim, não sou boa com as palavras quando se trata de descrever o que EU sinto, mas espero que eu tenha ao menos dado uma noção á vocês do quanto significam para mim. E mais uma vez: Muito obrigada á TODAS minhas leitoras maravilhosas!
Agora, quebrando o clima emocionante, queria pedir que vocês entrassem nesse link e votassem na fic que querem que eu dê continuação. Afinal, Lua de Sangue uma hora vai acabar e eu não quero parar de escrever, mas tenho TANTAS ideias, que me complica a vida na hr de escolher. Então vão lá, leiam o prólogo de cada fic e votem no final, se não for abusar muito.
Enfim, vou ficando por aqui, minhas flores!
Beijooos e até a próxima! ;*



40. Perda


Bufei. Quanta importância eu tenho, não?
Sentei na cama e rolei os olhos. Eu devia parar de sempre pensar negativamente, afinal, ele devia estar fazendo algo importante, não me deixando de lado por uma besteira qualquer. É, é. Com certeza é isso. Concentrei minha audição no andar de baixo e pude ouvir murmúrios das conversas dos vampiros e a televisão ligada – num volume baixo – num jogo de basebol. Não havia nenhum sinal de Jacob... Ok, ele deve ter tido algo importante para resolver com matilha e saiu... Será que demoraria muito? Será que é tão grave assim para ele me abandonar aqui sozinha na cama depois de uma crise de choro?
Porra! Por que eu tenho que me sentir tão dependente assim?! Afinal, onde diabos esse infeliz dos infernos se meteu?! O que é mais importante do que eu? Ele vai ter que se explicar, ah se vai. Droga! Onde será que ele foi?
Bem, vamos ver, talvez eu consiga localizá-lo...
Reunindo todas as lições mentais de Alex em minha mente, comecei a exercer cada passo com cuidado, concentrando-me no silêncio de meus pensamentos e tentando sentir a energia de Jacob em algum lugar que fosse.
Depois de alguns minutos tentando, abri os olhos e suspirei frustrada. Merda, nem mesmo aqui isso é fácil. Eu tinha esperanças de que aqui fosse mais fácil, pois essa foi uma das lições mais difíceis do treinamento, mas é a mesma merda. Se todas as lições que aprendi lá não funcionassem aqui seria uma droga, mas pra ter certeza eu teria que testar...
Um estalo surgiu em minha cabeça e eu arqueei uma sobrancelha para mim mesma, tendo uma ideia. Bem, talvez não seja tão ruim testar minhas outras habilidades, recém aprendidas, aqui no mundo real. Afinal, será que tudo que aprendi no sonho realmente valerá de alguma coisa aqui?
Observei a paisagem da Península Olímpica pela minha varanda e sorri, logo me erguendo sobre os pés e saltando até o chão. Corri um pouco distante da mansão, para não correr riscos de ser vista, e pensei em qual seria a primeira habilidade que testaria. Será que esse treinamento no sonho vale de alguma coisa no mundo real? Bem, vamos descobrir.
Sorri animada ao decidir o que faria primeiro e logo peguei uma pedra qualquer do chão, focalizando uma árvore ao longe, mais amarronzada do que as outras. Perfeito, ela será meu alvo. Mais do que rápido lancei-a fortemente e ela viajou no ar numa linha reta, acertando a árvore em cheio e abrindo um buraco enorme no caso para atravessar o outro lado. Ok, minha mira aqui é a mesma. Agora outra coisa.
Saltei sobre o galho mais próximo e caminhei sobre ele, com delicadeza, até sua parte mais fina. Me pus nas pontas dos pés e sorri ao perceber que conseguia me manter equilibrada ali sem nenhum esforço. Ok, agora algo mais difícil. Dei um pulo sobre o galho e rodopiei no ar, pousando apenas a ponta de um pé sobre ele para absorver a queda. Perfeito. Equilíbrio também permanente. Pelo visto todas minhas capacidades se manteram.
Pulei de volta para o chão e, seguidamente, deslizei as pernas, escorregando-as, para testar o máximo de minha flexibilidade, mas elas acabaram por se arrastar pelo chão de uma vez só antes que eu percebesse.
Clack.
Estralo. Dor. Agonia.
Meus olhos reviraram nas órbitas e um grito instalou de minha garganta, ecoando por todo o lugar altamente. Encolhi-me no chão e agarrei minha virilha, que doía do modo mais doloroso possível. Oh! Droga! Aqui eu sinto dor, havia me esquecido disso, mas nunca pensei que todo o aperfeiçoamento dessa capacidade no sonho seria em vão.
Acho que flexibilidade você terá que aprender no mundo real.
Prendi a respiração ao ouvi-lo em minha mente e logo chiei: Como você pode falar na minha cabeça agora?!
Só posso falar com você quando está absolutamente sozinha. E estou ao seu lado neste exato momento, mas como sou um espírito você não pode me enxergar.
Inconscientemente o procurei ao meu redor. Eu disse que você não pode me enxergar.
Ok...
resmunguei. Então como você irá me ensinar aqui no mundo real?
Bom, deixe de lado o que eu disse, já tive uma ideia melhor. É só você desbloquear a dor ilusória de sua mente quando for tentar a flexibilidade no sonho.
Está louco? Eu não vou ficar sentindo dor não!
Como pretende aprender, então?

Reprimi um gemido e me levantei, ainda sentindo a dor agoniante no meu músculo adutor magnus. Alexander fez um murmúrio surpreso em minha mente e eu revirei os olhos. O que foi? Eu sou boa em biologia. Na verdade, sou boa em todas as matérias por ter aprendido tudo com a mente vampiresca.
Que seja. Vou me ausentar agora, preciso desco... ver algumas coisas.
O que?
Perguntei desconfiada. Eu tinha uma leve impressão que essa “coisa” que ele “veria” tinha a ver com o que ele me escondia e ainda estava morrendo de curiosidade para saber.
Nada importante.
Então não há mau nenhum em me dizer.
Agora não.
AH-HÁ! Tem a ver com o que você estava me escondendo!
Ok, tem sim, por isso não posso te dizer agora. Se me der licença... Tchau.
Espera! Espere aí, você vai me contar tudinho isso, Alexander!

Droga. O miserável foi mesmo embora. Bom, já que estou sozinha novamente, não vou mais continuar aqui testando minhas habilidades, pois não quero que resulte em mais uma dor idiota.
Fui para frente da janela de meu quarto mais próxima e saltei até o parapeito, subindo, entrando, suspirando e me assustando com Jacob a minha frente de braços cruzados e sobrancelha arqueada inquisitivamente.
— Onde é que você foi? — perguntou curiosamente.
Abri a boca para responder, mas logo parei. Eu diria o que? Que estava testando minhas novas habilidades que aprendi num sonho com meu guardião que me guiará durante toda minha missão na Terra? Ok, muita coisa doida acontece na minha vida, mas isso seria insano demais para contar. Além de que Alexander pediu que eu não revelasse nada dele á ninguém.
— Estava... eu estava... Ora! Você que devia me dizer onde estava! Assim que acordei me deparei com a cama vazia — contra-argumentei, ficando levemente irritada ao me lembrar que ele me deixara sozinha.
Ele revirou os olhos.
— Nessie queria falar comigo — respondeu e minha expressão mudou totalmente para surpresa. — Ela está desconfiada sobre nós dois.
— Hm. — tentei engolir o ciúme, mas não consegui me impedir de perguntar: — Vocês se beijaram? Rolou alguma coisa?
— Claro que não! — respondeu indignado. — Nessie é uma criança.
— Eu sei disso. Mas vocês já se beijaram uma vez...
— Não aconteceu nada. Eu desviei do assunto e disse que mais tarde conversaríamos sobre isso e outras coisas, mas...
Ele hesitou, suspirando.
— O que?
— Ela está magoada. Teme o que está por vir e... está sofrendo antecipadamente. Sinceramente, eu não fazia ideia do quanto ela gostava de mim.
Eu até ficaria mais preocupada com seus sentimentos, se o guia não tivesse garantido que ela teria sua felicidade ao lado de outra pessoa. Mas ainda sim... saber que ela estava sofrendo – e que boa parte era por minha culpa – fazia-me ficar triste. Desabei sobre a cama e encarei o nada, tentando controlar as emoções como Alexander me aconselhara a fazer a partir de agora, afinal, uma guerreira não podia ficar chorando por aí com qualquer coisa.
— Nós não podemos adiar isso — sussurrou ele, sentando-se ao meu lado e passado seu braço ao meu redor. — Quanto mais cedo ela souber, mais cedo irá superar.
Assenti.
— Você está certo. É só que... — mordi o lábio inferior e suspirei. — Não estou preparada para fazê-la sofrer... e receber olhares de ódio.
— Ela te perdoará — ele hesitou. — Talvez não tão cedo, mas perdoará.
Uni nossas mãos num ato inconsciente e recostei-me sobre seu peito ao sentir o conforto que apenas um contato com ele me trazia.
— Não sei nem como contar à minha família, quanto mais a ela — suspirei resignadamente, fechando os olhos.
— Ainda bem que não preciso passar por isso — ele suspirou levemente e eu levantei a cabeça para encará-lo. — Telepatia dos lobos — explicou, ao notar minha confusão. — Todo mundo já sabe. E logo a reserva inteira vai saber, por que o Seth não consegue ficar com o bico calado nem que sua vida dependa disso.
— Como eles reagiram?
— Ficaram muito surpresos, mas deixaram de lado, pois precisávamos nos concentrar no vampiro que caçaríamos.
— Oh.
— Embry gostou da notícia. Ele sempre achou, assim como eu, essa história de sofrer um imprint por uma criança um pouco maluco demais, apesar de entender que não era algo grave, então ficou aliviado por não ter mais que aguentar meus pensamentos sobre Nessie.
— Você não queria sofrer um imprint por uma criança?
— Pra falar a verdade, eu não queria sofrer imprint por ninguém — ele começou a brincar com os dedos de minha mão distraidamente e logo eu marquei em minha mente que aquela era uma mania nervosa dele. — Leah até tentou me convencer que seria melhor... que me faria esquecer Bella e parar de sofrer... Mas ainda sim, se eu pudesse escolher, nunca teria sofrido um imprint por ninguém. Quanto mais a filha do casal que eu mais desprezava...
— Se eu não tivesse me tornado vampira tudo seria diferente — comentei pensativamente e ele me encarou confuso.
— Como assim?
— Er... nada não. Só estava viajando um pouco. Afinal, você sabe como sou meio doidinha né?
— Meio? — zombou. Lancei um tapa em seu ombro.
— Cale a boca!
Ele aproximou seu rosto perigosamente perto do meu, fazendo meu coração disparar.
— Me faça calar.
Sorri maliciosamente e capturei seus lábios com os meus, num desespero mórbido, já levando minha mão para sua nuca e apertando seu rosto contra o meu. Não demorou nem mesmo um segundo para que nossas línguas se encontrassem e espasmos de prazer percorressem meu corpo.
Sua mão grande e quente apertou minha cintura firmemente, nos aproximando, e, quando me dei conta, estava montada em seu colo, com uma perna de cada lado de sua cintura, e o empurrando vagarosamente para trás sobre o colchão.
— Não... não p-pode ser...
Afastamo-nos instantaneamente e nos viramos para a origem do som. Renesmee.
Jacob e eu estávamos sem reações, com os olhos e os lábios bem abertos. Os olhos de Nessie viajaram até as mãos de Jake e seus olhos marejaram, já que uma estava mantida firmemente por baixo de minha camiseta e a outra apertava minha coxa com força. Ela apertou os lábios, mas ainda fomos capazes de ouvir o soluço choroso que escapara deles. Seus olhos vieram até os meus e uma enorme decepção e tristeza esbanjava deles, assim como lágrimas sofridas derramando-se por seu belo rosto.
— Como pôde? — sussurrou pra mim, antes de sair correndo do quarto.
Separei-me de Jacob no mesmo segundo e corri em sua direção, sentindo-me a pessoa mais suja e desprezível do planeta por fazê-la sofrer daquela forma. Jacob me seguiu e nós dois corremos até ela, mas, como estava muito rápida, não conseguimos alcança-la tão facilmente.
Ela atravessou a porta da mansão num flash e os Cullen nos olharam espantados.
Edward, precisamos falar com ela a sós. Por favor, nos dê cobertura.
Ele estreitou os olhos, mas assentiu de qualquer forma. Afinal, ele podia ter se irritado por sua filha ter sofrido, mas nunca ficaria contra mim, eu o conhecia bem demais para ter absoluta certeza disso.
Jacob e eu atravessamos a porta e, assim que pousamos lá fora, conseguimos correr mais livremente, com mais velocidade, e alcança-la facilmente entre a floresta.
Jacob começava a impulsionar seu corpo para metamorfoseá-lo e conseguir parar a frente dela, mas parou assim que eu saltei numa velocidade cegante e a fiz parar de correr.
— Ness — segurei seu braço, mas ela o puxou com brusquidão e se virou pra me encarar com ódio.
— POR QUÊ?! — gritou, com sua voz embargada e agoniante, dolorosa. — Por que fez isso comigo?
— Eu posso explicar — sussurrei, sentindo minha própria voz embargar. — Nossa intenção nunca foi machucar você.
— Mas machucaram — sussurrou, tentando engolir o choro. — Você era minha melhor amiga. Como uma mãe, irmã... mas se envolveu com ele... e você sempre soube que era meu imprint! Sempre soube que nós estávamos destinados a nos amarmos!
— Nessie... — Jake murmurou, agoniado. — Por favor, nos escute. Nós amamos você...
— CALE A BOCA! — berrou, tapando os ouvidos e negando com a cabeça. — Cale a boca, cale a boca, cale a boca... Os dois... me deixem em paz...
Ela estava tão descontrolada que começava a me assustar.
— Ness... — aproximei-me para abraça-la, mas ela recuou.
— Não se aproxime — chorou. — Tenho nojo de você. Dessa sua falsidade... dessa insensibilidade...
— Por favor, não fale assim — chorei. — Se houvesse uma forma de reverter tudo isso, eu faria, pois a ultima coisa que quero no mundo é te fazer sofrer.
— Cale-se, por favor, cale-se... Não quero ouvir nenhum dos dois, não quero explicações... deixem-me em paz.
— Nós nos amamos — disse Jacob, na lata, com a voz forte e alta. — Aconteceu antes mesmo dela se transformar em humana. Ou de você se apaixonar por mim... Nós sentimos uma atração inegável um pelo outro desde... sempre. Não havia como controlar, Ness. Nós tentamos. Tentamos muito. Mas foi em vão.
Ela soluçou alto.
— Vocês não pensaram nem mesmo um momento em mim? Será que não sentiam nem mesmo um pouquinho do amor que eu sentia por vocês para se importarem? — ela olhou para Jacob com dor, sussurrando tão baixo que mal conseguimos ouvir. — E o beijo?
— Pensamos em você o tempo todo! — gritei, já começando a me estressar com todas aquelas suas acusações injustas, e um pouco também pelo ciúme. Se ela soubesse... se soubesse o quanto eu pensei nela não estaria fazendo todo esse show! — Por que acha que ficamos todo esse tempo evitando um ao outro? Ou sempre trocando farpas? Nessie, nós ficamos desejando um ao outro, mas não tomando nenhuma atitude só para não te magoar! Até o último instante pensamos em você... e só acabamos por aceitar o que sentíamos quando...
— Quando o que?
— Quando sofremos um... uma espécie de imprint mais poderoso. — respondi, hesitante. Sua expressão nesse momento era indecifrável, mas eu só conseguia imaginar o quanto ela parecia Edward daquele jeito.
— Isso foi capaz de anular o nosso — continuou Jacob. — Eu ainda me importo com você, Ness, amo você, mas nunca esse amor se tornará algo maior. Não está mais destinado a acontecer. e eu vamos ficar juntos.
— E como eu fico? — sussurrou dolorosamente. — Por que não me impediram de sentir isso? Por que... não me disseram desde o começo o que sentiam?
— Íamos te contar — respondi.
— Mas estavam ocupados demais engolindo um ao outro — ela torceu a cara, mas eu não podia afirmar com certeza se era de nojo ou de dor. — Quer saber... vão embora! Eu preciso ficar sozinha.
Ela virou-se de costas para nós e abraçou ao próprio corpo – como que para se impedir de desabar sobre o chão.
— Nessie...
— Vá embora, !
— Por favor, me perdoe... por favor, Ness.
— Como pode me pedir isso? — murmurou com a voz rouca pelo choro. — Não posso perdoar... não quero perdoar!
— Ness — chorei. — Eu juro que, se pudesse, não sentiria nada disso e...
— Não é pelo que você sente, ! — ela virou-se para me olhar. Seus olhos achocolatados avermelhados e cobertos por lágrimas. — É por ter escondido tudo isso. Por nunca ter me dado a chance de mudar... evitar... o que sinto.
— Não era você quem tinha que evitar o sentimento — murmurei, me aproximando. Quase sorri ao perceber que ela não se afastara. — Eu sabia a importância do imprint... sabia que um dia ele lhe retribuiria os sentimentos, e não queria estar entre sua felicidade. Por que acha que passei tanto tempo com Oliver? Por qual outro motivo eu me arriscaria tanto namorando um humano?
— Não sei, quem sabe, amor? — ela sorriu cínica. — Mas eu devia ter percebido — comentou pensativamente. — Você nunca se importou muito com ele. Bem, não até agora.
— Como assim? — sussurrou Jake, que estava em silencio o tempo todo. — Você se importa com ele?
— Sim! — Renesmee respondeu ríspida, antes mesmo que eu pudesse falar algo. — Ela se importa com ele agora. E quer saber de mais, Jacob? Sua preciosa defendeu com unhas e dentes o namoradinho, mesmo ele sendo um filho da lua e mesmo já estando, supostamente, apaixonada por você!
Jake me olhou incrédulo e eu arregalei os olhos para Renesmee. Desde quando ela agia assim?
— Você a escolheu, não é? — ela riu amarguradamente. — Então seja feliz dividindo-a com outro. — ela cuspiu e olhou-me com ódio. — E você, ... — hesitou, olhando-me num misto de tristeza e ódio. — Nunca mais fale comigo.
Jacob e eu apenas observamos a sua figura desaparecer na floresta. Eu queria ir atrás dela, fazê-la me perdoar nem que fosse a força e defende-la dos perigos que podiam vir dali, mas estava em puro choque com sua atitude.
— É melhor avisarmos Edward, ele saberá o que fazer para acalmá-la — respondeu Jake, seco. — Quanto a nós... acho que precisamos ter uma conversa.

Assim que chegamos a mansão, fomos atacados por vários vampiros desesperados para entender a situação – principalmente Bella, mas ela parecia preferir saber de Jacob do que de mim. Era uma confusão de vozes e, mesmo tendo as capacidades avançadas de vampiro, não conseguia entender nada do que diziam, apenas perceber o quão desesperados estavam.
— uma voz firme se destacou entre as outras e eu virei meu olhar para Edward. — Onde Ness está?
Você precisa ir atrás dela. Ela está desolada e se recusa a ficar perto de nós, mas precisa de um apoio agora. Por favor, vá atrás dela.
— Tudo bem, eu vou encontra-la — murmurou, mas, antes que pudesse desaparecer, Bella surgiu à sua frente.
— Eu também vou! Ela é nossa filha e eu quero saber onde e como está!
— Ok, então vamos — respondeu ele.
Não demorou nem mesmo um piscar de olhos para que eles sumissem de nossas vistas e os Cullen se calassem para me cobrar respostas com olhares. Engoli em seco.
— Acho melhor entrarmos — respondi, apontando para a mansão. Eles assentiram e me seguiram.

— E... é isso — suspirei, receosa, e despenquei no sofá, olhando para minhas mãos para não ter que encontrar seus olhares acusatórios. — Entendo se quiserem que eu vá embora depois disso.
— Er... — pronunciou-se Carlisle e eu o olhei surpresa, afinal, ele nunca ficava sem o que dizer. — , essa é uma situação um tanto complicada, ainda não temos ideia do que pensar, mas não seriamos ruins a tal ponto de te expulsar daqui.
Quase sorri. Teria sorrido se o “mas” não estivesse explicito naquela frase.
— Mas todos nós percebemos que as coisas não serão tão fáceis quanto a Renesmee. Ela precisará de um tempo...
— Eu entendo — suspirei, abaixando a cabeça. — Então o que pretende?
— Temos que conversar com ela antes. É horrível para nós, mas o que ela decidir... é o que faremos.
— Não — rugiu Rosalie. — Tudo bem que se relacionou logo com o sarnento da Nessie, mas eu acompanhei cada momento disso! Ela lutou contra isso! Ela não queria magoá-la... E agora pode ser expulsa daqui só por causa de uma desilusão amorosa? Eu amo minha sobrinha, mas acho que aí vocês estão exagerando.
— Não é apenas uma desilusão amorosa, é o imprint dela — murmurou Alice, triste.
— ‘Pera aí, Alice — intrometeu-se Emmett. — Pelo o que eu pude entender dessa história toda, o imprint deles foi anulado com o desses dois aí! Ela não vai se sentir assim por muito tempo, pode até ter a liberdade de se apaixonar de novo e de novo, quantas vezes forem necessárias para esquecê-lo e seguir a vida.
Escancarei a boca. Desde quando Emmett era tão inteligente?
— Isso é verdade — concordou Esme. — Renesmee será imortal, terá muitas experiências de vida, e, já que esse não é mais um imprint, esse momento é apenas a primeira experiência ruim.
— Mas ainda acreditamos que ela precisa de seu espaço para digerir tudo isso — respondeu Jasper. — não pode estar aqui enquanto isso, pode tornar a situação pior.
— Não seja idiota, Nessie nem mora aqui — Rosalie rugiu mais uma vez. — Ela pode ficar no chalé e aqui. Ela terá nosso apoio de qualquer forma, não há motivos para expulsar , vocês apenas estão pensando de cabeça quente.
Sorri para Rosalie. Mesmo estando chateada por eu não ter contado nada disso, ela ainda me defendia com unhas e dentes. Realmente uma grande amiga, uma fiel aliada.
— Qual é, já se esqueceram do quanto essa baixinha também é importante para nós? — agora foi a vez de Emmett rugir. — Sinceramente, a atitude de vocês está longe de ser a de uma família!
— Emmett — repreendi. — Eles têm esse direito.
Ele bufou alto.
— Direito do que, ? De você, inevitavelmente, sofrer um imprint mais forte pelo lobo da Nessie? Isso não tem sentido. Todos aqui deviam saber, melhor do que ninguém, que não há como impedir um sentimento assim.
— Emmett está certo — Alice mudou de lado.
— Vocês estão entendendo errado — murmurou Carlisle. — Estamos apenas pensando na reação de Nessie. Seria melhor que ela tivesse seu espaço.
— Tudo bem, eu posso resolver essa situação — pronunciou-se Jake, mas sem me olhar. — Nessie precisa de um tempo, de espaço, então provavelmente terá que ficar sem ver a nós dois por um tempo. pode morar comigo enquanto isso, depois ela pode voltar.
Encarei-o de olhos arregalados, mas ele não me olhava em nenhum segundo sequer – talvez ainda estivesse bravo sobre a história de Oliver que Nessie fez o favor de contar. Concentrei-me em suas emoções e revirei os olhos ao notar o ciúme latente que estava sentindo.
— Será de grande ajuda isso — murmurou Carlisle. — , não pense que estamos te rejeitando nessa família, nós te amamos... Apenas queremos que Nessie se recupere da melhor forma possível... e se ela te ver... ou vê-lo...
— Será pior — concordei. — Eu entendo perfeitamente, Carlisle, não estou acusando-os de nada.
— Fico feliz por isso — sorriu ternamente. — E espero que Nessie possa superar isso rapidamente, para que vocês possam ser felizes sem magoar ninguém.
— Eu também espero isso — sorri e suspirei. — Bom... acho melhor arrumar minhas coisas enquanto ela não chega.
— Ainda acho isso uma besteira — bufou Rosalie, se aproximando de nós dois e olhando para Jacob com hostilidade. — E é melhor que nenhum sarnento me ataque quando eu for vê-la, entendeu?
Ele revirou os olhos.
— Não acredito que você vai até minha casa só para ver — resmungou.
— É claro que sim! — respondeu indignada, pondo as mãos na cintura. — Eu iria até o inferno por minha irmã, fido.
Agarrei-a num abraço forte e sorri alegremente. Não importa o que diziam de Rosalie ou o quão chata ela poderia parecer para as pessoas, pra mim ela era uma das pessoas mais importantes da minha vida. Emmett nos agarrou ao mesmo tempo e logo aquilo já se transformara num abraço em trio.
— Pode apostar, baixinha, nós iriamos até o inferno por você — disse ele, depositando um beijo em minha cabeça. Ah, como eu amo esses vampiros.
— Eu faria o mesmo por vocês também — suspirei, me afastando. — Mas é melhor eu arrumar minhas coisas logo, antes que Renesmee chegue.
— Ok, vai lá — Rose sorriu.
Subi feito um raio as escadas, com Jacob em meu encalço, e bufei.
— Se está tentando me ignorar, não está fazendo um bom trabalho — zombei. Afinal, ele queria me ignorar me chamando para morar com ele e me seguindo onde quer que fosse?
Ele suspirou.
— Não é como se fosse fácil. Mas ainda estou tentando.
— Besteira isso — parei e me virei para ele com as mãos na cintura. — Só por causa de Oliver?
— Não é só pelo que a Nessie disse, . Eu vi.
Congelei.
— Viu o que?
— Logo depois da gente ter sofrido o imprint e eu ter ido embora... vocês se beijaram. Você já estava ligada a mim naquele momento, mas mesmo assim o beijou. Eu havia me esquecido do que vi com tudo isso que aconteceu, mas depois do que Nessie disse...
— Eu sabia que você tinha visto — murmurei e ele arqueou uma sobrancelha. — Senti... sua dor.
— Então já deve saber o quanto essas atitudes idiotas me machucam, não? — perguntou com sarcasmo. — Já estou começando a duvidar desse seu “amor” por mim.
— Hey! Não duvide de meus sentimentos! Já é difícil o bastante ter que compartilhá-los com alguém, não quero que fique duvidando.
— Por que não deveria? — se alterou. — Você beijou outro cara quando tinha acabado de sofrer um imprint por mim!
— Não venha me cobrar nada, Black! Nós não estávamos numa relação oficial para eu dever alguma coisa a você. Além disso, eu não fazia ideia do que estava acontecendo entre nós naquele momento.
Ele grunhiu frustrado e passou as mãos pelos cabelos.
— Mas se já sentia algo por mim, por que o beijou?! — gritou, sem se importar que todos no andar de baixo podiam nos ouvir.
— Não se faça de santo, você também beijou Renesmee e o seu ato gerou mais consequências do que o meu!
— Mas eu nunca quis aquele beijo! Agora você pareceu gostar de beijá-lo!
— Eu não pude controlar, nós temos uma ligação! — gritei também.
Ele estreitou os olhos.
— Que tipo de ligação? — rosnou e sua voz era tão assustadora que recuei um passo.
— Não posso dizer — murmurei, ao lembrar que apenas entendia o que acontecia com Oliver por que Alex me contara.
— Não pode ou não sabe o que dizer? Pra mim isso não passa de uma invenção, isso sim! Por qual motivo você teria uma ligação com aquele cara?!
— Ele foi o filho da lua que usaram no feitiço jogado em mim, seu idiota! — gritei, sem me dar conta.
Ele arregalou os olhos.
— Como assim? E como você sabe disso?
Suspirei.
— Nossa, esse casal vai ser engraçado, mal começaram e já estão brigando! Hilário — ouvi Emmett murmurar e rolei os olhos.
— Eu te conto tudo, mas depois — murmurei, pedindo desculpas ao Guia mentalmente. Mas eu não poderia esconder isso de Jacob.
, eu quero saber...
— Aqui não — grunhi.
Os Cullen, seu imbecil. Resmunguei em sua mente. Ele suspirou, entendendo, e assentiu.
— Ok, vamos logo arrumar suas coisas.

Depois de algum tempo arrumando numa mochila as coisas que me seriam necessárias, desci as escadas – com Jacob – e encarei os Cullen preocupados a minha frente. Porém, antes que eu pudesse pronunciar qualquer frase de despedida, Edward entrou pela porta, arrasado.
— Edward, o que houve? — perguntou Carlisle, levantando-se do sofá onde estava sentado.
— Renesmee — ele suspirou, triste. — Quer morar no Alasca com as Denalis.
— Mas... não podemos ir agora — murmurou Alice, confusa.
— Ela disse que nos esperará lá. Não quer ficar em Forks por mais nenhum segundo.
Engoli em seco. Havia me esquecido disso... Tínhamos uma viagem preparada até o Alasca... E se os Cullen me abandonassem aqui? E, pior... Se eu tivesse que escolher entre minha família e Jacob?
— Talvez seja mesmo melhor — respondera Carlisle. — Muita coisa estranha anda acontecendo em Forks, ela ficará segura lá. Mas nós precisamos continuar aqui, pois está sendo alvo de muitas coisas.
— Nós continuaremos aqui. — garantiu Edward. — Mas Bella quer ir com ela.
Arregalei os olhos. Não! Se Bella for Edward também irá... E... Eu preciso do meu irmão comigo! Ele não pode ir! Droga, sei que estou sendo egoísta, mas preciso do meu irmão compreensivo comigo.
— Eu não irei — respondeu Edward. — Vou ficar aqui até que tudo se resolva. Até que todos nós possamos ir ao Alasca.
— Edward — me intrometi. — Você não pode ficar longe de sua família... Olha, convença Nessie a ficar mais um pouco! Diga que estou indo embora, que não morarei mais aqui...
— O que quer dizer com isso? — assustou-se. — Para onde está indo?
— Vou passar uns tempos na casa de Jake para dar um tempo a ela, mas oculte essa parte, ela não precisa saber que vou morar com... ele.
— Quando decidiu isso?
— Não importa — chiei impaciente. — Apenas diga a ela. Faça com que ela fique mais algum tempo. E aproveite sua família, Ed, por que se decidir mesmo ficar...
Ele me olhou triste e eu o abracei para confortá-lo. Ele retribuiu ao abraço e eu lhe sorri, afastando-me.
— Estou indo agora — anunciei, olhando para todos os vampiros presentes. — E lamento por tudo. Mesmo.
, não lamente...
— Olha, isso tudo é culpa minha, o mínimo que posso fazer é lamentar — interrompi Carlisle. — Mas saibam que, apesar de tudo, eu sempre amarei vocês. — observei Jacob ir até a porta com minha mochila nos ombros e suspirei. É, chegou a hora. — Bom... Então é isso... Adeus, minha família.
— Isso não é um adeus! — Alice resmungou. — É apenas um até. Logo você voltará pra cá.
— Ok — sorri. — Até, então.
Quando estava para me dirigir até a porta, senti braços frios circularem minha cintura e me levantarem no ar.
— Ei, você acha mesmo que saíra daqui sem um abraço? — Emmett riu. — Baixinha ingênua.
Logo todos se juntaram a ele e eu me vi amontoada por vários vampiros lindos e incríveis. Minha família.
— Até, .
Afastei-me, controlando as lágrimas, e me juntei à Jacob, saindo da mansão para me dirigir ao meu lar temporário, onde morarei com... Deus, agora que me dei conta! Eu vou morar na reserva Quieute... com os lobos!
Acho que isso não vai prestar.


N/A: Olá pessoas! O que acharam do capítulo? Para quem é atento na tag do TFI, deve ter notado que eu tinha dito que LDS ficaria um mês sem att... Mas, eu até que tentei escrever para não prejudicar tanto vocês, eu só não sei se ficou muito bom... Enfim, aconteceu bastante coisa nesse capítulo né? Todo mundo descobrindo as coisas, Nessie ficando arrasada... Spoiler: Nessie vai mudar um pouquinho com isso. Digamos que uma parte dela morreu depois dessa decepção tão inesperada... UHASUAHSUAHS
Enfim, espero que tenham gostado, pois eu, como sempre, achei q não ficou tão bom. (Déh, não me mata por isso, ok? Ksks).
Ah, sobre as semelhanças com Dragon Ball... Algum dia eu já disse a vocês o quanto eu AMO dragon ball? Não, sério, eu sou COMPLETAMENTE viciada nesse anime! Tanto quando sou em Twilight! Eu tenho todos os episodios gravados em cds, assisto toda semana, li os mangás, acompanho os fanmangás... nusss... Por isso digo, que qualquer semelhança de LDS com Dragon Ball, não é uma mera coincidencia, pois esse anime fodástico é uma das minhas maiores inspirações pra fic. Sério. Até fiquei animada quando algumas leitoras reconheceram as semelhanças haha AMO DEMAIS DRAGON BALL... Ok, chega.
Mudando de assunto, esses dias eu tava sem nada para fazer, então decidi dar uma olhada nos meus comentários antigos e ver quantas leitoras me abandonaram e CARACA! (pra não dizer outra coisa). Foram TANTAS que eu fiquei bem P da vida. Tipo, alguma coisa de ruim deve ter acontecido para ter TANTOS abandonos, né? Ou será que a maioria se transformou em leitores fantasmas? Olha, vou deixar a lista aqui e caso vocês tenham deixado de comentar por preguiça ou sei lá o que, mas ainda estão aí, é melhor se pronunciarem, senão dessa vez LDS vai ficar parada um mês mesmo (senão mais).
Leitoras desaparecidas: Alana G., Lari, NatyPe$ty, Gina, Nathalia, Naná Godoy, Thammy, Clarisse, Gabi, Gui, Crys, Juh Black, Leandra, Thais, Gabhy, Deia, Beatriz, Luiza Rubin, Jully, Stéfane, Lohanne Rocha, Agatha, Marianna, Ciça, Ingrid Sales, Gabriela, Bruna Abreu e Chessy.
SE VOCÊ ESTÁ ACOMPANHANDO A FIC E ENCONTROU SEU NOME AQUI, DÊ UM SINAL DE VIDA E COMENTE, PELO AMOR DE DEUS!!!
Agora minhas leitoras fodas, divas, maravilhosas, sempre presentes e que moram dentro do meu core: Myh, Manuelza, Jess, BinhaBlack, Nannah Andrade, Baby Suh, Clau, Déh, Adriana MB, Luh, Vivi Black Cullen, Karol, Raquel, Mitchie Waldorf e Lucy!
E seja bem-vinda Pamy! Que você apareça sempre por aqui, pois fico triste com as leitoras que dão as caras e logo somem. Isso vale também para Manuelza e Mitchie Waldorf, ok? Não me abandonem, girls!

Beijooos e até a próxima! PS: Lembrando que esse capítulo só foi escrito por que me esforcei de VERDADE, pois ainda estou sem inspiração. Então façam comentários ENORMES aí minha gente! (apesar q nem preciso pedir isso para Déh e Baby, pois já escrevem assim de natureza kkkk)



41. Notícias ruins, ações compensadoras


Eu me lembro bem do quanto tinha sido difícil sair de Seattle. Abandonar as lembranças de minha vida, de meu pai, e dos tempos em que fui feliz me aterrorizavam, mas, felizmente, minha parte insana de vampira trancafiou esse sentimento quando parti. Hoje consigo enxergar a dor por trás daquela ação. Tudo bem que naquele momento a cidade estava horrível, trazendo péssimas memórias e momentos infelizes e solitários, mas, mesmo assim, me incomodava ter que abandoná-la – embora isso não tenha transparecido muito na época.
Contudo, afastar-me da mansão dos Cullen estava parecendo muito mais perturbador – me deixando mais receosa.
De algum modo, sair de Seattle não fora uma decisão tão difícil, pois eu sempre soube que era o certo a se fazer e, também, que minha vida dependia dessa fuga. Além disso, eu não estava deixando ninguém para trás. Minha mãe sofreria, sim, com minha partida, mas como minha presença poderia lhe ser um risco, isso meio que fora, em parte, minha motivação para ir embora. Agora... Abandonar os Cullen... Tudo bem que eu tentava me convencer de que era o certo, de que Renesmee merecia ao menos esse espaço, mas ainda me atormentava o fato de que estava me afastando das pessoas que amava... por preferencia deles.
Eu tentava inutilmente focar meu olhar às costas de Jake, que avançava à frente pelo caminho que nos levava à sua casa, mas meu pescoço continuava com os constantes movimentos de virar a cabeça para trás, permitindo-me enxergar, sobre meus ombros, a pequena forma da mansão desaparecendo aos poucos em meio as árvores. Eu simplesmente não conseguia me impedir de continuar com essa ação involuntária e paranoica.
O calor familiar começou a cobrir meus olhos, trazendo à tona as lágrimas para marejá-los, todavia, me vi determinada a evitar que uma única gota rolasse por meu rosto. Vamos lá, encorajei-me – Lembre-se do que o Guia disse, você deve controlar suas emoções, ou então nunca se tornará forte e digna de ser chamada de guerreira.
Abracei-me para confortar-me e eliminei qualquer vontade que tinha de chorar, bufando. Quando eu era humana era raro, muito raro mesmo, eu chorar por alguma coisa, porém, depois de transformada, parecia que uma parte emocional havia despertado dentro de mim e tomado grande parte de minha personalidade. Por tudo eu sentia vontade de chorar! Pelo amor de Deus! A minha maior característica sempre fora de nunca demonstrar os sentimentos – como minha mãe – e agora fico assim, chorando com simples e idiotas pensamentos que surgem do nada em minha cabeça. Bufei.
— O que você tem?
Despertei de meus devaneios e ergui os olhos até Jake, que havia parado de andar para me encarar curioso.
— Por que você acha que eu tenho alguma coisa? — bufei, fazendo-me de ingênua.
— Você fica andando e bufando, andando e bufando, parece até uma égua, só falta relinchar.
Soquei seu braço com força e ele gemeu em meio as gargalhadas que começava a dar. Ótimo. Já não bastava essa discussão mental que estou tendo comigo mesma para me irritar, agora vem Jake com suas gracinhas.
— Vamos logo, ok? — o empurrei a frente e ele puxou o ar com força, pois já estava parcialmente sem fôlego de tanto que ria. Revirei os olhos. Idiota.
— Qual é, vai dizer que não está bufando o tempo todo? — debochou, retomando seus passos a frente, enquanto ajeitava a alça de minha mochila em seu ombro largo e forte marcado com a insígnia quileute que se destacava na pele avermelhada e reluzen... Ok, nem vamos começar a reparar nos detalhes do físico dele, você já sabe o que acontece quando faz isso, dona .
?
— Quê? — tarde demais, já perdi a linha de raciocínio com as vistas daquelas costas definidas.
— O que você tem? — perguntou novamente, só que agora um pouco mais indignado.
— Só estou pensando numas coisas.
— Que coisas?
— Coisas!
— Mas o que?
— Ah!! Que é?! Vai querer invadir minha mente também?! Já não basta o Edward e o Gui... — calei-me repentinamente e arregalei os olhos, dando-me conta do que quase revelei.
— Gui? Gui o que? Quem é esse? — virou para me encarar, inquisitivo. Ok, não cheguei a revelar tudo, mas fora suficiente para me ferrar.
— Só estou com sono, não estou pensando direito no que estou falando.
— Você acabou de acordar, — ficou sério, parando de andar.
— Eu... er... então deve ser a fome! — inventei rapidamente. Ele me encarou calado por um minuto completo, analisando minhas expressões minuciosamente, enquanto eu evitava engolir em seco para não revelar minha mentira descarada.
— Não acredito nessa sua desculpa esfarrapada — revelou por fim, estreitando os olhos, prendi a respiração. —, mas mais tarde você me explica isso. Vamos logo pra casa, pois, realmente, você não comeu nada desde que acordou.
— Está vendo só!
— Não estou dizendo que acredito em você, só que você precisa comer.
Revirei os olhos e acompanhei seus passos, agora acelerados, mas sem voltar a olhar para trás para enxergar meu antigo lar.

Assim que pudemos avistar uma pequenina casa avermelhada, Jake cessou seus passos e me observou – como se aguardasse minha reação. A vista não me surpreendeu, eu já tinha vindo aqui com Bella uma vez para buscar Nessie, me lembrava bem disso... Aliás, como esquecer? Fora no mesmo dia em que Jacob e eu nos beijamos pela primeira vez... Enfim. Mesmo depois de quatro anos, as coisas continuavam absolutamente iguais. A casa simples, no estilo de um mini celeiro, a garagem afastada e as árvores cercando o local para trazer uma sensação de bem estar para quem visse.
Jake segurou minha mão.
— Olha, ... sei que minha casa não é nenhuma mansão como a dos Cullen, mas...
— Ah, cale a boca — resmunguei descrente, puxando minha mão. — Você me ofende desse jeito. Não sou tão superficial para ficar criticando todos os lugares que não contém luxo. Pra ser sincera, mesmo depois de tanto tempo ainda não me acostumei com todo aquele dinheiro dos Cullen, pois até em casa abandonada já morei um dia.
Notei um tom avermelhado sobre a pele dourada de suas bochechas, mas ele desviou o rosto para longe antes que eu pudesse ter certeza.
— Ok, desculpa. Só estava receoso caso você se sentisse desconfortável...
— ‘Ta brincando? — sorri animada. — Todos aqueles objetos impecáveis da mansão me dão medo até de respirar perto. Um lugar mais simples será, definitivamente, mais confortável para uma criatura, crescida na classe baixa, como eu.
Ele sorriu largamente e meu coração se aqueceu em resposta. Estava para existir sorriso mais bonito que aquele. Parecia iluminar e dar cor a tudo a sua volta de tão resplandecente e perfeito que era.
— Vamos entrar — segurou minha mão novamente, mas dessa vez não a puxei.
— E-espera — gaguejei, aderindo um nervosismo repentino. — Achoo que preciso me preparar para conhecer sua família... e se eles não me aceitarem? Eles nem sabem que vou morar aqui!
Jake riu divertido.
— Não, eles não estão. Provavelmente estão na casa de Sue para saber pelo Seth o que anda acontecendo comigo.
— Sue? Quem é Sue? — franzi o cenho, tendo certeza de já ter ouvido esse nome, mas não me lembrando de quem se tratava.
— A mãe de Seth e Leah.
Oh.
— E como você sabe que não tem ninguém aí dentro? — questionei.
— Escute, . Não há som nenhum lá dentro.
Foquei minha audição nos cômodos daquela casa e suspirei em alivio ao perceber que ele estava certo.
— Isso é bom. Pelo menos terei tempo para me preparar para conhecê-los.
— É — murmurou, num tom sério. Olhei para seu rosto, confusa, e gelei ao notar a firmeza de seu olhar. — Enquanto isso, por que não aproveitamos para ter aquela conversa?
Meu coração acelerou e eu tentei controlar as batidas ininterruptas para que ele não fosse capaz de ouvir. Droga. Cedo demais. Cedo demais pra ter essa conversa, não estou preparada!
— Por que não conversamos sobre isso depois? — murmurei fracamente, livrando-me de sua mão novamente e me afastando, porém, fui impedida de me afastar muito quando sua mão segurou-me pelo braço fortemente.
— Por que deveríamos adiar? Estamos sozinhos! O que mais precisa para termos essa conversa, ?
Minha preparação psicológica para os gritos que irei ouvir quando dormir e encontrar o infeliz do Guia.
— Olha, nós vamos conversar — tentei acalmá-lo. — Tenha paciência. Esqueceu que estou com fome? Não quer que eu desmaie no meio da conversa, quer?
— Não mude de assunto!
— Não estou mudando de assunto! — disse, com uma oitava mais alta na voz. — Apenas pare de ser paranoico com isso, eu vou te explicar tudo nos mínimos detalhes possíveis. Apenas estou pedindo, educadamente, que você tenha um pouco de paciência.
— Hoje — sibilou. — Nós teremos essa conversa hoje, . Nem que eu tenha que ligar para casa de Sue e pedir para que prenda meu pai e minha irmã lá, mas nós colocaremos as cartas na mesa hoje!
— Ok — sussurrei fraca, vendo que não teria escapatória. — Agora você poderia, por favor, soltar meu braço?
Ele soltou, mas ainda me olhava sério e com o olhar firme.
— Vamos. Você precisa comer.
Droga. Isso é tão desconfortável. Por que Jake tem que ficar me encarando com os braços cruzados enquanto como? E não é só isso, pois o olhar que ele me manda é de como se quisesse enfiar a comida pela minha goela de uma vez. Tudo bem que o meu ritmo está propositalmente lento enquanto como, mas eu pedi paciência pra ele, não é?
Apoiei o queixo numa das mãos e comecei a cutucar o lanche, que Jake fizera, preguiçosamente, embora meu estômago implorasse para devorar tudo aquilo de uma vez por todas.
! — Jake gritou e eu saltei na cadeira, assustada. — Será que dá para comer logo de uma vez?! Acha que não estou percebendo que está prolongando isso mais do que devia apenas para adiar nossa conversa?
— O que? De onde você tirou essa ideia? — fiz-me de inocente. — Sinceramente, Jake, você já está ficando paranoico com isso.
Ele estreitou os olhos.
— Já que está comendo tão devagar, então é possível conversarmos enquanto come — sorriu maroto.
Arregalei os olhos.
— Não! É falta de educação falar de boca cheia!
, sua boca está vazia há uns vinte minutos.
Imediatamente enfiei um pedaço enorme do lanche na boca e lhe sorri fechado enquanto mastigava. Rolou os olhos.
— Vamos, não seja infantil! — insistiu, mas quando percebeu que não adiantaria, usou uma nova tática. Seus olhos amaciaram e sua voz adquiriu um tom doce e delicado. — Eu prometo não ficar bravo e gritar, enquanto você não terminar de contar tudo. Se isso é o que te preocupa, eu prometo, . Agora, por favor, me conte.
Desviei o olhar do seu para não ceder, mas ele segurou minha mão e me forçou retornar o olhar ao seu. Por que aqueles olhos tinham que me seduzir tanto? Me forçar a concordar? Sério, se Jake começar a fazer isso com frequência, eu também vou.
— Ok — suspirei rendida, pondo-me numa posição mais confortável em que eu pudesse olhar para seu rosto com firmeza e seriedade. Não há mais como evitar, terei que contar. — Está na hora de você saber tudo mesmo.
Jake, assim como prometera, não se exaltara em nenhum segundo sequer durante toda minha explicação. Parecia estar contendo todas suas emoções e reprimindo todas as ações que poderiam transparecer seus pensamentos conturbados ou sentimentos alterados. Vez ou outra sua voz se pronunciava numa simples pergunta, mas logo somente a minha voltava a preencher o local. Algumas vezes eu lhe mostrava algumas cenas mentalmente, para poder explicar com mais detalhes, e isso ajudara bastante para que ele compreendesse melhor.
— É isso — murmurei finalmente, sentindo uma enorme sensação de alivio me dominar. Parecia que um peso enorme tinha saído de meus ombros. Jake agora compartilhava de todos meus pensamentos... seria meu aliado, a única pessoa que conhecia toda a história.
Ele piscou os olhos, como se estivesse preso entre seus pensamentos durante todo o relato e só agora voltasse à realidade. Olhou-me com os olhos misteriosos, mascarando suas emoções, e segurou minha mão.
— Então quer dizer que estávamos destinados a sofrermos um imprint? — perguntou, com a voz vaga. E, sim, eu tinha contado absolutamente tudo que o Guia havia me contado, então a história de Oliver meio que perdera a importância para Jake nesse momento.
— Sim — sorri, mas logo abaixei os olhos tristemente. — Mas, infelizmente, o destino foi cruel e colocou Nessie no meio de tudo isso.
— Mas você disse que há algo guardado para ela. Que ela vai ser feliz.
— Sim — repeti. — O Guia me garantiu isso.
Jake deu um sorriso curto.
— Então não devemos nos preocupar tanto. As coisas se resolverão de um jeito ou de outro, afinal.
Assenti.
— E seu treinamento? Como ele é?
— Bem... — fiz careta. — É extenso, com várias e várias atividades diferentes para desenvolver minhas capacidades. Além de ser tudo muito puxado.
Dei-lhe um vislumbre de meu treinamento junto ao Guia mentalmente e seus olhos adquiriam um brilho a mais, como se admirasse o que eu estava fazendo, ou simplesmente tivesse inveja. Louco.
— E houve resultados? — perguntou interessado.
Imediatamente a imagem minha me esborrachando no chão, por não ter flexibilidade, surgiu em minha mente.
— Er, acho que sim.
— Você acha que conseguirá se transformar numa guerreira?
— Isso eu não sei, mas o Guia me disse que se eu aprender tudo com perfeição... sim. E eu acho que posso confiar na palavra dele.
Ele fechou a cara por um instante.
— Como é esse tal Guia? E por que “Guia”? — ele fez uma careta de desgosto.
— Ah, é que as entidades espirituais não têm nomes, então elas são reconhecidas por seus “cargos”. Como ele era o Guia de uma dimensão, eu me acostumei a chama-lo de Guia. Até tentei colocar um nome nele, mas não adiantou muito, toda vez que penso nele, o nome “Guia” pisca em minha mente.
— Você... tentou colocar um nome nele? — perguntou descrente.
— É — dei de ombros, não entendo o porquê de tanta descrença. — Achei que Alexander combinava com a cara dele, mas, enfim, não adiantou muito.
. Você tem noção que esse cara é uma entidade espiritual, né? Tem noção de que ele é bem superior a você, não tem?
— Sim — respondi, com descaso.
— Por acaso você é louca por provoca-lo desse jeito?
— Ah, ele não se importa! — menti. Na verdade, eu pouco me importava com o que o Guia era ou o que ele poderia me fazer, apenas o enxergava como um idiota que ficava engraçado irritado.
Jake arqueou uma sobrancelha, desconfiado.
— Você ainda não me disse como ele é.
— É um idiota. E bem escandaloso para uma entidade espiritual.
— Fisicamente, — disse impaciente. Estreitei os olhos. Impressão minha, ou há uma faísca de ciúme naqueles olhos negros?
— Hm — soltei um riso, enquanto encarava sua cara brava.
— O que foi? — perguntou, mau humorado.
— Nada — reprimi um sorriso maroto. — Sabe, apesar de idiota, ele é terrivelmente lindo. Aquele tipo de beleza angelical que nem mesmo os vampiros têm. Ele seria uma tentação para qualquer uma com aquele corpo, olhar... Deus, ele é tão hot que nem sei como é possível que exista. Nem sei por que implico tanto com ele, vai ver é algum tipo de atração que tento reprimir... é, talvez seja isso. Assim como foi com você.
Jacob parecia estar enxergando, além de mim, a forma de seu maior inimigo materializada. Era um olhar de pura fúria e descontrole, que beirava a insanidade. Ok, exagerei na provocação. Mas ele merecia uma lição para parar de ser tão ciumento. Apesar de que eu não menti sobre a aparência surreal do Guia... Ah, mas me interessar por aquele bobão seria algo impossível.
— Fico lisonjeado com todos esses elogios — arregalei os olhos ao ouvir a voz do Guia atrás de mim e virei a cabeça num tranco. — Devo admitir que nunca esperava algo assim de você, .
Ok, então realmente Jake estava encarando alguém atrás de mim. Isso não vai resultar em boa coisa.
— O-o que faz aqui? — gaguejei. — Você disse que eu não poderia te ver por ser um espirito!
— Posso me materializar algumas vezes — deu de ombros. — Como um espírito superior, eu tenho a capacidade de poder aparecer para pessoas, mas evito isso, pois logo em seguida tenho um desgaste de energia angustiante. Como se eu fosse um humano e tivesse acabado de correr numa maratona.
Jake continuava imóvel, encarando o Guia com olhos sinuosos e raivosos, percebendo que tudo que eu dissera sobre o cara a sua frente era verdade. Ele era tão atraente e belo quanto um Deus grego. Droga. Péssima hora para esse espirito infeliz aparecer.
— E por que escolheu fazer isso agora, então? — perguntei receosamente, já tendo uma ideia do que poderia ser.
— Oh, você está certa — sorriu. E seu sorriso era tão sarcástico que era assustador vê-lo em sua face.
— Então esse é o tal Guia? — Jake murmurou, levantando-se da cadeira e o encarando com hostilidade.
— O próprio — sorri amarelo. Esse maldito Guia teve que aparecer justo agora?! Como vou esclarecer a Jake que tudo que eu disse era mentira se o próprio está aqui para comprovar tudo? — Só diga logo o que veio fazer aqui, Guia.
— Você não podia ter compartilhado tudo isso com ele, — disse sério e eu congelei com o tom decepcionado explicito ali. — Você não tem ideia do quanto isso pode nos prejudicar.
— Por que prejudicaria? — Jake se intrometeu, desafiador. — Por acaso está insinuando que não sou de confiança?
— Acontece, rapaz, que já é extremamente desgastante ter que bloquear todas essas informações na cabeça de . Bloquear a sua também... Nem mesmo sei se vou ser capaz, já que seus pensamentos são compartilhados com todos da matilha.
— Olha, por que não facilitamos isso e contamos a Edward o que está acontecendo? Não precisamos esconder tudo isso dele — propus esperançosamente.
O Guia firmou seus olhos nos meus. Seu olhar era tão sério e urgente, que deixava claro que não era somente isso. Havia mais. Muito mais. Algo grave o suficiente para desesperá-lo.
— Não é com Edward que me preocupo, — sussurrou em resposta, confirmando meus pensamentos. — Nem com os Volturi.
Todo ar escapou de meus pulmões e eu agradeci aos céus por estar sentada, senão teria caído. Então havia um inimigo pior que os Volturi por trás disso tudo?
— Sim, mas ainda não posso te dizer nada. É para sua segurança. Quanto menos souber, por quanto tempo for possível, melhor.
Desfoquei meu olhar, digerindo tudo que estava me dizendo. Claro. Claro! Como pude ser tão cega? Por que existiria uma merda de profecia, passada por gerações de feiticeiros, cujo mensageiro era um espirito superior de Outro Mundo, apenas para que os Volturi fossem mortos? Não tinha sentido! Como alguém poderia ver sentido numa coisa dessas? O mau, no qual a profecia se referia, era algo muito pior... algo fora da realidade até mesmo para pessoas que conhecem o lado sobrenatural do mundo. Era algo que exigiria o máximo de meu esforço, o máximo de minhas capacidades... tudo de mim.
— Há quanto tempo sabe disso? — sussurrei.
— Do que? — perguntou Jake, tentando me entender, embora a pergunta não fosse dirigida a ele.
Ergui meus olhos e encarei o Guia com uma firmeza e determinação que nunca senti antes. Pus-me sobre meus pés, para aderir mais impacto à minha postura rígida, e lhe cobrei uma resposta completa pelo olhar.
— Há quanto tempo sabe ao que a profecia se referia?
Ele respirou fundo.
— Descobri há pouco tempo. Por isso decidi te treinar, por isso entendi por que você precisava de um guardião. Isso que está para acontecer, ... É algo muito maior do que qualquer um poderia imaginar. Está além, até mesmo, de minha imaginação. Você precisa ser treinada, guiada e protegida nessa missão, pois...
— Pois? — inqueri, assustada, mas ao mesmo tempo extasiada. Várias emoções intensas começavam a me dominar e me vi surpresa ao identificar, em meio a elas, um entusiasmo forte e insano. Como se minha alma clamasse por esse momento, ansiosa. E preparada.
— Não posso dizer agora — lamentou.
— Só me diz uma coisa — Jake levantou a voz, encarando-o inquisitivamente. — terá chances contra isso que está por vir? Ela será capaz de vencer?
— Se ela conseguir dominar tudo com perfeição... — ele hesitou. — Talvez sim. Não posso afirmar com certeza.
Jake ergueu o queixo, sua postura enfrente ao Guia tão confiante e impactante, que até fizera um pouco de admiração passar rapidamente pelos olhos do Espírito Guardião.
— Tudo bem, Guia... Agora revise essa conclusão, tendo em mente de que toda a matilha e os Cullen participarão dessa briga.
Nós dois o encaramos chocados.
— O que?! — gritei. — Você ficou louco? Essa briga é minha, não quero ninguém metido nela, Jacob!
— É uma pena que sua opinião pouco importa nessa decisão, — respondeu ríspido e depois deu um sorriso irônico. — Espera, não é uma pena. Tenho certeza de que nenhum dos Cullen hesitaria se tratando de sua proteção, não importa o que você diga. Assim como eu.
Tranquei o maxilar, sentindo vontade de esmurra-lo ao perceber a verdade em suas palavras. Ninguém ligaria para o que pensava se isso implicasse minha segurança.
— Bem — pronunciou-se o Guia. — Tendo em mente isso... Talvez facilite um pouco as coisas, mas ainda sim não é uma vitória garantida.
Evitei engolir em seco. Legal. Não bastava estar arriscando minha própria vida, agora as pessoas que eu amo também estão.
— Como soube da profecia? — perguntei de repente.
, eu não vou te contar sobre...
— Só quero saber como soube — aumentei a voz. — Quem te contou isso?
— Ninguém. Eu descobri sozinho.
— Você não sabe qual foi o espirito que contou sobre a profecia aos feiticeiros?
Ele negou levemente.
— Tenho tentado descobrir... Mas não há nenhum registro dele no Outro Mundo. Talvez ele seja um ser tão superior que... nem mesmo eu consigo rastreá-lo.
— Como isso é possível? — sussurrei. — Um bando de feiticeiros conseguiram chama-lo duas vezes e você nem ao menos consegue encontra-lo ou saber quem é?
— Talvez ele não seja um simples espirito, . Talvez seja um... mensageiro de Deus. Ele surgirá somente quando for preciso e para quem merecer.
Suspirei. Se ao menos eu pudesse falar com esse ser... descobrir mais sobre o que está pra acontecer...
— Apenas siga o plano, . Treine. Se esforce ao máximo para desenvolver todas suas capacidades e se tornar poderosa. Não pense muito nisso. Facilitará as coisas para mim na hora de bloquear seus pensamentos se evitar se preocupar assim.
— Mas e Jake? — perguntei, dando-me conta de que nós dois estaríamos com as mentes expostas para sei lá o que.
— Vou tentar proteger a mente dos dois. Mas evitem pensar muito sobre isso. Pelo menos o risco não é tão grande tendo em vista que vocês não sabem do que se trata realmente, mas evitem pensar sobre isso.
— Ok.
— Tenho que ir agora. Minha energia está se esgotando, se eu ficar mais algum tempo aqui não conseguirei me materializar em seu sonho para o treinamento.
— Tudo bem — respondi, suspirando. — Até.
E ele desapareceu. Olhei para Jake e notei seu olhar tão cansado quanto o meu com toda aquela história.
— Você não devia ter metido os Cullen nisso. Muito menos você mesmo — pronunciei-me, irritada.
— Olha, não começa com isso, ok? Não importa o quanto fique zangada ou o quanto grite, não deixarei que enfrente toda essa droga sozinha!
— Mas essa droga foi destinada à mim! Eu sou a responsável, não vocês! Não quero ninguém morrendo por mim, será que não entende?
— Melhor morrer por você, do que te assistir morrer sem fazer nada! — gritou. — Pense nisso, ! Pense no quão inútil e sujos nos sentiríamos deixando você enfrentar tudo isso sozinha. Se a situação fosse inversa, não faria o mesmo por nós? Não seria capaz de morrer por nós?
Engoli minhas palavras e o encarei, tentando fazê-lo mudar de ideia com um olhar implorativo. Sim, eu seria capaz de morrer por todos eles. Por isso mesmo preferia enfrentar tudo isso sozinha.
— Tudo bem, faça como quiser — resmunguei. — Só não diga nada aos Cullen agora. Você viu o quanto pode ser perigoso mais alguém saber disso. Quando chegar a hora, sei que o próprio Guia me permitirá contar tudo.
— Ok — murmurou. — Vamos apenas esquecer tudo isso, como o cara disse.
Encarei-o desconfiada e sorri, notando seu ciúme ainda visível.
— Sabe, Jake — me aproximei lentamente, com um olhar que eu julgava ser provocante. — O Guia pode ser maravilhosamente lindo, como um Deus — ele ficou tenso com minhas palavras, irritado. Sorri. Minha mão alcançou seu braço e deslizou por ele, aproveitando satisfatoriamente o passeio pelas saliências tentadoras que seus músculos formavam, e pousando sobre seu ombro. Ele estremeceu com o toque suave sobre sua pele quente. Levei minha outra mão ao outro lado de seu ombro e me inclinei na ponta dos pés, levando meus lábios ao seu ouvido. — Mas eu não te trocaria nem pelo ser mais perfeito do Universo.
Sem conseguir controlar seus músculos faciais, um sorriso enorme e satisfeito nasceu em seu rosto, enquanto suas mãos se entrelaçavam em minha cintura num aperto firme e confortante.
— Eu sei disso — sorriu convencido e eu revirei os olhos.
— Oh, claro, sabe tanto que quase não se aguentou de ciúmes — zombei.
— Não é ciúme — discordou, passando seus lábios por meu pescoço num constante e lento depositar de beijos, até chegar ao meu ouvido. Fechei os olhos, aproveitando a sensação terrivelmente prazerosa que aquilo me causava. — É apenas raiva.
— Raiva? — sussurrei desnorteadamente, sentindo sua mão adentrar sob minha blusa e subir em direção a meu seio, mas parando antes de chegar. Gemi frustradamente. Ele quer provocar? Ok.
— Raiva por ter possibilidades de outro cara estar te desejando. Você é minha. Só minha. Coitado do cara que tentar mudar isso.
Ri baixinho.
— O Guia não me deseja, seu bobo — beijei seu pescoço e ri novamente ao notar o arrepiar de sua pele.
— Por qual outro motivo ele não se importaria com suas implicações?
Gargalhei.
— Na verdade ele se irrita com tudo que falo, mas é um espirito bom demais para me fazer algo ruim. Ainda mais sendo meu guardião. Não tenho medo de irritá-lo... Ele até está se acostumando com meu jeito.
Ele riu, mais tranquilo.
— Já eu, nunca me importei com sua implicância — olhou-me nos olhos. — Eu não sabia na época, mas adorava ter sua atenção, não importasse como. Desde que você estivesse ali, perto de mim... falando comigo... eu já me sentia bem.
Mordi o lábio inferior e sorri, notando uma coisa que não havia percebido antes.
— Eu estava enganada. — declarei, sorrindo bobamente.
Ele fez uma cara lindamente confusa.
— Sobre o que?
— Não é ridículo para você.
— O quê? — não entendeu.
Beijei-lhe os lábios, sentindo todas aquelas emoções – agora familiares – explodirem dentro de meu corpo de uma vez só. Jake, sem esperar minha ação, apenas intensificou o beijo e me ergueu, fazendo-me entrelaçar as pernas em sua cintura num movimento automático.
— Romantismo — sussurrei em meio ao beijo, com a respiração cortante soprando contra seus lábios. — Romantismo não é ridículo para você. Você nunca poderia ser ridículo em algo.
— Um elogio? — ele riu, zombeteiro. — Estou mesmo recebendo um elogio seu?! Quem é você e o que fez com minha ?
Mordi sua bochecha e ele grunhiu um gemido, rindo.
— Sua canibal!
— Está insinuando que eu não sou uma pessoa legal o suficiente para fazer elogios, Black? — provoquei, deslizando minhas mãos por seu peito e deixando nossos lábios separados apenas milimetricamente.
— Sim — sussurrou, conforme eu começava a distribuir beijos molhados em seu pescoço, aproveitando isso até mais do que ele. — Que tal tomarmos um banho, hm?
Disfarcei o sorriso malicioso em meu rosto e desci de seu colo, afastando-me com um olhar provocante. Ele pareceu não entender minha ação, mas seguiu meus passos como se estivesse hipnotizado. Desabotoei dois botões de minha blusa e expus o sutiã preto rendado que Alice me comprara a algum tempo atrás, focando toda minha atenção em seu rosto. Jake prendeu seus olhos em meus seios e um olhar sedento e insano tomou conta deles – que agora pareciam mais negros que o normal, com o desejo latente.
— Jake — murmurei, num tom que eu desejava que fosse sexy o bastante para fazê-lo se arrepiar. — Quando sua família chegará?
— Não sei... — murmurou disperso, ainda de olho no movimento de meus dedos ao desabotoar lentamente a blusa. Arqueei uma sobrancelha e abotoei dois botões. Puro desespero cobriu seu olhar. — Com certeza de noite! Quando Billy vai à casa de Sue, ele fica até a janta, já que Rachel não cozinha mais. E ela vai à casa de Paul e às vezes nem volta. Temos muitas horas sozinhos, .
Sorri insinuante e continuei a desabotoar minha blusa, dando passos lentos para trás, em direção ao corredor que provavelmente levava ao banheiro. E toda vez que ele avançava em minha direção, pronto para me agarrar, eu me aproveitava de minha velocidade inumana para recuar e sorrir diabolicamente, abotoando um botão para castiga-lo. Ele entendeu o recado, portanto, logo pude terminar de desabotoar a blusa e deixa-la deslizar suavemente por meus braços, indo de encontro ao chão.
Jake já tinha uma tentadora saliência no meio das pernas, mas obedecia minhas regras, mantendo o ritmo de seus passos ao mesmo que os meus. Pisei sobre meus sapatos rapidamente e os arranquei, jogando-os longe sem nem me importar em ver onde. Desabotoei a calça e abri o zíper, sem desprender o olhar do dele, deslizando meus dedos pelo cós da calça, pronta para baixa-la, mas parando e o olhando ingenuamente.
— gemeu, frustrado com minha ação, e avançou em minha direção, com tanta rapidez que nem tive tempo de desviar. Seu braço circulou minha cintura com força, prensando-me contra seu corpo, enquanto seu olhar transparecia todo o desejo, feito fogo ardente, queimando seus olhos negros.
— Para que essa peça saia — murmurei, levando o olhar a minha calça. — Uma sua tem que sair...
Ele sorriu malicioso e levou seus lábios a minha orelha, mordendo o lóbulo e soprando sua respiração quente e pesada para arrepiar-me.
— Acho que mereço ter a chance de te despir eu mesmo ao menos uma vez — sussurrou com um tom rouco e terrivelmente sexy, fazendo-me até falhar as pernas. Com certeza, se seus braços não estivessem firmados em minha cintura agora, eu teria caído.
Lembrei-me de nossa primeira vez, onde eu já estava praticamente nua, apenas com uma simples lingerie. Realmente, além daquelas duas peças, Jake nunca me despira.
— Ok — sussurrei em resposta, levando minhas mãos à barra de sua camisa. — Desde que eu também tenha essa chance com você.
Ele sorriu malicioso e passou o braço por debaixo de minhas pernas, erguendo-me no colo e partindo até o banheiro, onde fechou a porta e me prensou contra a mesma, beijando-me com tanta fome e desejo, que lembrava nossos primeiros momentos selvagens incontroláveis antes de minha transformação em humana. Senti-me feliz com isso, podendo relembrar os velhos tempos.
Seus lábios eram investidos tão fortemente contra os meus, que eu não estava me aguentando em pé. Por sorte, suas mãos me sustentavam. Embora não se limitassem a apenas a isso. Gemi ao sentir seu aperto forte em meu seio e quase arranquei os cabelos de sua nuca com tudo que estava sentindo.
Levei minhas mãos novamente à barra de sua camisa e a ergui sobre sua cabeça, cortando o beijo apenas por alguns segundos. Jake desabotoou meu sutiã e o jogou pelo banheiro, começando a brincar com os mamilos de meu seio rígido. Antes que eu pudesse perceber, sua outra mão adentrou por minha calça, dentro de minha calcinha, e... me tocou. Gritei um alto gemido e arranhei suas costas com todas as forças que minhas unhas permitiam, enquanto ele penetrava seus dedos em mim e os contornava, fazendo movimentos provocantes e terríve... maravi... estupendamente prazerosos... droga, até meus pensamentos estão falhando.
Esse infeliz apelou para meu ponto mais sensível e começou a massagear meus clitóris, em movimentos circulares, lentamente, provocando-me de um modo que meus olhos reviravam e minha mente parecia querer perder os sentidos.
— Jake! — gemi. Eu queria repreende-lo por toda essa lentidão, força-lo a fazer movimentos mais rápidos, mas, por mais que tentasse, da minha boca só saía gemidos.
Sua boca se uniu a minha, para abafar um pouco meus gemidos, enquanto seus dedos gradativamente aumentavam o ritmo. Sua outra mão estava apertando meu seio de um modo tão feroz e forte – a cada gemido que eu soltava – que parecia que ele os espremeria feito limão para uma limonada. Porém, eu não podia negar o quanto gostava daquilo. Daquela agressividade, falta de controle. Tudo isso apenas me mostrava o quanto ele ficava insano e descontrolado com seu desejo por mim.
— OH JACOB! — gritei, com meu corpo tendo espasmos de prazer até chegar ao... ponto. Deus... Deus! Deus. O... que... foi... isso?
Ainda desnorteada, assisti incredulamente Jake levar seus dedos aos lábios e suga-los como se fossem a coisa mais deliciosa que já provou na vida. Ok. Podia parecer nojento, mas aquilo me estimulou muito... de uma forma louca.
Seus olhos, se é que é possível, enegreceram mais ainda de desejo e ele arrancou minhas calças de uma vez, jogando-a em qualquer canto do banheiro sem se importar onde, junto à pequenina calcinha rendada que uma vez Alice me dissera que deixaria Oliver louco. Ugh. Quem diabos é Oliver?
Sua cabeça abaixou-se de uma vez até o meio de minhas pernas e, antes que minha mente desnorteada pudesse compreender o que ele planejava fazer, já pude sentir sua língua úmida e quente me penetrando com voracidade. Gemi alto. Tão alto que pensei que toda a Reserva Quileute, as pessoas na praia de La Push, as pessoas na estrada e os Cullen na mansão, poderiam ouvir.
Agarrei os fios de seu cabelo e, inconscientemente, comecei a apertá-lo mais a minha feminilidade, forçando-o a tornar o ritmo e meu prazer cada vez mais intensos. Jake jogou minhas pernas sobre seus ombros e sugou-me mais fortemente, fazendo-me já sentir os espasmos prazerosos anunciando que meu ápice estava próximo.
— JAKE! — gritei a plenos pulmões, sentindo todos os meus sentidos falharem por um instante e minha mente quase apagar num desmaio, de tanto prazer que senti. Dito e feito. Não tardou nada para já ter meu segundo orgasmo.
Oh Deus... Jake quer me matar, só pode.
Antes que eu caísse com a fraqueza de minhas pernas, ele ergueu-se rapidamente e me pegou no colo novamente, encaminhando-nos até o chuveiro. Eu não estava mais consciente de nada, apenas me perguntava como ele estava se aguentando com aquela excitação.
Pelo visto ele é mais experiente do que eu imaginava.
Ele ligou o chuveiro e nos colocou em baixo dele, enquanto eu apenas me escorava em seu corpo, tentando recuperar minhas energias perdidas. Como pode, eu perder tanta energia sem ter feito nada? Afinal, só fiquei lá, parada e gemendo, enquanto ele fazia todo o trabalho.
Jake riu.
— Vamos! Reaja, — ronronou em meu ouvido, enquanto acariciava minhas curvas com movimentos sensuais, e eu grunhi, já me sentindo excitada de novo. Como ele conseguia ter tanto efeito em mim? — Você não vai me deixar na mão, vai pequena?
Recuperei minhas energias instantaneamente – eu só não sabia dizer se era por causa de minha parte inumana ou por simples e pura animação – e desci de seu colo. Abaixei meu olhar para seu corpo e ri baixinho ao perceber que ele não tirara a roupa nem mesmo embaixo do chuveiro, apenas para dar-me a chance que pedi.
Peguei o sabonete assim que o avistei e comecei a espalha-lo pelo peito musculoso de Jake, me deliciando à cada toque como se nunca o tivesse visto desnudo antes. Ele levou suas mãos aos meus seios, aproveitando que estavam bem próximos de suas mãos, e eu levei meus lábios ao seu pescoço, beijando-o e sugando, fazendo-o arfar levemente vez ou outra. Eu queria proporciona-lo o mesmo prazer, mas o infeliz não estava ajudando apertando meus seios fortemente toda vez que eu conseguia afetá-lo.
Desabotoei sua bermuda e abri o zíper, fazendo-a cair pesadamente sobre seus pés, por estar molhada. Ele parecia um pouco aliviado, por estar mais livre, então eu o ajudei ainda mais retirando a cueca, que quase não tinha espaço para todo aquele tamanho, e o segurando firmemente com ambas as mãos.
— grunhiu fracamente. — Não precisa fazer isso...
Sorri diabolicamente e acariciei seu membro, vendo-o se contorcer sensivelmente com o toque delicado.
— Parece que você quer que eu faça isso, Jake.
Ele escorou-se na parede azulejada e arfou baixinho, totalmente em conflito com o que me dizer, afinal, ele queria que eu fizesse aquilo, mas me respeitava o bastante para tentar me impedir – mesmo que apenas por alguns segundos. Respirei fundo. Ok. Jake será, provavelmente, meu parceiro da vida toda, não há porquê em hesitar fazer isso.
Comecei a estimulá-lo, acariciando-o e apertando fortemente – e meu fortemente, realmente é muito forte –, assistindo-o arfar frustrado... querendo mais. Ok Jake. Levei meus lábios ao seu membro ereto e pulsante e beijei delicadamente a cabeça, vendo Jake se contorcer como se tivesse levado um choque. Dei um sorriso malicioso, antes de abocanhar, o máximo que podia, seu membro e chupá-lo, enquanto minha mão fazia movimentos de vai e vem, aumentando o ritmo conforme aumentava a intensidade com que minha boca trabalhava. Ok, sempre achei isso extremamente repulsivo para uma garota fazer, por sempre ser certinha demais. Mas... Mesmo aparentando ser nova, já sou uma mulher. Tenho que passar por essas experiências. E quem melhor para passar por essas experiências comigo do que meu Jake? Além disso, é ótimo e extremamente satisfatório proporcionar prazer ao seu parceiro... vendo-o tão envolvido e entregue à suas caricias... sussurrando seu nome repetidas e repetidas vezes... delirando em prazer...
— Oh — Jake grunhiu alto e eu afastei minha cabeça, antes que ele gozasse.
Jake ergueu-me para ele e me pressionou contra a parede, fazendo-me estremecer com a estrutura gelada do azulejo. Mas o seu calor de lobo recompensava. Na verdade, nada importava com ele me beijando daquele jeito, me tocando daquele jeito que ninguém nunca me tocara – e nunca irá tocar, pois Jake sempre será o único.
De minha boca, seus lábios foram até meu pescoço e começou a suga-lo com força e desespero, enquanto uma de suas mãos apertava meu seio e a outra minha nádega esquerda. Levei meus lábios ao seu pescoço molhado também e, assim como ele, apertei sua nádega, rindo divertidamente de sua cara surpresa. Ué, ele pode e eu não? E a bunda dele é bem tentadora, em minha defesa.
Suas mãos vieram para ambas as minhas coxas e as levantou até que se encaixassem em sua cintura. E, após eu ter cruzado minhas pernas ao seu redor, para firmá-las, ele levou seus lábios aos meus seios e começou a suga-los com voracidade e fome. Oh... droga. Ele definitivamente quer me matar.
Senti seu membro, já ereto novamente, roçar em minha intimidade e gemi alto. Como ele já pode estar excitado de novo tão rápido?
E, sem aviso prévio, ele me penetrou. Rápido e forte, fazendo-me perder todo o ar dos pulmões e meus dedos dos pés se retorcerem de prazer. Seus movimentos eram muito mais selvagens agora. Sempre investindo com força e rapidez, apertando minha cintura e sugando meus lábios à cada entra e sai. Ajudei algumas vezes, movendo meus quadris, mas as investidas dele estavam tão... intensas que eu não conseguia sequer racionalizar, quanto mais me mover. A única coisa que eu era capaz de fazer, era gritar altos gemidos e deixar suas costas em carne viva com minhas unhas de aço.
— OH MY GOD, JAKE! — gritei, já sentindo o orgasmo próximo. — Você vai me matar!
— OH !
Estremeci e amoleci em seus braços, sentindo chegar ao ápice pela terceira vez no dia. Nossa, eu tenho muita sorte por ter na minha vida um cara tão gostoso e bom de cama – apesar da gente nunca ter usado uma – como o Jake. Ele teve seu orgasmo um pouco depois e logo escorou seu corpo no meu, cansado. Fazendo com que um choque percorresse meu corpo ao encostar de nossos peitos desnudos. Na verdade, qualquer tipo de contato, com aquela pele quente e avermelhada, já me causava choques elétricos por todo o corpo numa intensidade tão grande, que eu poderia ser a fonte de energia de uma cidade.
Demorou algum tempo até que nossas respirações se normalizassem e nossas energias se restaurassem, então resolvemos parar de desperdiçar tanta água e terminamos de vez nosso banho – se continuarmos assim, a água do planeta vai acabar antes do aquecimento global.
Nós ensaboávamos um ao outro, riamos, provocávamos, beijávamos, mas só chegamos a voltar a fazer tudo aquilo de novo, quando chegamos ao seu quarto. E continuamos assim até escurecer, pois ambos nos recuperávamos rapidamente e logo já estávamos dispostos à mais um round. Por sorte a família de Jake não chegara em nenhum desses momentos, então aproveitamos muito sua cama de casal – que ocupava quase todo o quarto.
Então, enfim, adormecemos abraçados, sentindo o calor de nossos corpos se misturarem e o cheiro um do outro cravado, impregnado, em nossos corpos suados – mesmo após o banho – e exaustos de uma tarde cheia de amor.
Se eu soubesse que seria assim morar com Jake, teria vindo pra cá à muito tempo.

N/A: Helloooo povenho querido que amo tanto!! E aí, o que acharam do capítulo??? Para a surpresa (espanto) de muitos, não o achei ruim (aleluiaaaa). Quer dizer, só estou um pouco envergonhada com tudo que escrevi, pois é a primeira vez que escrevo algo tão pervo. Ok, gente, pode não parecer, mas eu sou uma garota bem tímida, ok? Kkkk Mas realmente espero que tenham gostado. Se tiver faltando alguma coisa, algum detalhe, ou se tiverem alguma sugestão podem me dizer, pois ainda estou me aperfeiçoando nessa área, então toda critica construtiva será muito bem vinda.
Ah, mudando de assunto, o que acharam do suspense no início do capítulo? E do ciúmes do Jake? Kkk Sério gente, se preparem para muitas crises de ciúmes (de ambos), pois, como vocês me conhecem, eu adoro acrescentar humor à fic, então terá muitas brigas do gênero mais pra frente kkkk
E quanto aos palpites?? Alguém aí faz ideia do que pode ser essa grande ameaça que o Guia não quer revelar? E, sim, o nome dele vai voltar a ser Guia kkkk Não por eu não ter gostado de Alexander (por que eu realmente ADOREI), mas pq estava previsto isso mesmo. A PP já se acostumou a chama-lo assim, eu já me acostumei, acho q vcs tbm... então ficaria estranho dar um nome assim do nada. Espero que entendam. :B

Agora, liberando um pouquinho de spoiler... bom, nem é spoiler... Enfim! Os próximos capítulos serão mais descontraídos. Ela vai passar a conhecer um pouquinho a vida de Jake e passar a se envolver emocionalmente com as pessoas que conhecer nesse meio fofinho que é a Reserva Quileute. Então se preparem! Haha Mas provavelmente será tudo num capítulo só, pois não estou mais postando capítulos curtos... enfim, não sei. Vamos esperar pra ver.

Agora, despeço-me aqui, deixando um grande beijão às minhas leitoras lindas: Myh, Manuelza, Jess, BinhaBlack, Nannah Andrade, Baby Suh, Clau, Déh, Adriana MB, Luh, Vivi Black Cullen, Karol, Raquel, Lucy, Pamy.
E as lindas que saíram da listinha do castigo (kkkk): Clarisse e Agatha! Sejam re-bem-vindas, flores!!!

Agora a listinha do castigo para as leitoras que estão sem comentar a mais de dois capítulos (sim, vai ter essa gora xP kkk):
Alana G., Lari, NatyPe$ty, Gina, Nathalia, Naná Godoy, Thammy, Gabi, Gui, Juh Black, Crys, star>clair!!, Leandra, Thais, Gabhy, Deia, Beatriz, Luiza Rubin, Jully, Stéfane, Lohanne Rocha, Marianna, Ciça, Ingrid Sales, Gabriela, Bruna Abreu, Chessy e Mitchie Waldorf.
Flores, apareçam nem que seja com um “oi, estou acompanhando” ou “não pude comentar antes por coisa e talz” que já me deixará feliz por saber que estão acompanhando, ok? E para aquelas que escrevem pouquinho nos comentários, não se sintam intimidadas com os comentários enormes das meninas aqui em baixo kkkkk eu AMO todos os comentários, ok? Não importa se é curto, cumprido, o importante é demonstrar se estão gostando do rumo da história ou não. Beleza?

É isso, gente! Até a próxima ;*



42. Um Pouco de Distração


O eco de meus passos pelo piso molhado era o único som audível naquele lugar obscuro e indecifrável. Uma energia ruim apossou-se de repente de meu corpo e isso, somado ao arrepio sombrio seguinte, me fez tomar consciência de que havia algo maligno ali – oculto aos meus olhos – algo perigoso, mesmo que nada tenha me acontecido até agora. Minha respiração estava cortante e meu coração acelerava a cada pisar de meus pés sobre o chão húmido, mas nada disso me impedia de continuar. Havia uma ansiedade latente dentro de mim, que me forçava a descobrir de uma vez por todas o que tudo aquilo significava, o que aquele lugar reservava a mim.
A claridade opaca e rala, originada de um lugar que eu não poderia sequer deduzir qual era, era a única coisa que me orientava no caminho à frente – nos passos ansiosos e, ao mesmo tempo, temerosos que meus pés davam em direção a um corredor escuro e vazio. Até que um sussurro sibilante soprou contra meus ouvidos, envolvendo minha mente feito uma melodia sinistra e hipnotizante.
Era como um chamado... Um desafio.
E mesmo tendo noção do quão perigoso e imprudente aquilo poderia ser, o que aquele desafio notório poderia me levar a fazer – ou receber como consequência –, tudo que fiz foi ignorar a pequena voz – quase inexistente de tão imperceptível – em minha mente, que me alertava a retornar, e fechar os punhos fortemente ao lado de meu corpo. Com uma determinação e preparação tão grande em minha essência espírita, que me impediu de sentir qualquer onda de medo.
— Você realmente está preparada para nos enfrentar? ...Tem certeza? — o sussurro se tornou mais audível, com ecos, mesmo cortante e sibilante, deixando-me perceber o tom zombeteiro e sarcástico por trás de cada palavra. — As coisas estão fluindo exatamente como planejamos, escolhida... Seria mais sensato diminuir um pouco dessa confiança absurda e se entregar ao fato de que não haverá nada que poderá fazer contra nós.
Meus passos se cessaram, mas minha postura não mudou. A confiança e determinação não me abandonavam, pelo contrário, apenas me ajudavam a enfrentar a situação com uma calma surpreendente e inesperada.
— Por que não termina com esse joguinho ridículo e se revela a mim? — inqueri, desafiando o ser que não podia ver, assim como me desafiara anteriormente. — Por que não terminamos com tudo isso de uma vez?
— Oh — um riso grotesco soprou no ar. — Tudo tem o seu momento, escolhida. Pra quê a pressa? Todo o tempo que estamos lhe dando servirá a seu favor, não?
Encolhi os ombros, disposta a ignorar a provocação e tentar retirar alguma informação do ser. Algo que me ajudasse a compreender com o que estou lidando.
— É você que está controlando meus pesadelos, não é? — perguntei, a ideia surgindo em minha mente num segundo e ganhando sentido no outro. — Tentando me forçar a acreditar que meus verdadeiros inimigos eram os Volturi.
Um ar gélido soprou contra meu rosto em resposta.
— Pelo visto é mais inteligente do que deduzi... Mas acredita mesmo que este clã esquecerá suas desavenças apenas por que você ganhou um novo inimigo, escolhida?
Prendi a respiração, mas tentei não demonstrar o quanto isso me abalou. Já era difícil o bastante digerir que havia um inimigo poderoso que talvez eu nem seja capaz de vencer... Unir os Volturi à essa briga apenas tornaria tudo pior.
— Quem é você? — perguntei impaciente, mesmo tentando impedir o descontrole dominar minhas ações. Eu precisava ser cautelosa. Muito cautelosa. — O que é você?
— Acho que chegamos ao ponto — mais uma vez a risada maligna contornou o lugar com sua presença agoniante e tenebrosa. — Mas perderia a graça revelar as coisas assim. Até por que, estou curioso para saber como irá descobrir.
— Apareça! — rosnei, perdendo todo o controle que havia reunido no início. — Se revele! Agora!
— Se eu pudesse fazer algo mais do que controlar seus sonhos, escolhida... Acredite. Você já estaria morta. Assim como sempre desejei — senti meu rosto perder a cor, mas tentei não demonstrar o medo que, apenas por alguns segundos, me dominara. — Mas não se preocupe. O momento que espero está chegando mais rápido do que qualquer um poderia imaginar... E logo terei a chance de finalmente cumprir meu desejo. Nosso desejo...
Antes que eu pudesse compreender melhor suas palavras, uma fumaça negra e densa surgiu no início do corredor e me encontrou rápida e fortemente, lançando-me para longe e sufocando meus pulmões com uma queimação insuportável.
Arquejei o corpo com um arfar alto e aterrorizado e comecei a tossir, aderindo o oxigênio, puro e limpo, em meus pulmões antes ardentes. Levantei o rosto para enxergar onde me encontrava e suspirei aliviada ao perceber que estava no campo de treinamento, com o Guia agachando-se ao meu lado com um olhar preocupado e temeroso.
Ainda recuperando-me do choque que o pesadelo me causara, não pude notar com precisão a observação sinuosa e culpada do Guia sobre mim.
— Desculpe — murmurou ressentido e pegando-me de surpresa. — Se eu soubesse a fonte de seus pesadelos, nunca teria deixado que os tivesse. Apenas permiti isso, pois pensei que fossem tipos de visões que pudessem nos avisar o que os Volturi planejavam. Afinal, mesmo não sendo os mais importantes, eles ainda são nossos inimigos.
— O que são eles? — exigi, com fúria, sem nem mesmo me importar com o que ele dizia. Nem me importar em especificar minha pergunta, pois tinha a absoluta certeza de que ele não precisaria se esforçar nem um pouco para compreender. — Quem é o ser que quer tanto me destruir? E por quê?
Seu olhar escureceu e seus lábios ficaram numa linha reta e rígida, numa expressão séria que eu não estava acostumada a ver.
— Sei o quanto isso te perturbou, sei que agora ficará mais determinada em descobrir... Mas eu te imploro, . Siga o plano. Não pense, não se foque nisso. Preciso de sua mente limpa. Se der a brecha que eles precisam pra entrar em seus pensamentos, será muito perigoso. Para todos.
Suspiro e fecho os olhos, tentando fazer a confiança que tenho nele ser maior que a fúria e a curiosidade – que me atormenta a cada segundo mais.
— Tudo bem — balanço a cabeça, numa confirmação leve, e abro os olhos. — Não vou pensar mais nisso... Ou pelo menos tentar. Mas você precisa fazer alguma coisa quanto a esses pesadelos! Se ele sempre puder entrar na minha mente assim, não haverá modo de impedir: ficarei obcecada com isso.
— Eu vou tentar — garantiu. — Mas não posso afirmar com toda a certeza de que funcionará, pois agora que sei a origem... agora que encontraram uma forma de te alcançar... talvez tenha lhes dado força suficiente para não serem impedidos.
— Mas... — desesperei-me. — O que eu faço então? O que irá acontecer?
Ele me olhou por alguns instantes, pensativo.
— Já sei o que tenho que fazer — murmurou decidido, mas como se falasse para si mesmo. — Temos que treinar sua mente. Será o único treinamento de hoje. Precisamos que dê certo, então terá que se dedicar ao máximo. Precisa fortalecer seus pensamentos, ser capaz de bloqueá-los e se conectar melhor ao seu espirito com isso. Entendeu ?
Assenti, aderindo uma postura firme e determinada, enquanto me erguia sobre meus pés e esperava sua ordem. Disposta a ouvi-lo. Disposta a aprender tudo que fosse me ensinar com toda a determinação possível, com toda a seriedade que meu “cargo”, como escolhida, exigia.
Os olhos do Guia cintilaram numa satisfação mórbida e um sorriso orgulhoso preencheu sua face, antes que começasse o treinamento e instruísse o que eu devia fazer.
E, então, comecei a ouvi-lo atentamente e fazer tudo com precisão. Enfim assumindo toda a responsabilidade que me foi dada.
Abri os olhos. De relance não reconheci o lugar onde estava, mas bastaram apenas alguns segundos para que me desse conta de que não estava no meu quarto na mansão, e sim no de Jake, na sua casa, deitada em sua cama e com seus braços envolvendo minha cintura num contorno delicado e firme.
— Bom dia — sussurrou ele, percebendo meu despertar, enquanto inclinava-se um pouco para beijar meu pescoço com seus lábios quentes e macios, que inevitavelmente causavam choques prazerosos por todo meu corpo.
Fechei os olhos e não respondi de imediato, apenas aproveitando a sensação de seus beijos subindo por minha jugular lenta e prazerosamente.
— Como foi o treinamento? — perguntou, quando seus lábios chegaram ao meu ouvido, aproveitando para pegar o lóbulo entre seus dentes numa provocação com resultados imediatos.
Suspirei, abrindo os olhos e me virando de encontro a seu corpo, levando minha mão à sua nuca num carinho delicado e inconsciente – que ele parecia amar.
Pensando no que poderia lhe responder, comecei a lembrar do treinamento que tive no sonho de hoje, e o quanto ele fora difícil. Durante todo o tempo, apenas fiquei fazendo um terrível esforço mental para aprender a bloquear meus pensamentos. Esforcei-me ao máximo, e até consegui bons resultados, mas o Guia deixara claro de que as lições mentais não terminariam somente nisso, e que eu precisava desenvolvê-las rapidamente.
— Hoje foi mais difícil, mas tudo correu bem. Tenho muitas coisas para aprender ainda, mas ele optou por ensinar uma coisa de cada vez — disse, ocultando a parte do pesadelo. Pois não queria, e nem podia, me lembrar daquilo. Além de que também não podia contar a ele.
Ele resmungou em concordância e ficou em silêncio, apenas passando sua mão por minha cintura, num carinho inconsciente e agradável. Fechei os olhos e pensei no quanto gostaria de parar o tempo e permanecer ali para sempre.
— Há algo de diferente em você — murmurou, fazendo-me abrir os olhos e encarar os seus, com suas íris escuras que pareciam levar-me à um intenso mar negro e me deixar submersa em suas emoções transparecidas.
— O que? — perguntei finalmente, franzindo levemente o cenho.
— Seu olhar mudou — murmurou incerto. — Não sei... Parece um olhar mais sério. Firme e determinado. Como se você tivesse mudado a forma de ver as coisas.
Encarei-o surpresa e desprendi qualquer foco de meu olhar, percebendo a verdade de suas palavras. Sim, finalmente eu havia assumido toda a responsabilidade com a seriedade que o Guia me cobrava desde o início. Finalmente parei de brincar, de levar tudo na boa e ignorar o quanto as coisas seriam difíceis e perigosas. Definitivamente, uma parte mais madura havia despertado em mim. Eu só não fazia ideia que Jacob notaria tão rapidamente assim.
Poupando-me de palavras, apenas deixei que pudesse enxergar meus pensamentos, entender o que acontecia por ele mesmo. Ver o que eu sentia, o que realmente havia mudado em mim. E, por fim, quando terminei, ele apenas permaneceu em silêncio e acariciou minha face, com um olhar tão admirado e orgulhoso, que me deixou estranhamente sem jeito.
Ele sorriu levemente, prestes a me dizer algo, mas se interrompeu, antes mesmo que falasse algo, ao soar do ronco leve de meu estômago clamando por algum alimento. Droga. Por que meu apetite teve que mudar desde que voltei a ser humana?
Ele riu.
— Venha, vamos tomar café — puxou-me para levantar e eu apertei o lençol ao corpo, dando-me conta de minha nudez. Não que eu estivesse com vergonha dele, mas sim de quem pudesse estar por trás da pequena porta de madeira de seu quarto.
Ele encarou-me confuso, ao perceber minha relutância.
— Não está com fome? — perguntou insinuante, sabendo a resposta, mas provocando.
— Não é isso, idiota — corei. — Como quer me puxar para fora do quarto, comigo desse jeito?
Ele desceu seu olhar por meu corpo coberto apenas por um fino e transparente – à sua visão avançada – lençol e deu um sorriso malicioso. Rolei os olhos, mas não podia repreendê-lo, já que também deixava – algumas vezes! – meu olhar pervertido rolar por seu corpo perfeitamente definido e cheio de músculos – apenas impedido de estar nu, por uma simples samba-canção azul.
— Tudo bem — assentiu, recolhendo minha pequenina calcinha, sobre uma cadeira, e sua enorme camiseta. Esticou o braço em minha direção e esperou que eu pegasse. — Vista. Isso basta.
Encarei a roupa, pousada em sua mão esticada, incredulamente, enquanto calculava o quanto aquilo cobriria. Tudo bem que Jake era grande e, consequentemente, sua camisa também, mas mesmo que ela ficasse cumprida em mim, ainda seria um minivestido.
— Eu não vou por isso — disse descrente, olhando-o como se fosse louco. — Me dê minha mochila, lá estará a roupa que precisarei.
Ele rolou os olhos e veio até mim rapidamente. Antes que eu pudesse me dar conta, ele puxou o lençol, que eu mantinha apertado contra o corpo, para longe e passou sua camiseta sobre minha cabeça, vestindo-me tão rápido que nem tive chances de impedi-lo. E quando abri a boca para reclamar, ele ergueu-me em seu colo apenas com uma mão e, com a outra, vestiu-me a calcinha, com o olhar desejoso cruzando em sua face, mas sumindo ao se dar conta que eu estava brava e prestes a gritar.
— Jacob Bla...
Mas, novamente, antes que eu pudesse sequer começar meus sermões, ele jogou-me sobre o ombro e saiu porta a fora, levando-nos a cozinha na velocidade da luz. Colocou-me sobre a cadeira e procurou algo para fazer, ignorando a fúria que me causara como se fosse a coisa mais insignificante do mundo.
— JACOB! — gritei, sem me dar conta que essa não era minha casa e que poderia estar chamando atenção de algum parente dele para minha forma seminua.
— Relaxa — ele riu maroto. — Estamos sozinhos.
Minha fúria se dissipou no mesmo instante e eu me acalmei, suspirando com alivio. Deus, ele me faz parecer bipolar desse jeito.
— E onde eles estão?
— Rachel dormiu na casa de Paul — murmurou com desagrado, fazendo-me perceber que eu não era a única que tinha irmãos super-protetores. — E meu pai chegou ontem à noite, mas já saiu para pescar com Charlie.
— Espera! Charlie? Pai da Bella?
Ele deu de ombros.
— É, eles são velhos amigos.
Oh, é verdade.
— Eu falei a ele sobre você — arregalei os olhos, mas ele não pode ver, pois ainda estava fuçando ora os armários ora a geladeira. — Não era como se não pudesse falar, sendo que foi a primeira coisa que ele exigiu que eu explicasse assim que me encontrou.
— E?
— E ele entendeu perfeitamente. Como um ancião da tribo, ele conhece a “magia” inexplicável que possui o imprint. E está feliz por mim, por eu ter encontrado a felicidade.
Um sorriso bobo nasceu em minha face, mas eu o escondi antes que ele pudesse ver.
— E você encontrou mesmo a felicidade? — perguntei timidamente, abaixando os olhos.
Ele parou de fuçar nos armários e me encarou. Primeiro bravo, mas depois, ao ver minha rara timidez, ficou calmo, tranquilo e sorrindo um sorriso torto e divertido.
— Ainda tem dúvidas?
— É... — murmurei incerta.
Ele sorriu e seus olhos adquiriram um brilho apaixonante que me hipnotizou instantaneamente.
— Estou feliz por finalmente estarmos juntos, . Radiante, pra ser exato. Achei que já estivesse óbvio.
Corei, começando a me sentir estupida com tanta timidez, mas correspondi seu sorriso do modo mais verdadeiro possível, embora eu sempre me sinta desconfortável com qualquer tipo de romantismo.
— Eu vou... lavar o rosto — levantei-me da cadeira, sentindo-me envergonhada com aquela situação. Ele deu de ombros, entendendo minha reação por já conhecer meu jeito estranho. — Onde deixou minha mochila?
— Lá na sala — respondeu, antes de voltar ao que fazia. E, só então, me dei conta de que sempre tinha alguém cozinhando pra mim desde que fui “trazida à vida”. Eu nunca fazia nada! Ugh. Tenho que mudar isso, antes que me acostume.
Caminhei até a sala e procurei a mochila com os olhos, enxergando-a largada no sofá. Corri até lá e a abri, procurando minha escova de dentes e uma roupa melhor para vestir. Mas havia tanta roupa acumulada ali dentro, que me atrapalhei um pouco e várias coisas caíram no chão, pro lado do encosto direito do sofá. Debrucei-me sobre o encosto e abaixei-me para pegar, inclinando-me de um modo ligeira e ingenuamente insinuante. Quando capturei metade das coisas que caíram, ouvi passos se aproximando e... entrando na casa... Pela porta na qual aquela parte de meu corpo estava apontada...
Virei-me para ver quem era e assustei-me ao me dar de cara com Seth e mais dois garotos da matilha, completamente abobalhados e surpresos ao me verem – embora não estivessem olhando para meu rosto. Arregalei os olhos e me dei conta da posição em que estava... da calcinha minúscula que estou usando... e do quanto eles deviam ter visto. Eu. Vou. Matar. O. Jake.
Saí da posição em que estava instantaneamente e fiquei de joelhos sobre o sofá.
— Er... Oi. — Seth disse, desconfortável e visivelmente nervoso, tentando não olhar para minhas pernas desnudas. — O Jake está aí?
Assenti exageradamente, sentindo o rosto ferver feito lava flamejante. Mudei-me de posição de novo rapidamente e sentei no sofá, puxando as pequenas almofadas para cobrirem minhas coxas.
Não demorou muito para que Jake surgisse na sala, eu só não sabia afirmar se ele aparecera por tê-los ouvido, ou pela tensão e desconforto irradiando de meu corpo para o seu. E quando sua figura adentrou o pequeno cômodo, a tensão apenas aumentou, pois Jake começava a entender o que acontecia e parecia não gostar nada, nada, do que estava deduzindo. Afinal, aqueles moleques cheios de músculos nem sequer conseguiam disfarçar o medo e a excitação que estavam sentindo!
Os dois que acompanhavam Seth, engoliam em seco o tempo todo, enquanto pressionavam as mãos por cima da bermuda... escondendo o que eu lhes causei com toda aquela exposição. Droga. Alguém cava um buraco pra eu me enterrar?
Jake travou o maxilar e postou uma carranca no rosto, fazendo-os sentirem mais medo e desconforto. Eu até tentaria resolver a situação, diminuir a tensão, como sempre faço, mas já que aquilo foi tudo culpa minha, e eu ainda estava morrendo de vergonha... melhor deixar que eles se resolvam sozinhos. Peguei a mochila e corri na velocidade de um raio até o quarto, fechando a porta e voltando a procurar a maldita escova de dentes, embora ainda estivesse com os ouvidos na sala.
— E, então, o que querem? — ouvi a voz de Jacob dizer e notei o quanto ele parecia ríspido. Rolei os olhos. Céus, como ele é ciumento... Apesar de que tem motivos para ser. — E por que vocês dois estão aqui?
— V-v-viemos... t-trazer... — gaguejou um dos garotos. — t-trazer...
— Uma mensagem do Sam — Seth terminou. — Sam os enviou, e já que me encontraram perto daqui eu decidi vir junto.
Ouvi um bufar e deduzi que seria de Jake.
— Claro, com essa sua curiosidade, não aguentaria esperar nenhum segundo para saber o que é — ele zombou e Seth riu, fazendo-me suspirar aliviada por perceber que o clima tenso diminuiu um pouco. Bem, eu acho.
— Mas, então, o que é? — exigiu Jake, voltando ao tom sério e assustador.
— E-Ele marcou uma reunião — disse uma voz, ainda amedrontada.
— Todos estarão lá — completou o outro. — Os anciões, a nossa matilha... e ele exige que a sua esteja lá também.
— Ele exige? — Jake ironizou, mas eu tinha certeza de que ele não queria desafiar Sam, e sim apavorar mais os garotos.
— N-Não! Quer dizer, e-ele... Apenas quer que esteja lá, só isso! Não disse o que é, mas precisa que você esteja lá.
— Ok. Onde e quando?
— Na praia, daqui uma hora.
— E meu pai já sabe?
— Não... Pensamos que ele estaria aqui.
— Não se preocupe, Jake, eu me encarrego de avisar seu pai — disse Seth. — Charlie e ele já devem estar voltando da pesca e eles irão direto lá pra casa.
— Tudo bem, avise aos outros também. e eu estaremos lá quando for a hora.
What? Eu ouvi direito? Perguntei-lhe mentalmente, mas não obtive resposta.
? — indagou Seth, surpreso.
— A garota vai?! — gritaram os dois garotos que eu não conhecia, em uníssono.
— Claro. Por quê? Algum problema?
Bem, sim! O fato de você não ter falado nada comigo antes! Bronqueei.
— NÃO! — ouvi a voz dos três se misturarem, gritando em uníssono. É impressão minha ou eles querem que eu vá?
JAKE! Por que não me responde, seu infeliz? Gritei em seus pensamentos.
Ah, relaxa. Será uma boa oportunidade para você já conhecer todo mundo. E não me venha com essa de não estar preparada, você não é garota de se intimidar.
Revirei os olhos e concordei relutante. Tudo bem.
— Ok... — disse Jake, desconfiado. — Bom, eu tenho coisas para fazer enquanto isso. Se não se importam...
Eu podia até visualiza-lo em minha mente agora, com seu sorriso irônico, apontando para a porta enquanto os expulsa sutilmente.
— Ta. Até daqui a pouco, Jake — disse Seth.
— Tchau — murmuraram os outros dois, novamente em conjunto, saindo apressados pela porta, enquanto murmuravam entre si o quanto Jake tinha sorte. Ok... não entendi.
Logo pude ouvir os passos de Seth os alcançarem e os murmúrios deles aumentando enquanto comentavam o quanto aquela situação foi constrangedora, mas o quanto valeu a pena.
Não sei, mas se eu pude ouvir, então... Alguém vai ficar muito ciumento hoje.
Assim que terminei de lavar o rosto e colocar a roupa que escolhi – um short, uma blusinha decotada e um par de tênis – fui até a cozinha encontrar Jake, que comia em silêncio e claramente ignorando minha presença. Fui até o café e o pão que me esperavam na mesa e comi tudo, fingindo não estar nem um pouco abalada com sua indiferença. Até que ele não aguentou mais.
— Ok! O que exatamente aconteceu naquela sala? — exigiu, bravo e enciumado.
Corei, lembrando-me da cena, mas apenas continuei mastigando tranquilamente o pão.
!!
Suspirei.
— Eles apenas viram o que não deviam. E não tente me culpar, pois a culpa é toda sua.
— O que eles viram? — estreitou os olhos, reagindo como se nem tivesse ouvido o resto da frase, como se o começo dela fosse o suficiente para desliga-lo da atenção.
— Não importa! — sibilei, corando novamente. Oh droga, por que ele teve que falar sobre isso? Nunca passei tanta vergonha na minha vida.
— É claro que importa! — gritou, batendo as mãos em punhos na mesa, mas respirando profundamente em seguida para acalmar-se. — Você não ouviu o que disseram lá fora? Que foi constrangedor, mas valeu a pena?
Rolei os olhos.
— Jake, pare de ser obsessivo desse jeito, ok? Já passou. Não sei se notou, mas eles te temem o suficiente para não se aproximarem de mim, então não há por que continuar com todo esse ciúme! Até por que, tudo o que eles viram foi por causa da sua escolha de roupas pra mim!
Ele suspirou, se rendendo e acalmando. Mas quando pensei que tinha encerrado o assunto, ele voltou a perguntar:
— O que eles viram?
Grunhi frustrada e bati as mãos na mesa. Ok, ele conseguiu me irritar.
— Eu estava inclinada para pegar minhas coisas que caíram do outro lado do sofá, então eles me viram de quatro! Satisfeito?! E considerando minha falta de roupa, e essa calcinha minúscula, acho que o que viram foi mais do que suficiente para me matar de vergonha pelo resto da vida, então vamos mudar de assunto antes que eu arrebente sua cara.
Ele bufou furioso e recostou-se na cadeira, controlando-se para não gritar, sabendo que só tornaria a situação pior, já que não havia culpados por ser apenas um mal entendido e não algo intencional.
— Tudo bem — suspirou relutantemente. — Não vamos mais falar sobre isso.
Sorri em resposta e voltei ao meu café, comendo todo o resto com avidez e pedindo mais alguma coisa à Jake para cobrir totalmente minha fome. É, pelo visto meu apetite de agora não vai diminuir.
Após terminarmos o café da manhã, Jake fora se vestir e eu o acompanhara para procurar uma presilha na mochila, incomodando-me com todas aquelas mechas cumpridas caindo por meu rosto. Não me lembrava de minha franja ter crescido tão rápido alguma vez.
Infelizmente, não consegui achar nada que pudesse prender meu cabelo, então apenas coloquei minha mochila sobre a cadeira e me virei para Jake, mas não exatamente para ele, e sim em sua direção. Direção essa que me chamara a atenção, por conter um enorme espelho de corpo inteiro.
Aproximei-me para enxergar meu reflexo e notei surpresa o quanto meu corpo havia mudado. Quer dizer... Evoluído. Eu estava visivelmente mais alta, com alguns músculos pequenos espalhados pelo corpo, dando-me o perfeito perfil de atleta. Além de que minhas curvas estavam mais acentuadas, muito mais definidas e perfeitas. O quadril estava mais alargado, a cintura mais fina, as pernas mais torneadas, as coxas mais grossas e os seios mais cheios e empinados. Definitivamente, meu corpo estava de dar inveja. Não me admira por que os garotos aprovaram tanto.
E não bastasse toda essa mudança repentina, pude notar o quanto meu cabelo estava mais cumprido, pois antes seu cumprimento vinha até os ombros, mas agora chegava a passar da cintura. E minhas unhas também estavam mais cumpridas – mostrando o porquê de Jake ter tantas marcas profundas nas costas. Bem... Parece que estou me desenvolvendo mais rapidamente do que quando era uma humana normal...
Mas por que raios estou me desenvolvendo mais rapidamente??? Eu vou ficar velha mais rápido, é isso? Eu logo me tornarei uma velhote enquanto Jake continua com esse rosto jovial e lindo? Ah, mas eu vou interrogar o Guia assim que encontra-lo, pois não vou correr riscos de ter uma vida curta e ele VAI me garantir que isso não acontecerá nem que tenha que mover o curso da natureza!
— O que você tem? — Jake perguntou, aproximando-se de meu corpo paralisado frente ao espelho. Digamos que minha expressão agora era, no mínimo, aterrorizada.
— Jake — virei-me para ele, ficando à sua frente com as mãos na cintura. — Acha que estou mudada?
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Mudada como?
— Estou mais velha? — exigi, indicando meu corpo.
Sem entender muito bem, ele percorreu seu olhar lentamente por meu corpo, com um olhar tão intenso que parecia estar me despindo, e logo retornou seus olhos aos meus.
— E então? — exigi novamente. — Estou mudada?
— Sim — sorriu maliciosamente. — Está mais gostosa.
Revirei os olhos e tentei ignorar o arrepio que se alastrou por cada centímetro de minha pele com suas palavras.
— Não acha que isso aconteceu muito rápido? — tentei novamente, mas ele não me ouvia. Seu olhar estava fixo no meu, enquanto caminhava lentamente para fechar a distância de nossos corpos. — Jake, estou falando com você!
— Por que isso importa? — murmurou, ainda aproximando-se.
— Acorda! Estou envelhecendo rapidamente! E se essa evolução acelerada não parar?
— Ah, por favor! Nós dois sabemos que há muitas probabilidades de você ser imortal. De ter a juventude eterna.
— Argh! — grunhi frustrada. — Se eu estou mudando, é por que não estou paralisada no tempo! Estou mudando, envelhecendo!
Droga, quer parar com isso? Está até parecendo a Bella com toda essa cisma de idade.
— Não é cisma! É pura preocupação comigo mesma. E se eu tiver uma vida curta?
Ele me alcançou e passou seus braços por minha cintura, apertando meu corpo ao seu.
— Pare de se preocupar tanto — sussurrou, levando seus lábios ao meu pescoço. Droga, sempre perco a noção das coisas quando ele faz isso.
— Mas esse desenvolvimento... Ele pode significar...
— Que você está cada vez mais gostosa — murmurou roucamente, descendo suas mãos por minhas curvas como que para enfatizar o que dizia. — Coisa com a qual não me oponho nem um pouco.
Revirei os olhos.
— Jake, é sério...
— Ah, esqueça isso — resmungou, pondo sua face diante da minha, com nossos lábios próximos o suficiente para sentirmos a respiração um do outro, e próximo o suficiente para nos instigar a quebrar a curta distância. — Deixe que o tempo traga a resposta. Do que adiantará ficar pensando em perguntas que não há como responder?
Encarei seu rosto por alguns instantes, entendendo.
— Você está certo — murmurei, assentindo com a cabeça como que para convencer a mim mesma disso.
Ele sorriu convencido, mas não lhe dei chances de falar nada, apenas enrosquei meus dedos nos cabelos de sua nuca e inclinei-me nas pontas dos pés para capturar seus lábios com os meus. O simples toque fez com que eu esquecesse todos os problemas e me rendesse à sensação extasiante de seu beijo doce e quente.
Ele apertou nossos corpos um contra o outro e aumentou o ritmo do beijo, deixando-o terrivelmente ardente e prazeroso, mas quando seus dedos tocaram a pele abaixo de meus seios, sob a camisa, eu interrompi o beijo e empurrei sua mão.
— Acho que é melhor acabarmos por aqui — murmurei ofegante, ainda sentindo sua respiração quente e cortante soprando contra meus lábios e trazendo o aroma doce de hortelã que me impulsionava a voltar a beijá-lo. — Afinal, temos um lugar pra ir.
Ele fez biquinho e olhou-me com olhinhos brilhantes ao estilo de cachorrinho que caiu da mudança.
— Ah não — resmunguei, virando o rosto para não me render. — Pare com isso.
Ele aproveitou meu movimento e levou seus lábios ao meu pescoço novamente, dando beijos molhados e mordidinhas leves. Eu deixei que ele continuasse e aproveitei o momento, mas, quando ele começou a usar a língua, sugando e deixando rastros húmidos, ardentes e prazerosos, eu o empurrei novamente e, dessa vez, afastei-me.
— É sério, Jake — resmunguei, ajeitando minha roupa. — Já passou uma hora, todo mundo já deve estar lá. Não quero causar má impressão chegando atrasada.
Ele revirou os olhos.
— Ok, você já está pronta?
Virei-me novamente para o espelho para checar se estava apresentável, e soltei um gritinho ao enxergar uma mancha vermelha em meu pescoço.
— Ahh! Olha só o que você fez! — gritei, furiosa. — E agora? Como vou até lá com essa marca enorme? Seu inexperiente!
Ele fechou a cara.
— Inexperiente nada, eu só me empolguei! E larga de frescura, é só fazer o que vocês garotas fazem e cobrir.
— Eu não tenho maquiagem aqui comigo! Principalmente da que preciso, por que minha pele nunca teve um defeito que precisasse ser escondido para que eu precisasse compra-la!
— Relaxa. É provável que daqui a pouco suma. Você se cura rápido, esqueceu?
Bufei e peguei uma blusa de frio na mochila. Vesti-a, deixando-a aberta e com as golas levantadas para cobrir a marca e o encarei, evitando bufar novamente – para não fazê-lo me chamar de égua.
Jake arqueou uma sobrancelha, enquanto analisava minha vestimenta e trincava os dentes. Saí de meu devaneio momentâneo e o encarei com o cenho franzido.
— O que foi? — resmunguei.
— Não acha que esse short está muito curto?
Revirei os olhos.
— Ok. Não começa.
— Ah não. Não mesmo. Você não vai até lá com esse short.
Estreitei os olhos.
— Você não pode me obrigar — sorri marota. — Sou mais forte que você.
— Tem certeza? — ele avançou em minha direção num flash, mas eu consegui desviar.
— Claro — sorri convencida, estendendo a mão em sua direção e ordenando que a telecinese o mandasse contra a parede. Óbvio que não estávamos brigando a sério, mas seria legal mostrar quem mandava aqui. Usei minha força psíquica para mantê-lo preso ali e me aproximei lentamente, rindo toda vez que ele tentava se soltar, mas não conseguia. — Ihhh, quem é o fodão agora?
Ele sorriu maliciosamente pra mim e eu franzi o cenho sem entender. Seus músculos se contraíram e, inevitavelmente, minha atenção fora para seu tentador corpo. Aproveitando isso, ele enviou-me mentalmente milhões de imagens detalhadas de nossos momentos ardentes de ontem a noite, expondo até mesmo seus sentimentos e sua excitação do momento. Arfei e tentei focar minha mente na realidade, no que meus olhos viam, mas aquelas cenas eram tão intensas que minha mente estava totalmente presa nelas e meu corpo reagindo com elas.
E, então, quando as cenas se interromperam do nada, eu estava deitada na cama com Jacob em cima de mim, segurando meus braços no alto da cabeça e prendendo minhas pernas com as suas. Pisquei para entender o que acontecia, mas ele apenas sorriu pretensiosamente.
— Quem é o fodão agora? — repetiu minhas palavras, com um tom convencido.
— O que você fez? — sussurrei, ainda meio desnorteada com todas aquelas cenas excitantes em meus pensamentos.
Ele passou seu nariz por meu pescoço e inalou meu cheiro – como se fosse o aroma mais precioso dos Deuses – deixando-me mais desnorteada do que já estava.
— Te desconcentrei... para que pudesse me soltar — murmurou roucamente. — Mas acho que meu plano não fora totalmente eficiente, já que desconcentrei a mim próprio também.
Seu rosto abaixou-se até o decote de minha blusa e meu coração acelerou insanamente, já prevendo o prazer que sentiria.
— Jake, nós temos um compromisso — murmurei, tentando me livrar de seu aperto em meus pulsos para empurrá-lo, mas ele parecia infinitamente mais forte. Ou eu não estava usando todas as minhas forças para impedi-lo realmente...
— Uhum — concordou, mas disperso demais.
Eu teria insistido mais, se não fosse por sentir seus lábios no vão entre meus seios.
— Jake — arfei. — Pare com isso!
Ele soltou um riso leve.
— Então diga quem é que manda, — sussurrou roucamente, levantando minha blusa até o pescoço e fazendo o mesmo com o sutiã para expor meus seios.
— Jake — fechei os olhos, com a expectativa, e tentei puxar meus braços, mas ele ainda os mantinha presos, com uma única mão agora.
— Quem é que manda, ? — sussurrou novamente, mas agora sua voz era muito mais baixa do que antes.
Ele começou a sugar meu seio, fazendo-me delirar de prazer, enquanto sua mão livre ocupava-se de brincar com meus mamilos. Argh, idiota! Nós não temos tempo pra isso...
— É você — sussurrei, tentando encontrar um pouco de sanidade em meus pensamentos. — Você é... quem manda.
Ele ergueu seu rosto até o meu, interrompendo todas suas ações provocativamente. Grunhi frustradamente, mas logo dando-me conta que isso ajudou-me a encontrar um pouco de razão.
— Então você quer que eu pare? — perguntou, fingindo-se de ingênuo, contornando um de meus seios com sua mão grande e quente.
— Não — sussurrei frustrada, abrindo os olhos. — Mas é preciso... Temos um... compromisso. Pare, Jake.
Ele revirou os olhos e, ao perceber a firmeza em meu olhar, me soltou, saindo de cima de mim bufando nervoso. Arrumei minha roupa e levantei-me. Ok, ele podia estar nervoso, mas teríamos muitas horas para isso depois, primeiro precisamos ir até a reunião já que nos comprometemos com isso.
Ugh, estou mesmo ficando mais séria. Balancei a cabeça mentalmente, para voltar a realidade, e vi Jake semicerrando os olhos para meu short.
— Troque o short.
Mostrei a língua.
— Não vou trocar nada! Vamos logo que já estamos atrasados — agarrei sua mão e, ignorando sua carranca irritada, o puxei porta a fora para irmos em direção a tal reunião.


N/A: Olá genteeee! Perceberam que o capítulo não demorou muito para sair? Pois é, to tentando me dedicar mais à escrita dela. Principalmente nessa fase.. hehe
Não aconteceu quase nada de importante nesse capítulo, era apenas pra descontrair um pouco. Não posso garantir com toda certeza (pq ainda não escrevi, e minha mente adora fugir do roteiro imaginário quando vou escrever ksks), mas o próximo capítulo também será mais descontraído. Vou tentar fazê-lo grandão, ok?
Mas comentem o que acharam, minhas flores! Tem muitas coisas pra comentar, não? O pesadelo, o encontro dela com os garotos kkkk, a crise de ciúme do Jake, os pegas deles, a quase luta que tiveram pra mostrar quem manda kkkkk Enfim, comentem tudo!

Um Beijão para minhas lindas sempre presentes: Myh, Manuelza, Jess, BinhaBlack, Nannah Andrade, Baby Suh, Clau, Déh, Adriana MB, Luh, Vivi Black Cullen, Pamy, Crys, Débora Shaw Black, A Anônima (kk), Agatha, Raquel, Clarisse.

E um puxão na orelha para as leitoras da listinha do castigo: Alana G., Lari, NatyPe$ty, Gina, Nathalia, Naná Godoy, Thammy, Gabi, Gui, Juh Black, Leandra, Thais, Gabhy, Deia, Beatriz, Luiza Rubin, Jully, Stéfane, Lohanne Rocha, Marianna, Ciça, Ingrid Sales, Gabriela, Bruna Abreu, Chessy, Manuelza, Lucy, Mitchie Waldorf e Karol.

Adiosss amadas!!!!! ;*



PS: PARA AS LEITORAS QUE NÃO SABEM, EU AVISO QUANDO ATUALIZO A FIC NA MESMA HORA LÁ NA TAG DO TFI E TAMBÉM NO CANTINHO DAS PERVAS (NO FACEBOOK), ONDE TAMBÉM DEIXO ALGUNS SPOILERS. Fiquem atentas, minhas lindas.

Bom, agora repetindo o que eu disse na att passada, entrem nesse link e escolham a fic que querem que eu dê continuação (é, eu vou ficar falando disso até LDS acabar). E quem já votou pode votar de novo clicando aqui hehe

Bye



43. Líder


Eu podia perceber que estávamos perto da praia na qual aconteceria a reunião, pois conforme caminhávamos por aquela estreita trilha, íamos escutando risos e vozes cada vez mais altos por aqueles arredores. E mesmo não podendo ver para ter certeza, o clima parecia estar bem descontraído por ali – embora seja uma reunião com um assunto, possivelmente, bem sério. É um tanto quanto estranho o descaso deles na verdade.
— Nervosa? — Jake perguntou de repente, num tom inesperadamente preocupado que me fez encará-lo com uma sobrancelha arqueada. Senti o aperto de sua mão se tornar mais firme ao perguntar e sorri percebendo o quanto ele queria me confortar, mesmo eu não estando nervosa.
— Estou legal — dei de ombros. Não era mentira. Eu estava até que mais confortável do que esperava, sem nenhum nervosismo me consumindo por ter que enfrentar os lobos que um dia foram meus inimigos naturais. — Acho que a boa recepção dos garotos me deixou mais relaxada. — tentei fazer graça da situação constrangedora, mas ele fechou a cara ao se lembrar. — Calma, estou brincando!
— Não dê muita liberdade para esses garotos — resmungou, irritado. — Eles podem parecer adultos pela forma física, mas não têm nenhuma maturidade, são completos adolescentes cheios de hormônios.
— Assim como você — zombei.
— Eu tenho vinte e um anos — respondeu descrente e ofendido. — Você que é uma adolescente!
— Bem, com essa evolução avançada, tenho certeza de que agora realmente aparento a idade que tenho, senão mais.
— E quanto é?
Franzi o cenho, estreitando os olhos.
— Nós somos o que afinal? Ficantes? Namorados? Por que nada disso está parecendo já que você não sabe nem minha idade.
— Por que eu me importaria em saber se o maior tempo que passei com você, você não envelhecia?
Bufei. Ok, ele estava certo. Eu que estou sendo paranoica.
— Então, quanto é? — insistiu.
— Vinte e um. Igual a você. — dei de ombros. Na verdade, nunca tinha parado pra pensar que tínhamos a mesma idade.
— Mentira.
— É sério! — resmunguei, injuriada. Por que eu mentiria? — Quando fui transformada em Seattle eu tinha 16 anos. Se passaram mais cinco, então tenho vinte e um, simples matemática.
— Achei que você tinha sido transformada com 14 — zombou. — Tão miudinha.
— É, não precisei de muito para te deixar louco — zombei e sorri vitoriosamente.
— Eu disse que você era miudinha, não sem corpo. — defendeu-se. Ou me defendeu? Não sei, fiquei confusa. — Com dezesseis anos você já era mais encorpada que a Bella com dezoito.
— Então quer dizer que você fica reparando no corpo da Bella? — dispensei o elogio, focando apenas nessa parte da frase.
— Por favor, eu já fui apaixonado por ela. Além de que já a vi nua... Embora não tenha sido tão agradável quanto pensei que seria.
— Como assim você a viu pelada? — gritei, ciumenta. Nenhum dos dois havia me contado nada disso! E por que o Edward não matou o Jake?!
— No parto de Renesmee... — murmurou baixinho e eu tive certeza de que aquela não era uma boa lembrança para ele. Muito menos a lembrança da garota a quem feriu emocionalmente.
Abaixei o olhar, sentindo a tristeza que emanava de seu corpo misturando-se à minha própria.
— Como você acha que ela está? — perguntei baixamente.
Ele puxou uma respiração longa, diminuindo o ritmo de seus passos.
— Ela vai demorar a superar, . Sei que o tal Guia disse que ela encontrará a felicidade, mas não podemos garantir que será rápido. Afinal, ela é imortal e não poderia sofrer um imprint de repente como eu...
Estremeci. Não podia suportar a ideia dela sofrendo por séculos... isso acabaria com todo aquele brilho feliz em seu olhar, que eu admirava tanto. Ela poderia se tornar uma pessoa amarga e ressentida com a vida se nunca conseguisse superar, e eu nunca me perdoaria se isso acontecesse.
— Não se sinta culpada — Jake passou o braço por meus ombros, apertando-me contra si para me confortar. — Isso estava predestinado, , você mesma me disse.
— Então por que não paro de me sentir culpada? — murmurei frustradamente. — Se eu não tenho nenhuma culpa, por que minha consciência grita que sim?
— Acho que você só se verá livre dessa culpa quando Nessie parar de te culpar. É a mesma coisa com Emily e Sam... mesmo não podendo controlar o que sentem, eles ainda se culpam.
— Do que você está falando? — perguntei confusa, parando para encará-lo.
— Você não conhece a história deles? — perguntou surpreso. — Achei que Nessie te contava tudo sobre os lobos...
— Nah. Eu não fazia questão de saber de fatos que me lembrariam você.
Ele assentiu, entendendo. Na época que nos evitávamos, eu tentava desesperadamente me prender a coisas que não me lembrariam dele, que apenas o afastaria de minha mente, então, constantemente, mandava Nessie parar de falar, pois a mesma só sabia falar e falar sobre ele.
— Enfim, é a história de um triângulo amoroso — murmurou, nos guiando pela trilha novamente. — Sam namorava Leah antes de se transformar e os dois eram muito apaixonados e felizes. Até que Sam se transformou...
— Só por isso eles terminaram? — eu estava perdida.
— Não... Bom, Sam teve que ficar uns tempos sem vê-la até conseguir voltar á forma humana, mas não foi esse curto tempo longe um do outro que os fizeram se separar. Foi o imprint que ele teve por Emily.
Arregalei os olhos. Ok, essa história estava muito parecida com a nossa.
— E o pior é que Emily e Leah são primas e eram muito amigas na época. Até hoje Sam não se perdoa pelo quanto a feriu, mas não havia como se impedir.
— Jake — murmurei temerosa. — Leah é a garota amarga que odeia vampiros, não é? A que destrata todo mundo...?
— É...
— E se Nessie também acabar assim? — parei de andar para encará-lo novamente. Ele apertou os lábios.
— Ela não é tão ruim quanto parece. Apenas tenta esconder a dor que sente.
— Mas esse não é o melhor modo. Isso seria horrível para Nessie, Jake. Ela sempre foi tão radiante... iluminando a vida de todos apenas com um sorriso... e se esse sorriso se apagar pra sempre?
— Isso não vai acontecer com nossa Ness — abraçou-me. — Ela vai superar, ela vai.
— Eu espero. Eu preciso que ela supere — suspirei, afundando meu rosto em seu peito e inalando seu calmante aroma amadeirado que me embriagava toda vez. E as lágrimas se afastaram antes mesmo de surgirem, como um sol mandando embora todas as nuvens escuras com seu brilho intenso.
— Hey! — assustamo-nos com a voz e nos separamos. Não sei bem por que nos separamos com o susto, mas devia ser força do hábito. Viramos para enxergar a pessoa e nos demos de cara com outro lobo que agora eu não lembrava o nome. — O que vocês dois estão fazendo parados aqui na trilha?
— Apenas conversando — Jake deu de ombros. — Se lembra de , Quil?
— Claro! — ele sorriu largamente para mim, mas eu apenas pude reparar em suas feições familiares. Forte, mas não tão alto, amigo de Jake... Claro, ele estava na praia no dia em que Jacob e eu nos beijamos pela primeira vez. — E aí, beleza ?
— Bem, até agora sim — respondi, ele riu levemente, mas não disse nada, apenas afastou-se levemente e revelou uma pequena menina de cabelos escuros, escondida atrás de suas pernas com um olhar tímido.
— Diga oi para a namorada do tio Jake, Claire.
Ruboresci. Ok, Jake e eu precisávamos decidir o que éramos logo, não ter a mesma certeza que as pessoas de fora era vergonhoso.
— Oi — ela disse timidamente, ainda agarrada a perna de Quil. Então sorriu e olhou para Jacob. — Oi tio Jake!
Tio Jake?
— Oi linda — ele sorriu docemente. — Por que você está indo para a reunião?
— Ah, a mãe dela teve que ir até Forks comprar alguma coisa, então como Emily também está na reunião, eu a trouxe para cá. Tem algum problema, Jake?
— Não, eu só estava curioso — deu de ombros novamente.
Eu não conseguia desviar meus olhos da garota agarrada a perna de Quil. Ela parecia ter sete anos... bonita, com olhos grandes e castanhos, lábios volumosos e cabelos negros e lisos contornando sua adorável face quileute. Ela tinha uma franja tão bonitinha na testa, que a fazia ficar um tanto quanto fofa, mas não era sua aparência que concentrava minha atenção. Apertei os lábios, lembrando-me de Nessie quando pequena, mesmo elas não sendo nada parecidas, e dos nossos momentos juntas.
— Bem, que tal irmos? — perguntou Quil, apontando em direção à praia.
— Claro, claro — Jake respondeu, agarrando minha mão e puxando-me rapidamente pelo fim da trilha.
Quanto mais nos aproximávamos da praia, mais escutávamos os barulhos animados que o pessoal emitia – mais o barulho das ondas se quebrando no mar –, e isso fez com que Claire saltasse na frente, correndo animada de encontro a eles. Quil a seguiu prontamente, mas eu e Jake continuamos no mesmo ritmo até chegarmos lá e entrarmos no campo de visão de todos.
Nem todos perceberam nossa presença, mas os poucos que perceberam focaram suas atenções total e completamente em mim e em minha mão unida á de Jake – o que fez a união delas se tornar mais firme.
Fique calma – Jake me acalmou. Ou alertou, eu não sabia dizer. Eles não vão te julgar nem nada, você é humana agora. E meu imprint. Nada poderão fazer contra você.
Estou bem – garanti. Eu não era de me intimidar com olhares, essa era uma das minhas maiores qualidades. Não se preocupe.
— Hey Jake! — gritou Embry, correndo em nossa direção com um sorriso cordial no rosto. — Oi Quil, Claire e !
— Oi — sorri, lembrando-me do quanto ele fora legal comigo naquele momento tenso na floresta quando matei um vampiro sem intenção.
Claire o abraçou e ele apertou suas bochechas, fazendo-a resmungar e voltar para perto de Quil.
— Fala, cara. Beleza? — ele sorriu para Embry. Claire o cutucou nas pernas e ele suspirou. — Bem pessoal, eu preciso levar Claire até Emily. Já volto.
— Ok, vai lá — Jake murmurou.
Ele seguiu pela praia com ela.
— O que aconteceu, por que demoraram tanto? — Embry disse assim que Quil se afastou, arqueando uma sobrancelha e dando um sorrisinho malicioso.
Evitei corar e virei o rosto para o resto da praia – embora eu tenha evitado fazer isso anteriormente –, não queria que percebesse que nosso atraso foi por causa do desejo de Jake... Foquei minha atenção na praia e me surpreendi por enxergar uma roda de garotas sentadas na areia, rindo e conversando – com algumas me olhando, aliás. Cheguei a constatar que eram lobas como Leah, mas meu olfato avançado não pode captar nenhum cheiro de lobo muito forte, então eliminei esse pensamento – apesar de suas roupas estarem impregnadas com o odor canino. Quil já estava lá, entregando Claire para uma mulher com cicatrizes no rosto.
— Er, contratempos — Jake deu de ombros, mas com um pequeno sorriso malicioso no rosto. Evitei rolar os olhos. Garotos.
— Hm — Embry sorriu cumplice, entendendo, mas mudando de assunto ao notar meu desconforto. — Bem, não importa. O velho Quil Ateara e seu pai ainda não chegaram, então a reunião ainda não começou.
Uh, que sorte. Digo, sorte por não chegarmos tão atrasados.
— Meu pai ainda não chegou? — Jake franziu o cenho. — Pensei que Seth o avisaria.
— É, mas parece que ele demorou para chegar da pesca, então Seth teve que ir até o outro lado da montanha só para chama-lo.
Jake bufou e comentou alguma coisa que não prestei atenção, logo embarcando numa conversa descontraída com o amigo. Eu optei por ignorá-los e tornar a observar a praia e as pessoas nela. Os lobos estavam divididos em dois grupos, cada um numa atividade diferente, mas com a mesma animação contagiante que me fazia lembrar meus amigos humanos da escola de Seattle –um grupo se empenhava em jogar futsal e o outro em lutar corpo a corpo, entre risos e gritos entusiasmados.
— Essa é a ? — interrompi minha observação sinuosa ao som da voz feminina ao meu lado. Virei-me para encarar a pessoa e dei-me de cara com uma garota alta, morena e sorridente.
Reparei em suas feições e logo pude deduzir quem era, embora não a conhecesse. Ela tinha cumpridos e lisos cabelos negros caindo em cascatas por suas costas e uma linda pele avermelhada de dar inveja, lábios cheios, olhos escuros e... praticamente gêmea de Jacob! Só que, é claro, muito mais feminina e com alguns traços diferenciados. Mas era óbvio que ela era a Rachel – irmã de Jake.
— Sim, essa é a — Jake sorriu desconcertado. — , essa é minha irmã Rachel.
— Prazer — estendi a mão, retornando seu sorriso de um modo tremendamente fácil. Será que toda a família Black tinha sorrisos lindos e espontâneos desse jeito?
— Imagina, o prazer é todo meu, — ela sorriu largamente, fazendo-me concluir que sim. — E, Jake, apesar de ser a primeira vez que me apresenta uma namorada, devo dizer, maninho, você tem bom gosto. é linda!
Jake revirou os olhos e eu apenas sorri em agradecimento ao elogio – afinal, não sabia se agradecia ou não, já que ela se dirigia ao irmão não a mim. Ok, digamos que eu não era tão acostumada a receber elogios.
— Você precisa ir até lá em casa! Tenho que cumprir meu papel de irmã chata e te mostrar algumas fotos de Jacob bebê — ela murmurou e eu ri alto ao ver a cara irritada de Jacob. — Ah, não se preocupe, irmãozinho, você realmente era uma coisinha fofa. Era. Não é mais.
Ele revirou os olhos de novo. E eu ri – apesar de discordar da constatação.
— Estou curiosa para ver essas fotos — respondi. — E não se preocupe, você vai poder me encontrar com frequência lá, agora.
— Por quê? — perguntou sem entender. — Ah, claro! Você anda visitando meu irmão agora que se assumiram...
— Não, é por que ela vai passar uns tempos com a gente agora. Se frequentasse mais sua casa, talvez não estivesse por fora das notícias — Jake respondeu, impaciente e irritado. Rachel pareceu surpresa, mas, para meu alivio, não esboçou nenhuma reação negativa quanto a noticia. — Afinal, o que diabos aconteceu? Você esqueceu o caminho de casa? Por que nunca mais apareceu por lá? — repreendeu bravo.
— Ah, por favor — fez um gesto de descaso com as mãos. — Como se você não quisesse a casa só pra vocês dois agora. Fiz um favor a você, maninho, devia me agradecer. A propósito, espero que tenha uma boa estadia em minha casa, , será muito bem-vinda!
— Papai não vai gostar disso — Jacob alertou, ignorando o que ela falava a mim. Ele parecia furioso, como se quisesse estrangulá-la. — Você anda passando muitas noites na casa de Paul, antes mesmo de eu “querer a casa só pra mim”!
Ela revirou os olhos.
— Ah, Jake! Você já está me irritando com isso!
— Ótimo! Pois eu já estou irritado! Onde já se viu uma garota descente, de família, ficar passando noites na casa do namorado?!
— Jacob, Paul é meu noivo! — ela disse alterada, agora parecendo tão irritada quanto ele. — Além disso, pare de se intrometer nos meus assuntos, você é apenas meu irmão mais novo!
— Devo lembra-la que seu querido noivo tem a mesma idade que eu? — ele sorriu irônico.
Embry e eu apenas assistíamos a conversa segurando o riso, aproveitando a diversão gratuita. Será que minhas brigas com Edward eram tão engraçadas quanto esta?
— Ah! — grunhiu frustrada. — Pelo menos ele é mais maduro que você.
Fez-se um breve silêncio e Embry e Jake a encararam como se estivessem se decidindo se ela falava sério ou não. E quando perceberam que ela falava, logo explodiram em gargalhadas altas. E, mesmo não sabendo o motivo do riso, eu os acompanhei, pois a risada dos três eram tão intensas e descontroladas que se tornavam absurdamente contagiosas.
— Bem, ... — ela postou-se a minha frente, ignorando-os e dando beijinhos em meu rosto. — Tenho certeza de que nos daremos bem.
— É verdade — Jake concordou, já parando de rir, mas não parecendo totalmente sério, pois mantinha um sorriso zombeteiro na face. — Vocês duas vão se dar bem já que são igualmente chatas.
Rachel deu-lhe um tapa forte na cabeça, mas ele apenas continuou a rir como se sua ação fosse apenas o deslizar de uma pena. Bufei e esmurrei seu ombro, fazendo-o parar de rir instantaneamente e gemer, cambaleando alguns passos para trás. Rachel arregalou os olhos ao perceber o quanto meu golpe afetara Jake – mesmo eu não tendo usado nem metade da minha força – e pulou para meu lado.
— Nossa, cunhadinha! — ela exclamou. — Você é muito forte!
Sorri pretensiosamente e Jake rolou os olhos, massageando o ombro.
— Fiquei sabendo um pouco sobre suas capacidades — Embry comentou, interessado. — Você tem agilidade também?
— Sim. Basicamente, ainda tenho todas as capacidades avançadas de vampiro... Embora eu não seja um — murmurei a ultima frase com firmeza, como se eu tivesse a necessidade desesperada de convencê-los disso para ser aceita. E talvez tivesse.
— Legal! — Embry sorriu animado. — Mas você sabe lutar? — ele colocou os punhos frente ao rosto, simulando uma posição de ataque divertidamente.
Sorri animada, mas, antes que eu pudesse dizer algo, Jake respondeu por mim.
— Ela não é muito experiente nessas coisas.
Arqueei uma sobrancelha para ele, ofendida. Tudo bem que ele nunca me vira em ação, mas meus treinamentos com o Guia têm resultado muito bem. Na verdade, se ele não fosse tão baixo – como fora antes, provocando-me com lembranças excitantes – eu acabaria facilmente com ele. Bem, era até capaz de eu lutar contra todos eles ao mesmo tempo e escapar ilesa – sim, eu realmente estou ficando foda com esses treinamentos.
Bufei irritada e caminhei determinadamente até o montinho de lobos que lutava perto do mar, ignorando completamente o chamado confuso de Jacob e pensando apenas numa coisa: fazê-lo engolir suas palavras.
Os garotos empelotados pararam de lutar imediatamente ao notar minha presença e me fitaram intensamente, levando seus olhos de cima a baixo por todo o meu corpo. Ótimo, mais pervertidos.
— Hey, gata — um deles ronronou sedutoramente. Acho que estava tão focado na luta, que nem me vira chegando com Jake. Afinal, eles tinham medo dele, não? — Está afim de nos ver lutar?
Reprimi uma careta.
— Na verdade...
— Ela é a garota do Jake, animal — o maior repreendeu, dando um tapa na cabeça do outro. Ele virou-se para mim com um sorriso simples e estendeu a mão. — Prazer. Sou Paul, o cunhado do Jake.
— Oh — retribui o cumprimento. — É um prazer conhece-lo, Paul.
— Bem, você vai retirar rapidinho o que disse assim que conhece-lo melhor — Jake disse, surgindo de repente e passando o braço por meus ombros possessivamente, como se quisesse marcar território. Idiota.
— Ah, nem vem com essa — Rachel empurrou o irmão ao passar, correndo para os braços de Paul. — Meu amorzinho aqui é uma pessoa incrível e extremamente agradável.
Jake e todos os garotos gargalharam altamente e eu reprimi o riso ao ver as caras bravas de Rachel e Paul.
— Então, o que estão fazendo? Treinando? — perguntei, referindo-me a luta que interrompi anteriormente.
— É, mais ou menos isso — respondeu o garoto que me cantara. — A propósito, sou Collin.
— Prazer, Collin — sorri. — Bem, pra quem não sabe eu sou a .
— A garota do Jake — completou Paul.
Senti vontade de dar uma cortada dizendo que não era propriedade de ninguém, mas acho que não estava na melhor posição para isso, afinal, definitivamente, eu sou o imprint dele e isso deve significar praticamente a mesma coisa para eles.
— Então, voltando ao assunto — chamei a atenção de volta a mim. — Por que vocês treinam corpo a corpo? Não seria melhor um treinamento como lobos?
— Nós temos treinamentos como lobos, isso é apenas uma diversão — Embry deu de ombros. Nem tinha visto quando ele se juntara a nós... — Afinal, sempre é bom saber se defender como humano também, não?
— Mas quando o Paul está lutando, a briga sempre termina em lobos — Jake zombou e Paul fechou a cara enquanto todos riam.
— Por quê? — perguntei sem entender.
— Ele não consegue controlar o temperamento muito bem, aí explode em lobo no meio da luta — Quil respondeu e eu o encarei surpresa, só percebendo sua presença e a de Claire agora; pelo visto estou meio dispersa. Paul rosnou furiosamente em resposta ao comentário. — Está vendo?
Paul pulou em cima de Quil e logo os dois estavam lutando, com Quil rindo e Paul bufando raivoso. Observei Claire e percebi que ela não se importava com a luta, como se soubesse que era só brincadeira – bem, então isso deve ser normal entre eles.
— Mas por que você quer saber disso? — perguntou um garoto mais magro que os outros, mas muito alto. — Ah, eu sou Brad.
— Bem — sorri, puxando a blusa de frio pelas mangas e tirando-a. Evitei pensar nos olhares que acompanharam sinuosamente meu movimento e sorri desafiadoramente para eles, estralando os dedos. — Quero ver se são tão bons assim numa luta corpo a corpo.
— O que? — Jake segurou meu braço, mas eu me desvencilhei.
— Vamos! — agitei, ao perceber que eles estavam chocados demais com o que eu dissera. Joguei a blusa na areia e me voltei para eles, com as mãos na cintura. — Quem vai lutar comigo?
— Está falando sério? — perguntou Embry.
— Sim, você não quer lutar comigo Embry? — perguntei, arrumando meu cabelo num coque.
Embry olhou para cara de Jake e recusou avidamente.
— N-não... Eu estou muito bem aqui.
O que diabos você está querendo provar? – Jake gritou em meus pensamentos.
Nada – pensei inocentemente. Só quero me divertir um pouquinho. Não posso?
, eles são experientes você não po...
— Eu luto com você — Paul sorriu convencido, deixando Quil de lado. — Mas já vou avisando que não vou pegar leve só por que você é garota. Pelo que sei, é tão forte quanto nós.
— Sim, sim! — sorri, começando a alongar o pescoço. — Vamos ver do que você é capaz grandão.
— Uou, olha só — um garoto riu e eu virei-me para encará-lo confusa. Ele riu, zombeteiro e malicioso. — Você tem algo... bem aqui — ele indicou o pescoço e eu arregalei os olhos. A marca! Jake miserável.
— Ih, parece que Jacob não tem controle de si mesmo — Embry zombou, empurrando o ombro do amigo. — Inexperiente!
— Ah nem vem com essa — ele resmungou, mas não parecia ofendido. — Quem resiste àquele pescoço? Aposto que muitos de vocês gostariam de ter a mesma sorte que eu.
Corei. Desde quando eu virei motivo para garotos se gabarem? Nunca pensei que isso aconteceria algum dia... Muito menos na minha frente.
— Verdade. Você tem muita sorte, Jake — Collin disse e eu revirei os olhos para seu atrevimento. Acho que não será Paul e eu que lutaremos se as coisas continuarem assim...
— É mesmo. Já não bastasse o quanto Renesmee ficou linda, ele ainda arruma coisa melhor.
Ok, não será Jake a arrebentá-los, serei eu. Quero respeito aqui, tanto pra mim quanto para Nessie.
— Verdade. Quem diria que aquele bebezinho monstrinho ficaria tão...
— Ok, já chega! — apontei o dedo para os dois que comentavam. Por que Jake não os arrebentou dessa vez?! — Se continuarem a falar merdas eu não lutarei com Paul e sim com vocês. E não terei piedade.
Eles soltaram risadas sarcásticas, duvidando descaradamente de minhas palavras. Sorri diabolicamente. Eles querem uma prova de minha força? Então eles terão. Estiquei minhas mãos em direção a seus corpos e, antes que pudessem sequer deduzir o que eu planejava, eu os ergui no ar. As pessoas ao meu redor pareciam surpresas, enquanto os garotos no ar gritavam espantados. Não parecem tão fodas agora, não é? Abri os braços como se fosse dar um abraço em alguém e bati meus punhos fortemente um no outro, fazendo com que o mesmo acontecesse a seus corpos, chocando-os tão fortemente que eu podia jurar ter ouvido estalos de ossos se quebrando. Eles urraram de dor, mas eu ainda os mantive com os corpos colados, como dois gays. Ok, acho que já é o suficiente. Virei-os de cabeça pra baixo e abaixei os braços, assistindo-os caírem no chão num alto baque, um em cima do outro, numa posição mais gay ainda.
Os outros lobos os zoaram, enquanto eles se erguiam com dificuldade.
— Isso é apenas uma amostra do que eu sou capaz, moleques . Então tratem de ter respeito por mim e por Nessie, ou eu não terei nenhum pingo de piedade da próxima vez — respondi séria, deixando meu olhar o mais assustador possível. E acho que funcionou, pois ambos assentiram engolindo em seco. — Ótimo. Bons garotos, assim que eu gosto.
As gargalhadas se tornaram mais altas em direção á eles, mas ambos continuaram encolhidos – por que os que mais se gabam sempre são os mais covardes?
— Incrível — Quil balbuciou, admirado. — Então até seus poderes você manteve?
— É! — sorri. — Meus pode...
— Hey — Paul se meteu a minha frente, apontando o dedo bem no meio da minha cara. — Se for lutar comigo, terá que deixar esses truques de lado. Não seria justo!
— Relaxa, lobinho — bati em seu ombro. — Posso vencê-lo sem nenhum esforço mental.
As zombarias aumentaram ao nosso redor, mas agora Paul era o alvo. Ele rosnou e afastou-se alguns passos, encarando-me fixamente. Ok, vamos começar.
Colocamo-nos em posição de ataque, enquanto os outros nos abriam espaço para a luta. A posição dele era mais brusca, como se já tivesse todos os movimentos planejados e que aquilo não precisaria ser levado tão a sério. Já eu, tinha minha posição mais graciosa e confiante, como se não tivesse nenhuma preocupação no mundo – como se estivesse a lutar com alguém muito inferior –, embora meu olhar fosse tão frio e calculista quanto à de uma tigresa.
— Paul, pega leve — Embry censurou.
— Não vá machucar minha cunhadinha — Rachel gritou, afastada.
Revirei os olhos e me permiti olhá-los um segundo, estavam todos mais afastados agora, até Jake. Ele estava com os braços cruzados e um sorriso sarcástico no rosto, como se me desafiasse. Então ele pensava que minha única forma de luta era meus poderes? Semicerrei os olhos. Prepare-se para ser surpreendido, lobinho.
— Está pronta? — Paul perguntou irônico. — Sabe, não quero te pegar desprevenida.
Sorri confiantemente e esperei seu ataque. Desde as aulas do Guia, ele me ensinara que sempre devemos esperar que o seu adversário ataque primeiro para ganhar mais vantagem, pois é através de seu ataque que percebemos as falhas em sua defesa.
Paul avançou rapidamente e eu desviei facilmente, dando-lhe um golpe certeiro no estômago, pois ele estava tão centrado em me atacar que nem mesmo considerou um ataque meu, tornando-se estupidamente desprevenido. Ele cambaleou por um instante, chocado e sem ar, enquanto se afastava e apertava o estômago. Pude ouvir as exclamações dos que assistiam e reprimi a vontade de soar convencida nos pensamentos de Jake – era muito cedo para isso.
Paul recuperou-se rapidamente e avançou – novamente – em minha direção, num flash, levando seu punho em direção ao meu rosto. Agarrei seu punho a poucos segundos antes de atingir-me e puxei seu braço, para expor melhor seu corpo e enxergar melhor o alvo. Levei minha perna com impulso em um chute certeiro extraordinariamente forte em suas costelas, lançando-o á metros de distância, e em seguida agachei-me defensivamente, pronta para qualquer recuperação inesperada por parte dele.
— Caraca! — alguém gritou.
— Oh meu Deus! — ouvi a voz de Rachel.
— Inexperiente, hein Jake? — ouvi a voz de Embry.
Há-há.
Quando percebi que ele não se recuperaria tão rápido do golpe – como o Guia teria feito –, corri até onde ele gemia no chão e joguei-me em sua direção, planejando usar meu cotovelo para outro golpe em seu estômago – com todo o impulso da queda de meu corpo –, mas ele conseguiu desviar a tempo e eu atingi o golpe poderoso no chão. Ergui-me graciosamente sobre os pés e pus-me novamente em posição de ataque.
Ele rosnou furioso e convulsões se estenderam ao longo de sua coluna, enquanto aproximava-se com uma postura agressiva e raivosa. Sorri animada. Isso vai ser divertido.
Ele atacou. Mas agora seu ataque estava diferente, muito mais sério e intenso, como se ele estivesse dando tudo de si. Mas, ainda assim, ele não conseguia me atingir. Cada investida que me dirigia era desviada com precisão – embora as minhas também fossem.
Ok, chega de pegar leve.
Um grunhido extasiado – típico de filme de karatê – acompanhou o movimento de meu corpo, que rodou desviando de seus golpes e levou o punho à sua face. Ele cambaleou desnorteado, mas não lhe dei chances nem de compreender o que acontecia, apenas girei minha perna em 180º graus para ganhar impulso e lhe golpeei na face novamente.
Ele deveria ter caído com a força que investi, mas ele apenas cuspiu uma golfada enorme de sangue e se manteve em pé. Tenho que admitir que ele era mais forte do que julguei ser. Legal. Mas vamos acabar logo com isso.
Avancei em sua direção agilmente e lhe dei um soco no nariz e uma joelhada no estômago. Ele se curvou sem ar e eu aproveitei seu movimento para unir as duas mãos no alto de minha cabeça e descê-las fortemente em encontro à suas costas, derrubando-o no chão espalhafatosamente.
Afastei-me de seu corpo vitoriosamente e virei-me para minha plateia, que gritava pra mim – me senti agora. Jake negava com a cabeça, tentando reprimir o sorriso, e estreitava os olhos. Rolei os meus e fui para me aproximar deles, mas parei quando Embry gritou:
, cuidado!
Virei-me para Paul e notei que ele estava em pé, mas seu corpo se convulsionava para se metamorfosear muito, muito mesmo, próximo de mim.
— Saia daí !!! — Jake gritou.
Saltei rapidamente para longe do corpo de Paul, a tempo de um enorme lobo cinza surgir onde antes eu estava. Deus! Aquelas garras enormes poderiam ter atingido minha cara se eu não saísse dali a tempo. Ah, mas eu me curaria rápido se acontecesse alguma coisa – não sei pra quê tanto desespero.
O lobo rosnou furiosamente para mim e avançou em minha direção com as presas – afiadas como navalhas – expostas ameaçadoramente. Suspirei e corri rapidamente até ele, deslizando meus pés no chão para lhe dar uma rasteira e derrubá-lo. Antes mesmo que ele pudesse se recuperar da queda e se por de pé, eu montei em sua coluna e pressionei seu focinho no chão, usando toda minha força física para imobilizá-lo totalmente.
Ele se remexeu sob meu corpo, debatendo-se, mas eu apenas o pressionei mais no chão e prendi suas patas dianteiras com uma mão. E um tempo depois comigo impedindo seus modos inúteis de fuga do aperto, ele finalmente desistiu de se libertar. Gargalhei vitoriosamente e levei meus lábios a sua orelha peluda.
— Viu? Derrotado sem os truques — zombei, vendo-o rosnar baixo, mas mais calmo do que antes.
— Uhul! Dá-lhe ! — Quil gritou.
— É isso aí, , mandou bem! — Embry correu até mim e me tirou de cima de Paul, acalmando-o para que não me atacasse mais.
Jake caminhou lentamente em minha direção, ainda relutante em confessar que fui incrível – e, fala sério, eu realmente fui –, e cruzou os braços.
Todos vieram até onde eu estava e me cumprimentaram entusiasmados, comentando o quanto eu fui demais. Paul foi para trás de uma pedra e eu enxerguei pelo canto do olho Rachel tirar da bolsa uma bermuda e jogar para que ele abocanhasse – ah, ele devia se transformar com frequência mesmo para ela carregar vestimentas extras na bolsa.
— E então? Sou tão inexperiente, né — murmurei ironicamente para Jake.
Ele sorriu.
— Ok... você foi incrível — abraçou-me pela cintura e levou seus lábios ao meu ouvido. — E você precisa lutar com ele mais vezes, foi muito excitante te ver daquele jeito. Além de que ver Paul apanhar sempre melhora meu humor.
— Eu ouvi isso! — Paul gritou, mal humorado, já voltando em sua forma humana. — E quanto a você — ele apontou um dedo pra mim; essa é uma mania dele por acaso? — Eu vou querer minha revanche.
— Por mim tudo bem. Gostei de bater em você, não me importo em fazer isso de novo — respondi atrevida e ri quando todos os garotos gargalharam e começaram a zoa-lo.
Jake beijou ternamente minha bochecha.
— Essa é minha garota — ronronou e eu reprimi a vontade de fechar os olhos e me virar para capturar seus lábios com os meus. Em vez disso, observei admirada o quanto o olhar raivoso de Paul tornou-se terno quando Rachel começara a cuidar de seus machucados. Era um amor tão puro e sincero que esbanjava de seu olhar... que nem parecia ser a mesma pessoa.
— O que eu perdi? — Seth surgiu entre nós de repente, chateado por perceber a agitação e não ter feito parte dela.
— Paul apanhou de ! — Embry gargalhou, empurrando Paul pelo ombro.
— Ah eu não acredito que perdi isso! — lamuriou-se, frustrado. — Foi uma boa luta?
— Está brincando? Acho que seria capaz de vencer Jake e Sam juntos — um garoto respondeu. — Ela venceu Paul até mesmo quando ele se transformou.
Seth me encarou espantado, mas logo sorriu entusiasmado, correndo até mim.
— Você precisa lutar comigo!!!! — gritou animado e eu reprimi a vontade de cutucar o nervo de meu ouvido, que protestou dolorosamente com sua voz aguda. — Por favor, !
— Quem sabe outro dia — fiz careta. Não me sentiria bem batendo numa pessoa tão legal.
— Por favooooor!
— Seth, ela acabaria com você em dois segundos — Jake disse, descrente com a animação sem sentido do amigo.
— É, mas eu tenho esperanças de conseguir dar um full nelson nela...
Foi muito rápido. Mal pude enxergar o movimento ágil de Jake atingindo um soco certeiro no nariz de Seth, antes de voltar a me abraçar por trás como se nada tivesse acontecido.
— Não venha com suas gracinhas sem graças — ameaçou, enquanto Seth gemia, apertando o nariz jorrando sangue. — Ou vou quebrar mais coisas além de seu nariz.
— Idiota, eu só estava brincando — murmurou, com a voz nasalada, enquanto o sangue escorria manchando sua camiseta.
— Sei — rosnou Jake. Afinal, Seth realmente acreditava que ele levaria isso numa boa depois do episodio passado na sala de estar em sua casa? Além do mais, a animação de Seth em lutar comigo pareceu verdadeira até mesmo para mim imagine para o Jake...
— Venham! A reunião vai começar — Sam disse, com sua voz forte silenciando todas as outras. Ele indicou o lugar no canto inferior da praia e eu pude enxergar o pai de Jake já lá, acompanhado de mais algumas pessoas.
Oh. Droga. Hora de conhecer meu sogro.
Jake estendeu sua mão para mim e, sem hesitar, eu entrelacei meus dedos nos seus rapidamente, deixando que me guiasse ao local como uma criança perdida. Todos também seguiam para lá, mas a atenção das pessoas ao redor da fogueira naquele canto da praia estava focada intensamente em nós dois. Só falta essa reunião ser sobre nosso relacionamento!
Respirei fundo. Ok, nada de pânico. Jake já me garantiu que eles respeitam mais do que tudo um imprint, independente da pessoa alvo. Tudo bem que nosso imprint foi algo inédito em toda a história da cultura Quileute, mas respeito é respeito, certo? Certo...?
Pude ver que as mulheres me olhavam docemente, com uma expressão cordial de boas-vindas, mas os anciões ao lado do senhor Black me olhavam mais seriamente, como se tentassem decifrar minha aura e saber se eu era boa pessoa ou não, confiável ou não. Definitivamente, esses olhares me deixaram receosa.
Levei meu olhar para o senhor na cadeira de rodas e engoli em seco, vendo sua expressão contida, neutra, enquanto começava a arrastar a cadeira em nossa direção – terminando de fechar a distância. Jake apertou minha mão, percebendo meu nervosismo repentino.
— Creio que você seja a — ele disse, ainda sem esboçar uma expressão que pudesse me dar uma brecha para saber o que pensava sobre mim.
— Sim, sou eu — tentei sorrir educadamente, mas creio que meu sorriso saiu um tanto quanto nervoso. — É um prazer conhece-lo, senhor Bla...
— Não, por favor — ele ergueu uma mão me interrompendo. Minha pulsação saltou. Mas, para minha tremenda surpresa... Ele sorriu. Sorriu! — Me chame de Billy, você já é da família.
Não pude controlar o sorriso espontâneo e feliz que nasceu em meu rosto, com o alivio relaxando completamente meu corpo.
— Tudo bem... Billy.
— Não tive a oportunidade de dizer, pois tinha combinado pescar com um amigo, mas eu realmente espero que tenha uma boa estadia em minha casa, . Sinta-se a vontade! — ele sorriu largamente e eu pude ter a certeza completa de que todos daquela família tinham o sorriso excepcional. — A propósito, desejo com todo meu coração que vocês dois sejam felizes juntos. Confesso que fiquei surpreso quando descobri que Jacob tinha quebrado o imprint com Renesmee, já que é algo inédito, mas logo percebi que você deveria ser a verdadeira escolhida... que o destino apenas encontrou um caminho diferente para seguir seu percurso e levar vocês dois a se unirem.
— Você está certo, pai — Jake sorriu, satisfeito. — Mais do que imagina, até.
— Eu sempre estou, Jake — ele gargalhou divertidamente, fazendo o filho revirar os olhos.
— Er, senh... Billy — me corrigi, chamando sua atenção e agachando-me minimamente para ficar a sua altura. — Muito obrigada por me aceitar tão bem e tão facilmente — sorri, pegando sua mão entre as minhas. — Entendo como deve ter sido difícil aceitar que seu filho sofrera um segundo imprint por uma ex-vampira. Mas quero que saiba que, ainda vampira, eu aprendi a respeitá-los e admirá-los como mereciam, como os protetores divinos que são, mesmo tendo o instinto natural de odiá-los... então pode ter certeza de que a sua aceitação significa muito para mim, mesmo. Eu realmente amo o idiota do seu filho, então nada me faz mais feliz do que receber a aprovação das pessoas que ele ama.
Seus olhos brilharam quando apertou minha mão e sorriu.
— Você já está mais do que aceita, minha filha. E eu posso sentir a pessoa maravilhosa que é. Você é parte dessa família agora.
Não consegui me segurar: o abracei ternamente. Jake parecia bobo com aquela cena – assim como Rachel que assistia a pouca distância –, mas continuava quieto. Na verdade, todos estavam assistindo aquilo e eu me senti um tanto quanto constrangida com aquele momento intimo sendo tão exposto publicamente. Mas ok.
— Obrigada — sussurrei, antes de soltá-lo e voltar a me agarrar a Jake num ato inconsciente.
Ele assentiu sorrindo e se afastou, tomando seu lugar ao lado dos anciões – que agora apenas me olhavam com curiosidade. Acho que a aceitação de Billy os fez me enxergarem com novos olhos.
Jake nos encaminhou até uma pedra, enquanto todos os outros também se ajeitavam, sentando-se nela e colocando-me sentada na areia entre suas pernas. E assim que todos estavam preparados para a reunião, Sam tomou a frente e se postou no centro do circulo – próximo à pequena fogueira que chamuscava uma chama flamejante e intensa.
— Bem, eu convoquei essa reunião, pois tenho coisas importantes a anunciar para todos vocês — disse ele, sua voz forte se estendendo ao longo da praia. — Todos. Inclusive a matilha de Jacob — ele nos olhou e respirou fundo. — Primeiro, quero anunciar que temos mais dois integrantes na matilha — ele esticou o braço em direção a dois jovens escondidos no meio das pessoas e eu arregalei os olhos ao reparar que um deles era uma garota de cabelos curtos. — Joel e Kila. — ambos sorriram para ele, com devoção. — Agora a segunda coisa que tenho a dizer, e mais importante, é... que eu estou reivindicando meu posto como alfa.
Houve uma série de suspiros e exclamações surpresas com a revelação, mas ele ignorou.
— Então isso quer dizer... — Jake murmurou. Sam o olhou.
— Sim, Jake. Eu entrego minha matilha á você. Na verdade, você é quem sempre foi o alfa por direito. Eu quero construir minha vida ao lado de Emily e creio que está na hora de deixar de me transformar.
— Sam, tem certeza disso? — um velho ao lado de Billy perguntou. — Você e Emily ainda são jovens... E mesmo que Jacob seja um rapaz responsável, ele precisará de auxílio com tantos lobos novos.
— Eu tenho certeza de que Jake será um grande alfa para esses lobos — Billy debateu. — Ele é o líder por direito, está em seu sangue. Além de que já provou ser maduro o suficiente para guiar seus seguidores. Sam tomou sua decisão, não pode força-lo a mudar de ideia.
— Jacob se envolveu com uma vampira! — o velho aumentou a voz. — Quem garante que agora ele não tenha desenvolvido compaixão por esses seres?
Encolhi-me em meu lugar. Então Jacob não era apto o bastante para ser alfa por minha culpa?
Não tive tempo de perceber quando Jacob se movera, apenas o percebi já em pé ao lado de Sam, olhando para o velho com uma seriedade impactante. Ele tinha uma imponência tão majestosa em sua postura, que fazia qualquer um se sentir um verme ao seu lado. Pude enxergar o vislumbre de uma aura pulsante e brilhosa cobrir graciosamente as partes de seu corpo, mas quando pisquei não estava mais lá. Porém, tive certeza de que o que enxerguei era seu espírito guerreiro se realçado, tomando força para mostrar a glória que aquele homem tinha – o divino poder de sua alma.
— Eu sei identificar quem são meus inimigos, Quil Ateara. Não duvide de minha capacidade como alfa apenas pelo meu destino. Respeite-o. é meu imprint agora e mesmo que um dia ela tenha sido vampira, cada atração que tive por ela está mais do que devidamente explicada nesse momento. E o senhor não pode dizer nem fazer nada quanto a isto. — seu timbre de voz ganhou uma sonoridade dupla e forte, esbanjando toda a onipotência glorificante e respeitável de um verdadeiro líder. O velho se encolheu diante de Jacob, assim como todos os presentes. — E eu estou mais do que empenhado para liderar seja quantos lobos forem que formarem minha matilha. Pode até duvidar de minhas palavras, mas só poderá contradizê-las de fato quando eu lhe der motivos para isto. Mas agora, tudo o que o senhor deve fazer, é não me julgar pelo que sinto, me respeitar e, acima de tudo, respeitar a garota que eu amo que, sim , já foi uma vampira, mas que hoje é tão humana quanto o senhor.
Tudo ficou em silêncio por dois minutos completos, enquanto todos olhavam para Jacob como se ele fosse um deus materializado frente a seus olhos. Confesso que meu coração palpitou fortemente de orgulho e amor a cada palavra dita, mas me contive para permanecer quieta onde estava.
Billy pigarreou.
— Bem, Ateara, se ainda mantém sua opinião sobre Jacob liderar a matilha, eu sugiro que tenha uma votação para decidir — respondeu ele, disfarçando o tom orgulhoso por trás de um indiferente.
— Não... — ele ergueu uma mão solenemente, calmo, fitando Jake com um olhar intenso. — Agora estou convencido de que Jacob é capacitado para isso... depois de toda sua determinação ao me confrontar. Ele ganhou meu respeito e minha admiração com esse ato... Com essa grande postura de um verdadeiro líder — o velho ergueu-se sobre os pés com dificuldade e caminhou lentamente até Jacob, que o encarava num misto de surpresa e confusão. — Peço desculpas por ter te ofendido, filho. Eu desconhecia de suas capacidades em liderança, desconhecia de todo esse poder que seu espírito guerreiro emana. Mas você realmente é o predestinado a guiar nosso povo e eu não posso mais duvidar disso — ele olhou para Billy e o mesmo, entendendo o olhar, puxou um cordão longo de seu pescoço, com um saquinho escurecido pendurado na ponta, e o estendeu para o ancião. — Jacob Black, — o velho Ateara colocou-o sobre Jake. — Eu agora o nomeio não só como Alfa de ambas as matilhas, mas como o líder de nosso povo. O Guardião de nossa tribo.
Jacob parecia espantado com as palavras do ancião, mas, recuperando-se rapidamente do choque, levou o punho ao peito esquerdo e abaixou-se respeitosamente para o senhor a sua frente. Logo, todos aplaudiram a “cerimônia repentina” e assobiaram animados, também satisfeitos por terem um verdadeiro líder disposto a protegê-los e guia-los. Eu aplaudi de pé, tão orgulhosa que achei que explodiria.
Parabéns, amor! – gritei em seus pensamentos e logo me surpreendi pelo que o chamei, mas “amor” fluiu tão naturalmente que nem tinha percebido. Jacob sorriu tão brilhantemente para mim que todo o mundo pareceu desaparecer só para ele se tornar o centro de tudo .
— Faremos uma cerimônia digna — continuou o ancião. — Todo o povo Quileute deve saber quem respeitar e admirar de agora em diante: Jacob Black. Neto do grande chefe Ephraim Black e herdeiro direto da linhagem sanguínea dos honoráveis Espíritos Guerreiros!



N/A: Hello queridaaaas!! Pois é, me atrasei na postagem desse capítulo, pois estou planejando uma fic futura e acabei depositando toda minha inspiração nela: sorry! Não vou revelar nada dela agora, mas eu conto com vocês para acompanhá-la quando eu postá-la, blz? Mas agora vamos falar do capítulo...
O que acharam dele? Foi bem descontraído, mas mostrou coisas importantes... como o desenvolvimento da PP como Guerreira... o recebimento de Billy... o Jake se tornando uma pessoa de suma importância na tribo... E aguardem, pois ainda virão muitas coisas! Afinal, e os inimigos, os Cullen, o Oliver, os Volturi? Tem muita coisa para a gente ver ainda hehe
Espero que tenham gostado do capítulo, tentei fazê-lo ficar engraçado, mas não sei se consegui.
Aguardo aqui ansiosamente os comentários de vocês e já vou avisando que só vou postar o próximo capítulo quando tiver o comentário de CADA leitora de Lua de Sangue postado aqui. Ou seja, quanto mais rápido vocês comentarem, mais rápido terá capítulo novo.
Ah, quanto ao Full Nelson que o Seth disse é um ataque de luta onde o adversário prende o outro num abraço por trás, pressionando-o e impedindo de sair – vocês viram a foto que eu coloquei, não? Não me perguntem como eu sei desse ataque ksksks eu conheço muitas coisas de luta, nem pareço uma dama desse jeito hehe -.-‘ (ok, eu não sou dama de jeito nenhum). Achei engraçado usar isso, pois a forma desse ataque é um tanto quanto intima, não? Hehe Por isso o ciúme do Jake.
Enfim.. vou ficando por aqui. Qualquer dúvida sobre a fic ou as postagens dela é só perguntar no meu formspring.

Bjs




44. Eis o fim da paz


"Somos lentos para nos declarar, somos apressados para brigar, somos relutantes na reconciliação. Amor depende de sorte" - Fabrício Carpinejar

— Assim eu não durmo — resmunguei, ao sentir os lábios de Jacob deslizando pela pele lisa de meu pescoço, e suas mãos acariciando minha cintura sob o fino tecido da camiseta.
Já tinha se passado uma semana desde que Jacob foi nomeado como Alfa de ambas as matilhas e Líder do povo Quileute. Nós fomos dispensados daquela reunião tão logo quanto começou, com os anciões dizendo que planejariam uma cerimônia para informar a todos que Jacob agora faria parte do “conselho” e que deveria ser respeitado, embora fosse considerado – para aqueles que conheciam a verdade das lendas – muito mais do que apenas um “membro do conselho”.
As coisas ocorreram parcialmente normais depois disso; eu estava sendo muito bem aceita pela família de Jake, me tornei amiga de muitos lobos e conquistei a confiança dos líderes do conselho. As únicas coisas que não estavam sendo normais ultimamente eram: o comportamento estranho de Jacob, que ainda não se acostumara com o terrível fardo que passara a carregar, e os meus treinos através dos sonhos que não aconteceram mais. Sim, o Guia havia desaparecido. Não entendi muito bem sua explicação – por sua voz estar falhando demais –, mas tinha algo a ver por eu não estar tomando as devidas doses diárias de sono, fazendo com que ele não conseguisse tempo suficiente para invadir minha mente. Mas que culpa eu tinha se era Jake que não me deixava dormir?
— Jake, é sério — empurrei suas mãos de meu corpo e me afastei. — Eu não posso ficar na moleza por muito tempo, tenho responsabilidades a cumprir.
— Ah! Por que aquele maldito Guia não vem te treinar no mundo real mesmo? — bufou frustrado.
— Que diferença faria? Eu teria que abrir mão de meu tempo com você da mesma forma — bocejei. — Além disso, eu preciso dormir. Se não logo meu mau humor vai se tornar tão insuportável que sua família vai se arrepender de ter me aceitado.
— Ah ... uma noite de sono perdida não faz mal — ronronou, voltando a colar seu corpo no meu. Fechei os olhos e apertei os lábios fortemente, tentando conter as batidas ininterruptas de meu coração para dar o fora nele.
— Foi o que você disse... ontem — minha voz falhou um pouco, sentindo sua mão direcionar-se para dentro de minha calcinha, quase convencendo-me a ceder mais uma noite. — E antes de ontem, e antes de antes de ontem... e antes de antes de antes...
— Ok, já entendi — murmurou disperso, beijando-me nos lábios. Ok, eu preciso tomar uma atitude, não posso ser tão entregue assim. — Vamos amor, eu sei que você também quer.
— Não! — resmunguei irritada, jogando-o para longe de mim e tentando a todo custo normalizar minha respiração. Seu corpo caiu para fora da cama, chocando-se fortemente no chão, e ele levantou-se resmungando do tombo. Eu sabia que meu desejo por ele beirava a insanidade e que meu normal era ceder a todas as suas vontades sexuais, mas eu sempre tive uma incrível determinação de não me tornar completamente submissa a nada, fazendo-me ignorar todas as minhas vontades reais. E Jake não seria exceção naquele momento, por mais que meu corpo desejasse que sim. — É sério, Jake. Eu tenho que ter meus treinamentos! O Guia vai tomar atitudes nada agradáveis se eu sempre ficar faltando.
Ele fechou a cara.
— Guia, Guia, Guia! Você só sabe falar nessa porcaria de Guia! — grunhiu, voltando para a cama e cobrindo-se, mas virando para o lado oposto a mim.
— Ele é meu mentor! — respondi exasperada. — Ou pelo menos, algo parecido com isso.
Ele bufou.
— Então durma logo para encontra-lo — respondeu em tom infantil.
Revirei os olhos. Normalmente minha ação normal seria rir de seu ciúme e provoca-lo com caricias até que ele cedesse, mas nesse momento a minha prioridade era finalmente encontrar o Guia e treinar, cumprindo os deveres que me foram designados.

Demorou um pouco até que eu caísse no sono, pois constantemente abria os olhos para enxergar Jacob bufando e se revirando na cama – por pouco que eu não peguei o travesseiro e fui para o pequeno sofá da sala. Porém, ao menos consegui dormir.
O sonho demorou a se formar e eu permaneci em plena escuridão mental, que me fez imaginar que talvez um pesadelo estivesse para vir. Mas me enganei. Logo as cores foram aparecendo e as figuras familiares do campo de treinamento tomando forma. Pisquei os olhos e tudo foi tornando-se nítido, fazendo-me logo avistar à minha direita o Guia com os braços cruzados e uma carranca prontamente postada na face.
— Muito bonito! — disse ele, com um tom irônico que eu estranhei para ele. — Você deixa suas responsabilidades de lado apenas para praticar um ato carnal que poderia praticar a qualquer hora do dia, muito sensato da sua parte.
Bufei.
— A culpa não é minha...
— Ah claro, como se sexo fosse feito por uma pessoa só.
Arregalei os olhos. Ok, realmente era estranho vê-lo sendo tão... como eu. Acho que minha presença já está começando a alterar sua personalidade calma e contida.
— Olha, a culpa é toda do Jake, ta? Eu sempre tento dormir para poder ter o treinamento, mas ele sempre me atrapalha. E eu não tenho forças o suficiente para impedi-lo!
— Bem, você teve agora. Era só uma questão de querer para acontecer.
Rolei os olhos.
— Você acha que com ele me tocando daquele jeito eu realmente teria forças para continuar querendo vir para cá? Faça-me o favor!
— Ok, ok, ! Chega disso! Vamos logo recuperar o tempo perdido, não podemos continuar parados.
— Tudo bem, mas antes eu quero te perguntar uma coisa — respondi, cansada apenas por imaginar tudo que estaria por vir com aquele mau humor dele. Ele olhou-me impaciente. — Nesses últimos dias eu tenho notado muitas mudanças físicas em mim. Tenho ficado mais alta e mais “evoluída” por assim dizer. Até meus cabelos e unhas estão crescendo mais rápido do que o normal. E eu queria saber se isso quer dizer que estou envelhecendo mais rápido que um humano normal ou é só uma fase, sei lá.
— Depois eu que sou o burro — ele rolou os olhos. — Não é óbvio, ? Seu corpo está mudando para suportar os poderes que seu espírito está desenvolvendo. Ou você acha que sua força se resume apenas a telecinese?
Tentei responder, mas estava parcialmente sem reação.
— Por enquanto, você descobriu apenas pequena parte de seu poder. E com os treinamentos, mais dele está se revelando, se desenvolvendo. Mas seu corpo humano precisa se desenvolver também para suportá-los.
— E se meu corpo não se desenvolvesse?
— Bem, isso é impossível. Se uma parte dentro de você está mudando, a parte de fora também mudará, é um fato.
— Ok, então por que não me avisou antes? Eu me preocupei, sabia?
— Se preocupou com o que, criatura? — ele perguntou impaciente e irritado, fazendo-me perceber uma parte de minha personalidade se refletindo em sua nova postura.
— Eu pensei que poderia estar envelhecendo mais rapidamente... pensei que logo estaria velha e moribunda.
Ele passou as mãos pelo cabelo, frustrado e impaciente.
, isso é impossível! Im-pos-sí-vel! — gritou. — Como você acha que uma guerreira lendária com todo esse poder emanando de sua alma poderia ser alguém com vida curta?
— Ah como eu vou saber? Não entendo dessas coisas...
— É óbvio que você terá a juventude eterna, então pare de me perturbar com perguntas idiotas.
— Bem, se você me esclarecesse tudo de uma vez, talvez eu não fizesse perguntas idiotas — resmunguei. — Mas vamos logo com isso. Com o que vamos começar?
— O treinamento mental — murmurou. Gemi frustradamente; é o treinamento mais chato. — Venha.
Fazendo careta de desgosto eu o acompanhei, tentando me manter prestativa apesar da falta de animação.

O treinamento mental sem dúvidas era o mais exaustivo, embora eu permanecesse completamente ereta, sentada na grama fria daquele campo imaginário do sono. O esforço que o Guia me exigia para fortalecer minha mente era terrivelmente enorme, eu quase não conseguia me manter parada com tanta pressão que se estendia sobre mim. Porém, para meu alivio, finalmente o treinamento havia terminado e eu pude despertar do sono – embora as horas tenham se passado muito lentamente para mim.
Meu sono acabou naturalmente, e meu despertar foi absolutamente espontâneo sem nenhuma ação de terceiros – o que fez com que eu me sentisse mais descansada ao levantar. Como eu esperava, Jacob não estava do meu lado – provavelmente ainda estava emburrado por ontem a noite – e eu revirei os olhos para essa opção.
Saí do quartinho de pijamas mesmo – o que não era uma coisa tão indecente – e fui até o banheiro para realizar minha higiene matinal, logo vendo Rachel entrando no banheiro também – só que comigo já lá dentro.
— Bom dia — murmurou sonolenta, com os olhos ainda meio fechados meio abertos. — Se importa de eu tomar banho enquanto você faz o que tem que fazer aí?
— Não, claro que não — respondi com a boca cheia de espuma da pasta de dente. Não me importaria nem um pouco com Rachel tomando banho ali, pois logo eu terminaria o que tinha que fazer. E também não teria que ter a desagradável visão dela nua, pois box do chuveiro era de um vidro escuro e impenetrável; sei bem disso, pois não obtive sucesso ao espiar Jacob.
— Sabe, tive sorte escolhendo justo a noite que vocês não fizeram nada para dormir aqui. Não sei se aguentaria ouvir seus gemidos.
Revirei os olhos e enxaguei a boca.
— Como se nós fossemos muito diferentes de você e Paul — resmunguei, sem me envergonhar, pois ela e Paul já me deixaram acostumada com as piadinhas sobre sexo. — E Jake? Ele está aí?
— Não sei — ela ligou o chuveiro. — Acabei de acordar, não percebeu?
Eu estava prestes a responder, quando de repente senti os cheiros doces e perfumados de vampiros atingirem-me de repente. Eu teria ficado tensa com isso, se logo não percebesse que não eram quaisquer cheiros, mas sim os dos meus queridos. Mal aguentando a expectativa, nem terminei de pentear os cabelos e corri até a porta da varanda, pulando em ambos assim que os avistei e quase fazendo-os recuarem com a minha força.
— Ai meu Deus! Que saudades, meus amores! — gritei, esmagando Rosalie e Emmett num abraço monstruoso.
— Também sentimos saudades, baixinha — Emmett riu, abraçando-me tão forte quanto o abracei.
— É, por mais que eu odeie esse cheiro de vira lata, não pude controlar a saudade — Rosalie resmungou e me abraçou, sorrindo daquele jeito que só sorria para mim e para Nessie.
— Então, como vão as coisas? — Emm perguntou. — O pai de Jacob já está reclamando da casa sendo destruída e dos gemidos noturnos?
Senti um pouco de sangue subir para minhas bochechas, mas antes de me sentir envergonhada soquei o braço de Emmett.
— Vou fingir que não ouvi isso — resmunguei. — Mas venham, entrem!
Eles hesitaram.
— Tem certeza de que seremos bem-vindos aí? — perguntou Rose, fazendo careta.
— Ah não sejam bobos! — puxei-os pelas mãos. — Os Blacks não têm nada contra vocês.
Eu podia ver o pensamento deles apenas através de suas expressões “Eles não terem nada contra nós, não quer dizer que têm de nos tolerar”, mas entraram de qualquer forma, hesitantemente, e me acompanharam até a cozinha – onde eu pensei que Jacob estava, mas me enganei, pois estava vazia. Comecei a fuçar os armários para fazer o café da manhã enquanto Emmett e Rosalie permaneciam em pé observando-me.
— Mas então — puxei assunto, começando a preparar café para mim e Rachel. — Como vão as coisas lá na mansão?
— Tensas — respondeu Emmett. — Até para mim.
Virei-me para encará-los, preocupada. Até Emmett tenso? Isso era realmente, realmente preocupante.
— Renesmee? — perguntei, concluindo. Eles assentiram. — Puxa, nunca achei que seria tão difícil.
— Nem nós — respondeu Rose. — Esperávamos que ela fosse ficar deprimida e logo depois começar a superar como qualquer adolescente, mas ela está completamente amarga e sarcástica, não deixando que ninguém se aproxime emocionalmente.
— O pior é que ela está decidida a ir para o Alasca — ele disse. — Mas Edward vive tentando convencê-la a ficar mais um pouco.
Sentei-me na mesa para observá-los, enquanto o café coava.
— Por isso ele não veio? — perguntei, afetada com a ausência do irmão companheiro.
Rose assentiu.
— Sim... Ele queria muito te ver, mas também queria aproveitar os tempos com a filha, já que a qualquer momento ela poderia surtar e ir embora por si mesma.
— E o que a convence a ficar?
— Nós a convencemos a esperar mais uma semana com a desculpa de que as Denali estão procurando uma nova casa, com mais quartos, para poder hospedá-la e mantê-la no conforto. Mas mesmo assim ela insiste, dizendo que não se importa com coisas simples e que pode muito bem dormir no chão até. Diz também que qualquer coisa é melhor do que continuar aqui sendo humilhada.
— Humilhada? — minha voz falhou. — Mas... Céus, eu tenho que falar com ela...
— É melhor não, — Emmett respondeu, com um tom sério que definitivamente não era seu habitual. — Ela está mudada. Está cheia de ódio, rancor, mágoa... nunca te ouviria.
— Por isso mesmo, Emmett — insisti. — O que ela precisa é extravasar toda essa raiva. Ela precisa... descontar o que sente em alguém... bem, em mim. Estou disposta a isso. Estou disposta a ir até lá, deixa-la surtar e dizer, gritar, tudo o que pensa sobre mim, até deixar que eu fale e tente convencê-la a esquecer e seguir com a vida.
— É uma boa ideia — Rose concordou. — Mas mesmo assim, ... é melhor esperar um pouco. Ainda é muito recente.
— Tudo bem — concordei. — Ela vai embora daqui uma semana, certo? Eu vou até lá um dia antes dela partir e nós botaremos tudo em pratos limpos.
— Ok — concordaram.
Suspirei, pensando no quanto teria que lidar nesse dia, e fui até o café, colocando um pouco numa caneca e tomando.
— Hm — Rose pigarreou. — Mas e esse seu relacionamento? Tudo tem corrido bem com o cachorro? Ele tem se comportado bem com você?
Sorri.
— Digamos que o cachorro está bem domesticado — gargalhei. — Sim, estamos bem. Ainda continuamos com nossas brigas, mas são coisas sem importância.
— E você vai querer voltar quando Nessie for embora? — Rose perguntou temerosamente. — Por que se está feliz com ele... temo que não queira voltar para nós depois disso.
Franzi os lábios.
— Vocês são minha família, Rose. Eu amo o Jacob, mas nosso relacionamento ainda é muito recente para já irmos morarmos juntos e coisa e tal. Prefiro ir num ritmo normal.
— Mas você pretende algum dia se casar com ele?
Gargalhei alto. Tão alto que quase derrubei o café quente em meu corpo. Emmett me observou divertido, mas Rosalie permanecia séria.
— Casar? Céus! Rose, eu não sou do seu tempo — tentei conter o riso para tomar um gole do café.
— Mas casar não é apenas coisa do nosso tempo — Emmett riu, se divertindo com minha reação. — Bella se casou.
Bufei.
— Aposto que Edward encheu o saco até que ela aceitasse. Afinal, ela é dos tempos de agora, mas ele não. — ri mais um pouco, enquanto negava com a cabeça. Casar... Ai ai. — Pode ser que algum dia eu chegue a me casar, mas, Deus! Não quero pensar nisso agora, sou muito nova! Ainda mais, estou com a cabeça cheia de coisas, não quero enchê-la com mais nada.
— Tudo bem então, vou tentar de outro jeito — Rose murmurou e eu arqueei uma sobrancelha, sem entender. — Você pretende viver com ele? Morar junto a ele?
Pensei um pouco. Eu estava com a cabeça tão lotada com coisas preocupantes, que mal havia parado para refletir sobre meu futuro ao lado de Jake.
— S-sim, é claro — gaguejei. Claro que eu amo Jacob mais do que tudo e não posso negar, mas será que duraríamos tanto tempo assim juntos? Bom, se depender de mim sim, mas o que ele pensa disso?
— Gaguejou! — Emmett acusou, gargalhando. — Não esquenta baixinha, você pode viver conosco e enrolar o totó quanto tempo quiser, afinal, nós temos todo o tempo do mundo.
Rolei os olhos. Ele entendeu errado, mas que se dane, pois eu não iria explicar e expor meus sentimentos.
— Será que temos? — Rose arqueou uma sobrancelha. — Afinal, se tornou humana. — ela franziu o cenho. — Você descobriu mais alguma coisa anormal sobre você, ?
— Bem — engoli em seco. Eu não podia revelar as coisas que soube com o Guia, isso geraria apenas mais questionamentos que eu não poderia responder. — Apenas que mantive as capacidades vampirescas. Só isso.
Rose parecia desconfiada, mas antes que perguntasse alguma coisa, o som da porta do banheiro sendo escancarada chegou a nossos ouvidos, assim como as passadas de Rachel até seu quarto. Era questão de minutos até que ela se desse de cara com vampiros em sua cozinha.
— Acho melhor nós irmos — disse Emmett, baixamente. — Pelo que ouvi a irmã dele está por aí e acho que não será muito bom ela nos ver aqui.
— Sim, é verdade. Ela sabe sobre as histórias e tal, mas ainda é uma simples humana, com certeza morreria de medo. Ainda mais sem Jacob aqui.
— É mesmo, onde está o Fido? — perguntou Rose, curiosa. — Não que eu me importe, claro.
— Eu não sei, deve ter ido fazer a ronda ou resolver alguma coisa com a matilha. Agora vão! — expulsei, sem tempo para ser sutil.
Eles rolaram os olhos.
— Espere, venha conosco um momento — disse ela. — Trouxemos algumas coisas suas.
— E onde estão? — perguntei confusa, vendo que estavam sem nada.
— No carro — respondeu Emm. — Ele está um pouco afastado daqui, venha.
Acompanhei-os até onde o carro estava e não me surpreendi por ver o – quase nunca usado – monstruoso jipe de Emmett, já que era o único carro que ele gostava de dirigir. Ele rapidamente foi até o carro, tirou uma pequena mochila escura do banco de trás e jogou para mim.
— O que tem aqui? — perguntei.
Eles deram de ombros.
— Pensamos em te dar seu celular e notebook para o caso de querer conversar com a gente. Ah, Alice enfiou mais alguma coisa aí, mas não chegamos a ver o quê. Deve ser alguma roupa, pois ela insistiu dizendo que você “vai precisar” — respondeu ela.
Eu sorri. Seria bom mesmo manter contato com eles – tinha me esquecido disso quando fiz as malas.
— Tudo bem, a gente se vê maninha — Emmett me abraçou e beijou-me no topo da cabeça. Rose também me abraçou e logo os dois partiram naquele carro monstruoso pela estrada.
Abri a mochila para pegar o celular e meu desespero cresceu quando o peguei e vi a quantidade de mensagens e ligações perdidas de Oliver. Deus, se Jake ver isso me mata. Abri a mochila novamente e enfiei a mão para esconder o celular no fundo dela, quando senti algo me espetar. Estranhando, abri mais a mochila e arregalei os olhos ao ver lá dentro... o espelho de Ray.

Bem, lá estava eu. Sentada na cama com o pedaço de espelho nas mãos, mas o olhar para cima. Não tinha certeza se era o certo ainda usá-lo, sendo que nem mesmo meu era. Está certo que Ray morreu e consequentemente o objeto não tem dono nenhum, mas ainda sim.
Suspirei. Não seja boba, . Não há mal nenhum em dar uma olhada nele. Até por que esse é um dos raros momentos em que você está sozinha, já que Jacob ainda não chegou, Rachel foi para a casa de Paul e Billy foi assistir um jogo na casa de Charlie.
Respirei fundo. Ok, está certo, eu vou fazer isso.
Abaixei os olhos para meu reflexo no pequeno vidro quebrado em minhas mãos e assisti sua forma se transformar em outra, num outro cenário. E, mais uma vez, me vi surpresa com a imagem que o espelho exibia. Eu pensava que ele me mostraria Jacob ou Renesmee, mas ele me mostrou... minha mãe. Realmente, esse espelho viaja dentro de nosso coração para saber o que realmente queremos ver, pois nem minha mente tinha ideia de que era isso que eu veria.
Mas não era qualquer vista de minha mãe. Ela estava vestida de noiva. Lindamente vestida de noiva, sorrindo para seu reflexo no espelho com toda a felicidade que sentia.
— Acho que este tamanho está bom — murmurou ela, para uma mulher ao seu lado.
— Sim, ficou perfeito em você — respondeu a mulher. — Mas então, que dia será seu casamento?
— Dia 12 de novembro! — minha mãe respondeu, com um brilho lindo no olhar, mas um sorriso triste nos lábios.
Então o casamento de minha já seria daqui dois meses?
— Você não parece estar tão animada — respondeu a mulher, fazendo minha mãe franzir o cenho daquele jeito arrogante que herdei dela.
— Por que diz isso?
— Não sei... — a senhora a encarou, sorrindo levemente. — Parece que está faltando alguma coisa para sua felicidade estar completa. Um detalhe. Um importante detalhe, na verdade.
Minha mãe desmanchou sua pose de durona e olhou para baixo, enquanto engolia em seco, demonstrando o nervosismo repentino que sentia.
— É, não posso negar isso — murmurou, começando a tirar o vestido. — A senhora tem razão. Está faltando um importante detalhe em minha vida para minha felicidade se tornar completa.
— E o que é?
— Minha filha... — suspirou, como se estivesse desenterrando uma dor antiga... ou apenas demonstrando-a pela primeira vez.
— Por que? Ela mora em outro lugar?
Mamãe fechou os olhos e respirou fundo.
— Não, ela... morreu.
A senhora a encarou assustada e abaixou os olhos, parecendo arrependida de ter perguntado.
— Eu sinto muito — murmurou baixo. — Imagino como deve ser difícil.
— Muito — mamãe abriu os olhos e fitou o vazio. — Principalmente por que é como se eu sentisse a presença dela... não como nos filmes, em que os fantasmas ficam perto das pessoas e elas sentem... eu sinto a presença dela como se ela ainda estivesse viva nesse mundo... em algum lugar.
A senhora a encarou estranhamente, talvez pensando que minha mãe estivesse em algum estágio de depressão.
— Como ela morreu?
— Ela desapareceu... na época em que Seattle estava devastada com todos aqueles ataques.
— Entendo. Foi um período difícil para todos.
Minha mãe prendeu seus olhos ao vazio um instante, e eu pude visualizar seus pensamentos apenas por sua expressão neutra. Ela se culpava pelo que tinha acontecido a mim. Ela não admitia a ninguém além de si mesma, mas sentia que agira mal em não seguir o exemplo dos outros que partiram da cidade naquele tempo infernal.
— Não é sua culpa — sussurrei para o nada, de alguma forma desejando que as palavras chegassem aos seus ouvidos. — Era meu destino.
Minha mãe suspirou um baixo – e quase inaudível – “Oh ...” e seu cenário apagou-se, fazendo com que meu reflexo fosse tudo o que eu visse no espelho.

Os dias que se sucederam após a visita de Emmett e Rosalie foram tensos. Jacob era muito orgulhoso. Continuava com sua birra infantil contra mim, embora soubesse que estava errado. Sempre dizia que eu estava escolhendo o Guia a ele ao ter recusado suas caricias. E pior: questionando descaradamente meus sentimentos. Como eu também era muito orgulhosa, nossa briga sem sentido prolongou-se mais do que o esperado e o dia da cerimônia com o povo Quileute chegou enquanto ainda permanecíamos sem nos falar.
Ao menos uma coisa boa saía de tudo isso: meu progresso nos treinamentos. Agora era quase impossível Jake me mandar uma mensagem mental, ou o próprio Guia, pois eu aprendera a bloquear minha mente o tempo todo, tornando-a quase que completamente impenetrável. Bem, exceto quando dormia – o que fazia com que os treinamentos ainda se mantivessem extensos. Mas eu queria mesmo era encontrar Edward e assistir pretensiosamente sua reação ao não conseguir decifrar meus pensamentos – ele ficaria surpreso, espantado, desconfiado e, minimamente, admirado –, embora isso fosse gerar questionamentos infindáveis.
— Como vocês estão? — perguntou-me Billy, assim que surgi arrumada na sala, enquanto Jacob ainda resolvia alguns assuntos com o pessoal da matilha.
— Seu filho é um completo idiota — resmunguei, ajeitando meu vestido para distrair-me da raiva e frustração.
Billy riu.
— Más, então — concluiu. — Peço que tenha paciência com ele. Jacob é muito teimoso, orgulhoso... mas sempre há o momento em que ele retoma a razão e pensa claramente em suas atitudes. É uma das coisas que mais admiro nele.
Bufei.
— Bom mesmo que ele ceda primeiro, pois se esperar que eu abaixe a cabeça perante suas vontades, nosso relacionamento terminará de modo muito fácil, e sem nem mesmo arrependimentos por minha parte — murmurei, sentindo um tremor inevitável ao perceber a terrível verdade em minhas palavras. Oh, orgulho! Por que me é tão grande?
— Paciência — aconselhou, calmo. — A paciência é uma virtude admirada por todos, . Não tenha vergonha em tê-la.
Pensei em responder, mas me mantive quieta. Eu não tinha vergonha de ser calma e paciente. Era uma pura e simples questão de não conseguir ser, me toma muito esforço. Mas eu tentaria.
— Não devemos ir? — perguntei, cansada daquele assunto.
— Devemos esperar Jacob. Ele deve chegar ao lado de sua família e de sua destinada.
Revirei os olhos. Destinada...
— Que ele se apresse então. Odeio chegar atrasada — resmunguei e Billy riu. Ele sempre se divertia com minha raiva a Jacob. Mas se Jacob demonstrasse raiva a mim, ele o repreendia. Vá entender.
Como se tivesse sido convocado apenas por dizermos seu nome, Jacob surgiu na sala, mas sem me olhar.
— Vamos — murmurou seco, fazendo um sinal para sairmos da sala.
Fechando a cara, guiei a cadeira de Billy para fora em silêncio. Saímos da varanda e eu continuei empurrando a cadeira de Billy calada, recusando-me a trocar uma palavra com Jake, ou sequer olhá-lo, enquanto seguia o caminho da trilha que nos levava a praia na qual aconteceria a cerimônia. Ele caminhava ao meu lado também em silêncio, preferindo olhar para o chão. Era um silêncio desconfortável e tenso, eu até que me sentia culpada por Billy ter de fazer parte dele.
Assim que chegamos a praia, fomos recebidos por uma comissão de boas-vindas inesperada, com várias pessoas desconhecidas gritando vivas e rindo. Pareciam gostar da novidade, embora Jacob fosse demasiado jovem para liderar um conselho.
— Oh! Chegou nosso homenageado! — o velho Ateara gritou com sua voz fraca, parecendo estar usando todo seu estoque de ar. — Deem as boas-vindas e os parabéns ao seu mais novo líder, meu povo! Jacob Black, neto do honrável Emphraim Black!
Jacob sorriu para as pessoas que o cumprimentavam, mas não era o sorriso que todos que o conheciam estavam acostumados. Era um sorriso automático, totalmente errado em seu rosto e irreal para sua personalidade espontânea. Senti-me culpada por isso, então me mantive afastada o tempo todo, apenas ficando ao lado de Billy e Sue, enquanto Jacob era homenageado a noite inteira.
Após a cerimônia de celebração que fizeram para declará-lo finalmente o líder, todos começaram a beber em comemoração e fogos foram lançados ao céu. Eu estava tão indiferente a tudo, que mal fiz parte das comemorações, apenas concentrando-me na areia que meus pés brincavam distraidamente e no pedaço de bolo quase intocado que Sue me forçara a pegar.
Eu devia estar mesmo sendo injusta com Jacob, para ele chegar ao ponto de não sorrir daquele jeito iluminador de sempre. Em nenhuma de nossas brigas ele agiu assim. Na verdade, ele costumava me provocar e esquecer todas as discussões e a briga terminava antes mesmo de se tornar grave... mas esta estava seguindo um percurso perigosamente novo e diferente que me assustava. O que estaria por vir após isso? Uma renovação boa, onde as brigas nos farão nos conhecermos cada vez mais e desenvolver nosso relacionamento positivamente? Ou uma nova visão, desagradável, um do outro que nos levará ao fundo do poço? Eu não saberia responder, mas meu coração torcia com todas as forças que fosse a primeira opção.
Billy pigarreou para mim e eu, despertando de meus devaneios preocupados, levantei os olhos até ele. Ele parecia querer dizer alguma coisa, mas apenas disfarçou e embarcou numa conversa desinteressante com Sue. Não entendendo aquele seu ato, procurei Jacob com os olhos e os arregalei ao nota-lo rodeado de garotas quileutes.
O pedaço de bolo escorregou de minhas mãos, enquanto o choque e a fúria começavam a consumir minhas células. Minhas veias ferveram de raiva e minha face atingiu uma coloração avermelhada de pura fúria, mas eu permaneci olhando-o, analisando cada uma de suas expressões.
Eu tentando dar espaço a ele, sentindo-me culpada e ele ali recebendo os flertes das garotas de bom grado?! Pensei que estava comemorando com seus amigos, mas na verdade estava gastando seu tempo com garotas e me deixando sozinha? Oh Jacob Black, você está indo por um caminho muito perigoso. Muito perigoso.
Levantei-me determinadamente de meu lugar na pedra ao lado de Billy e bati a areia de meu vestido, mas com o olhar a todo momento fixado em Jacob... em como ele sorria insinuante para elas... em como elas flertavam abertamente com ele... em como umas o tocavam atrevidamente e ele não se importava... Céus, ele até parecia sorrir para que elas aprofundassem mais o toque!
Respirei fundo. Como Billy queria que eu tivesse paciência diante daquela cena ridícula?
... — Billy começou, num tom alarmado. Mas o ignorei e segui até onde Jacob estava.
Enquanto caminhava, puxei o vestido para baixo, revelando mais do decote aberto, ajeitei o sutiã para que empinasse ainda mais meus seios fartos e soltei os cabelos. Não tendo isso por suficiente, dobrei a barra do vestido para deixa-lo mais curto – quase que revelando minhas partes – e caminhei até ele desfilando pelo caminho entre os rapazes, que imediatamente atraíram seus olhares até mim. Era bom que eu surtira o efeito esperado.
Andei mais lentamente entre eles, saboreando os elogios desejosos que lançavam em minha direção. Pisquei para alguns e sorri maliciosamente, fazendo questão de demonstrar interesse, embora sentisse repulsa. Queria humilhar Jacob do mesmo modo que me humilhara, embora isso não fosse o mais sensato a se fazer.
Enquanto ria de algo que alguma das garotas dissera, Jacob levou seus olhos a frente e me avistou vindo de vagar até si. O sorriso se desmanchou de sua face e seus olhos faiscaram ao notar como eu estava vestida.
Ele levantou-se rapidamente e ameaçou correr furiosamente em minha direção, mas decidiu por me esperar chegar até seu encontro para agarrar-me o braço –provavelmente para evitar escândalo.
— O que está fazendo? — chiou em meu ouvido. — Está parecendo uma vadia!
Puxei meu braço com brusquidão e ergui o queixo, desafiando-o.
— É exatamente como você está me tratando — respondi. — Como uma mulher descartável, que não merece respeito.
— Oh ótimo, agora eu não estou te respeitando! — rosnou sarcasticamente. — Do que mais vai me acusar? Já me acusou de não deixar você cumprir seus deveres, de te desviar de suas responsabilidades, agora está dizendo que estou te desrespeitando?
— E vai negar? — desafiei, notando um tom mais alto dominar minha voz. — Você está claramente deixando essas vadias darem em cima de você, preferindo me deixar de lado a noite inteira por elas. É assim que diz gostar de mim? É assim que prova tudo o que sente?
— Eu não te traí — respondeu baixo. — E nem teria coragem, se é isso que pensa.
— Não foi o que me pareceu — insisti, lembrando-me das mãos atrevidas em seu corpo e sua indiferença quanto a isso.
Ele riu sarcasticamente.
— Você não tem moral para me acusar — respondeu. — Pensa que não vi as mensagens de Oliver em seu celular? As ligações perdidas? Você ainda não cortou seus laços com ele mesmo depois de tudo que vivemos! É assim que diz gostar de mim? É assim que prova tudo o que sente? — repetiu minhas palavras, sorrindo irônico.
Fiquei pasma. Como ele sabia das ligações e das mensagens?! Eu tinha apagado todas no mesmo dia que recebi o celular!
— Eu não tive contato com Oli...
— E o que são todas aquelas mensagens? Ele está louco por você e você não dá um basta nesse relacionamento! Quanto tempo vai continuar esperando? Até que ele apareça procurando por você e torne as coisas ainda piores?
— O que quer que eu faça?! — gritei, dando graças a Deus pelas músicas terem abafado minha voz. — Você tem um ciúme doentio dele! Como eu poderia me encontrar com ele e terminar tudo se a simples menção de seu nome já te deixa desse jeito?!
— Mande uma mensagem, um recado, qualquer coisa! Mas acabe com isso!
— Não sou tão insensível a ponto de terminar um relacionamento sem ser pessoalmente.
— Então admite que quer se encontrar com ele?
— AHH! — berrei frustrada. Queria bater nele na frente de todo mundo. — Você não quer que eu termine com ele, seu imbecil? Então terá de ser do MEU jeito, onde e quando EU quiser! — Agora eu atraía alguns olhares curiosos com os berros, assim como alguns comentários invejosos das putas que estavam com ele: “Como é escandalosa!”, “Ele merece coisa melhor”, “Ele agora é uma pessoa honrável, precisa de alguém do seu nível”... e mais outras porcarias que me deixaram mais alterada do que já estava. — Vai continuar com essas atitudes ridículas e infantis por causa de minha decisão? Foda-se! Mas eu não vou ser submissa a você e cumprir seus caprichos idiotas apenas por esse ciúme sem sentido! — respirei fundo, sentindo também a decepção preencher o pequeno espaço não tomado de fúria em minha essência. — Eu nunca esperava uma reação dessas de você.
Antes que ele pudesse rebater minhas palavras, parti rapidamente dali, aproveitando para ajeitar minhas roupas de volta ao normal enquanto caminhava. Não gostava de me expor dessa forma, mas minha fúria sempre me fazia esquecer os princípios.
— Hey ! Nem falei com você ho... — Seth surgiu animado na minha frente, mas sem paciência, eu gritei um “Sai da minha frente!” e o empurrei para fora do caminho.
Ele me olhou incrédulo e confuso, mas o ignorei e continuei seguindo até a casa de Billy. Ah como eu queria ter outro lugar para ir! Queria ficar um mês inteiro sem ver a cara de Jacob!

Assim que cheguei ao quarto, agarrei o travesseiro e o apertei no rosto para abafar o grito estridente que queria dar. Eu queria tê-lo gritado naquela festa. Eu queria fazê-lo passar uma vergonha que jamais esqueceria. Mas me contive por Billy, seria muito desrespeito com ele e com o povo quileute. Mas que eu queria, ah como queria!
Ah, e como queria destruir os móveis daquele quarto! Como queria quebrar cada objeto com o cheiro dele, ah Deus, como eu queria! Mas, mais uma vez, contive meus impulsos revoltados e apenas me contentei e jogar o travesseiro com toda a força de volta ao colchão.
Senti uma lágrima de ódio deslizar por minha face e mais do que rápido a tirei dali. Odiava chorar de raiva. Isso era a prova perfeita de alguém que não conseguiu descontar sua frustrações de modo digno. O motivo mais desprezível para choro, com toda certeza...
Voltei meus olhos para a janela e observei a lua, implorando para que me desse forças e a paciência que Billy me pedira. Parecia ser tão inalcançável para mim – principalmente naquele instante. Mas, de alguma forma, era como se a lua alimentasse minhas vontades e desejos como se fosse sua filha e ela uma mãe coruja – eu não entendia bem esse sentimento, mas costumava recorrer a essa enorme esfera prateada nos momentos difíceis, como se ela fosse minha fonte de determinação, fonte de forças.
Ouvi passadas ao lado de fora e franzi o cenho, tirando minha atenção da preciosa lua. Tudo que eu queria agora era ficar sozinha e aparece alguém? Provavelmente é Seth, com aquela curiosidade mórbida que muitas vezes irrita.
— Vá embora, Seth! — gritei quando ouvi os passos dentro da casa.
— Não é o Seth — a voz rouca e familiar disse e eu tranquei a mandíbula ao ver Jacob aparecendo na porta do quarto.
Ele não percebia que era a ultima pessoa que eu queria ver?
Olhei para sua face e fiz questão de deixar visível cada fibra de fúria em meu corpo cintilando em seus pensamentos. Oh que ele soubesse! Que soubesse o quanto feriu meu orgulho essa noite, o quanto me fizera odiá-lo... Mas ele não parecia se importar, ou era isso que minha mente concluía com sua expressão neutra e mascarada.
— Olha, Jake, eu nã-
Ele me interrompeu. E seu ato foi tão inesperado que não tive nem tempo de formular uma reação. Seus lábios estavam impressos nos meus e suas mãos forçavam nossos rostos a não se desgrudarem num ato possessivo e apaixonado.
Eu poderia empurrá-lo, gritar a bater nele... mas não consegui. No momento que seus lábios tocaram os meus, toda a fúria se dissipou e tudo que restou foi a saudade que tinha de tê-lo novamente para mim, o desejo insaciável que fiz questão de manter adormecido essa semana. Ah como meus lábios ansiavam aquele toque doce e quente... Ah como eu ansiava aquelas sensações em meu corpo!
Como posso ser tão dependente de alguém assim?
Jake separou nossos lábios, mas continuava com suas mãos firmes em meu rosto. Sua respiração ainda estava ofegante quando começou a contornar minha face com beijos ternos.
— Deus... como senti sua falta — sussurrou contra minha bochecha, parecendo dizer a si próprio. — Eu te amo tanto...
Eu não conseguia responder. Não queria responder. Apenas queria esquecer tudo e sentir seu corpo no meu uma vez mais... Seus toques em minha pele, nossas respirações se misturando, o lençol se encharcando com nosso suor... Deus, eu amava tudo aquilo. Cada segundo daquilo.
— Desculpe, desculpe, desculpe... — murmurava continuamente, conforme seus lábios desciam por minha jugular e suas mãos por minha cintura. — Eu estava errado.
Oh! Que palavras lindas! É tão bom para uma mulher ouvir essas três palavrinhas mágicas... Eu nem conseguia mais encontrar motivos para continuar com raiva dele, ou para manter meu orgulho ainda vivo... parecia ações insanas por nossa parte, ou delirante, mas era apenas nós perdidos no ardor daquele amor surreal.
Eu continuei quieta, apenas sentindo seus lábios descerem para meu ombro e ele abaixando uma alça de meu vestido para ter mais acesso a ele. Lacei meus dedos nos fios negros de sua nuca e apertei os lábios ao sentir seus lábios úmidos chegarem ao meu busto e escorregarem para o vão entre meus seios.
Ele parecia tímido em suas ações, ou apenas cauteloso. Era como se não tivesse certeza se tinha permissão de continuar. E esse pensamento se concluiu quando ele voltou seu rosto ao meu com um olhar implorativo, como se lhe causasse dor ter que parar, mesmo que estivesse determinado a cumprir minha vontade.
— Diga que me perdoa — implorou, raspando nossos lábios tentadoramente.
Eu não entendia por que estava quieta até agora, por que não havia esboçado uma reação sequer... mas continuava assim.
— Eu não me importo se você for se encontrar com Oliver, não me importo que você tenha amigos masculinos que te desejam, apenas não me recuse novamente — murmurou e eu senti meu coração se torcer. — Não suporto ficar sem você.
Segurei sua face entre minhas mãos e olhei dentro de seus olhos.
— Nunca ficará sem mim — prometi e o beijei. O desejo despertou novamente em suas ações e suas mãos firmes deslizaram até minha coxa para erguer-me em seu colo e pousar-me na cama.
Não havia como negar a mim mesma o quanto eu estava entregue àquele homem. Ele fazia eu me desconhecer, me perder na paixão, deixar os princípios de lado apenas para ceder-lhe o amor. Cada dia mais eu me tornava ciente daquele poder que ele exercia sobre mim e não admitia, mas agora não havia nem mesmo como negar.
Assim que ele cruzara aquela porta e atravessara o quarto para me beijar, tudo ficou de lado e apenas ele importava. E quando ele me tomou em seus braços e fez amor comigo naquela cama, eu percebi que pra sempre estaria laçada em seus braços, não importasse o que acontecesse, não importasse o que eu pensava. Eu o amava demais.

A semana passou-se rápido depois de nossa reconciliação. Agora sabíamos resolver as coisas de um modo mais sensato e quase não brigávamos mais. Quase.
Billy nos dera um sermão quando chegou da cerimonia, dizendo que foi errado de nossa parte abandonar a celebração. Mas nós sabíamos que ele entendia nossa situação e não nos julgava verdadeiramente, mas apenas para cumprir seu papel de membro do conselho, então ignorávamos. Ele estava feliz por nós. Pois, mesmo que não admitisse, ele era o que mais sofria com nossas brigas, tendo que aguentar as reclamações um do outro em seus ouvidos.
Enfim... Tudo estava bem de novo. Exceto por uma coisa: Renesmee. Hoje era o dia que ela partiria. Eu tinha prometido ir um dia antes, mas resolvi ir na ultima hora para apoiar os Cullen caso de nada adiantasse nossa conversa e ela partisse do mesmo modo.
Jacob insistira em vir junto, mas eu o convencera de que seria melhor que não participasse disso. Ela já estava magoada demais com a escolha dele, não precisávamos esfrega-la em sua cara. Então, relutantemente, ele concordou – para meu alivio, pois sentia-me cansada demais para continuar discutindo.
Jacob me levara até perto da mansão em sua moto, pois eu sentia-me um pouco preguiçosa ultimamente e não queria correr até lá – mas também por ele ter insistido demais.
— Tem certeza de que quer fazer isso sozinha? — perguntou, assim que desci da moto.
— É necessário que eu faça sozinha — insisti, segurando sua face entre minhas mãos e dando-lhe um beijo. Era para ser um curto beijo de despedida, mas tornou-se ardentemente demais sem que percebêssemos. Estávamos tomados por um desejo tão imenso após nossa reconciliação que Rachel e Billy mal aguentavam ficar em casa. — Ok... eu tenho que ir, antes que seja tarde.
— É — murmurou, dando-me um ultimo selinho. — Qualquer coisa é só me chamar, estarei por perto. Mas não se preocupe, não será o suficiente para que Nessie me perceba... Enfim, boa sorte.
— Obrigada — murmurei e, quando estava para me afastar, ele puxou-me de volta e roubou-me outro beijo ardente, fazendo-me afastar-me com as pernas bambas e completamente indisposta. Idiota.
Gargalhando de como me deixara, ele zuniu com sua moto pela estrada, enquanto eu bufava e tentava me arrumar para parecer pelo menos decente. Ok, é a hora de enfrentar a fera... ou seria monstro do lago Ness?

N/A: Ok, ok, podem me criticar a vontade nos comentários! Eu sei muito bem o quanto esse hiatos foi excessivamente longo, mas me perdoem! Eu não tive intenção de fazer isso para castiga-las (embora muitas vezes a ideia fosse tentadora pela falta surpreendente de comentários), o motivo foi simples: falta de tempo e inspiração. A falta de inspiração não foi tão grave dessa vez, a única coisa que conspirava contra, era que quando eu não tinha tempo ela surgia, e quando eu tinha tempo ela sumia. Então eu fui aproveitando os pequenos momentos que ela surgia (mesmo que não fosse nos melhores momentos) e ia escrevendo alguma coisa, sempre acrescentando trechos e mais trechos até o capítulo se formar. E confesso que o resultado foi surpreendente!
Gostei do que saiu (sim, podem cantar o coro de aleluia). Não era o que eu tinha planejado, eu confesso. O ideal seria já dar um grande passo na história, mas as coisas acabaram por saírem desse modo, o que não é de todo ruim, não? Espero que gostem tanto quanto eu!
O próximo capítulo eu creio que sairá mais rápido que este, então não se preocupem.
Falando do capítulo agora, eu apenas peço que tenham paciência com o casal por terem tantas brigas... Mas para um relacionamento progredir ele tem que passar por situações ruins também, não? Afinal, vocês preferem essas brigas ou uma vadia aparecendo para separá-los? Alguma coisa tem que ser! UHAUHAUAHUA
Agora vou ficando por aqui, pedindo apenas que façam comentários grandes, com tudo o que pensaram sobre esse capítulo... o que me dizem? Estou pedindo de mais? Não sejam cruéis, ta! Eu posso ser pior! Muahahaha kkk brincadeira. Mas escrevam bastante, ok? Não se intimidem, eu amo tudo o que vocês dizem sobre a fic!
Enfim.. Deu minha hora, já falei demais.
Ah! As novas leitoras sejam muito bem-vindas, me animei muito com a presença de vocês! xD Continuem por aqui, ok?
Agora sim: Bye amores e até a próxima att!


45. Marco feliz

Enquanto caminhava pela aquela trilha tão conhecida e marcada em meus pensamentos, ocupei-me em manter o toque de meus pés contra o chão tão leves e silenciosos que poderiam se comparar ao toque de uma pluma. Não poderia deixar que percebessem minha presença, tinha de estar sozinha com Ness para finalmente resolvermos tudo.
O chalé logo tornou-se visível conforme eu continuava a seguir o caminho ao lado da mansão, guiando-me pelo delicado e ritmado batuque acelerado do coração de Ness. Ela estava sozinha. Eu não ouvia nenhuma respiração artificial de um vampiro naquela pequenina casa... apenas a pulsação firme dela e sua respiração condensada, acompanhada de movimentos bruscos e ligeiros. Ela provavelmente devia estar descontando sua frustração em alguma coisa.
Prendi a respiração e entrei o mais delicadamente possível pela janela. Ela parou abruptamente seus movimentos por um segundo – permaneci imóvel –, mas ignorou o que pensou ter ouvido – reprimi um suspiro aliviado.
Caminhei pelo corredor até seu quarto o mais silenciosamente que conseguia e soltei a respiração ao avistá-la arrumando suas coisas para a viagem, dobrando suas roupas bruscamente e socando-as nas malas. Porém, ao soar de minha respiração unindo-se a sua naquele pequeno ambiente, ela virou-se repentinamente em minha direção e arregalou os olhos ao me ver.
— O que faz aqui? — perguntou, mais espantada do que furiosa. Eu não saberia dizer se isso era um bom ou mau sinal.
Adentrei o quarto cautelosamente e abracei os braços, como que para demonstrar a ela que não queria ameaça-la de nenhuma forma.
— Vim falar com você — murmurei.
Ela recuperou-se rapidamente do choque e estreitou os olhos em raiva.
— Falar o que? O quão perfeito é seu relacionamento com o... Jacob?
Estremeci com o esforço que ela fez para dizer o nome de Jake. Pelo visto, ela realmente gostava dele e ainda não tinha superado nada – isso ia ser difícil.
— Eu vim lhe pedir uma chance de me explicar — respondi, ela riu sarcasticamente e eu prossegui antes que soltasse um comentário irônico. — Esqueça tudo que vivemos nessas últimas semanas e pense apenas no nosso antigo relacionamento. No quão amigas fomos... Pense assim, para que esteja mais propensa a ouvir o que tenho a dizer.
Ela franziu o cenho, mas permaneceu quieta, tomei isso como um consentimento.
— Sei que é muito difícil para você, estar aqui comigo, mas saiba que eu não estaria fazendo isso se realmente não fosse necessário... para nós duas. — suspirei. — Bem... — respirei fundo. Ela permanecia em silencio, eu tinha que começar. — No começo... quando eu descobri minha atração por ele, eu fiz de tudo para evita-lo, para não tomar o amor que pertencia a você por direito... — achei melhor não dizer o nome de Jake. — Depois que descobrimos nossa atração, eu juro, nunca mais tivemos nada. Apenas uma recaída na escola, mas depois disso nunca mais. — respirei fundo, ela começava a perder a paciência. — Mas... quando eu voltei a vida. Quando voltei a ser humana... Assim que nos vimos, Ness — fixei meus olhos nos seus, para que percebesse toda minha sinceridade. — Tudo mudou.
— Não me chame de Ness — murmurou, tentando soar brava, mas eu percebia o que ela tinha passado de furiosa para receosa.
— Nós sofremos um imprint naquele dia — murmurei.
— Mentira! — cuspiu, tomando de volta toda sua fúria latente. — Ele já tinha um imprint comigo, não havia modo de ter outro com você!
— Acredite, eu jamais mentiria para você — disse calma, mas agora ela permanecia furiosa.
— Oh, não? — ela sorriu ironicamente. — Então por que nunca me contou sobre vocês dois?
— Ocultar a verdade não é a mesma coisa que mentir. Provavelmente, se você me perguntasse sobre nós eu não conseguiria dizer nada além da verdade.
Ela estava frustrada e indecisa, eu percebia. Porém, conforme andava pelo quarto ajeitando os cabelos e respirando rápido, pude ver o brilho da antiga Nessie querendo dominá-la e fazê-la confiar em mim novamente... embora a nova Ness tentasse reprimi-la.
— Ok, prossiga com essa sua ficção bem elaborada.
Suspirei.
— O imprint que tivemos anulou o seu, então ele não se sente mais ligado a você, Ness. Ele ainda te ama, isso eu posso garantir, por que eu também te amo muito... Mas agora ele não é mais tão dependente da sua felicidade como antes. Agora, o que ele sente é apenas... um amor fraternal que nunca mudará ou deixará de existir.
Ela queria gritar alguma coisa, mas a falta de palavras a acertou inesperadamente e tudo o que fez foi... grunhir e se sentar para chorar. Sim, ela percebia a verdade em minhas palavras, mas uma parte de si ainda não queria aceita-las. Mas por qual outro motivo Jake a rejeitaria por mim e ficaria semanas sem nem mesmo vir vê-la? Ela não podia negar os fatos que estão diante de seus olhos.
— E sabe por que sou eu e não você? — perguntei. Me perdoe, Guia, mas tenho que fazer isso. — Por que o imprint que acontece com os lobos quileutes é, nada mais que, um reconhecimento de almas. Eu sou a alma gêmea de Jake, sempre fui. Mas quando tive minha alma condenada por ter sido transformada em vampira, Jacob teve que tomar como imprint apenas uma alma que reconheceu do seu passado... não sua alma gêmea, mas uma que ele compartilhou momentos em uma vida passada... E essa alma era você. — ela estava em choque. Realmente acreditava em mim. — Por isso ainda tínhamos atração, Ness, mesmo comigo vampira. Por que, com o feitiço, eu mantive metade de minha alma aprisionada no corpo e com isso ele pode sentir algo por mim e vice versa. E quando... quando eu voltei a vida, minha alma estava inteira novamente... então...
— Ele sofreu seu verdadeiro imprint — completou ela, deduzindo a dolorosa verdade. Ela soluçou um instante e desabou na cama, tentando acalmar-se e limpar as lágrimas. — Mas não entendo como você possa saber disso... é algo muito complexo para ser apenas uma teoria.
— Não é uma teoria — disse firme. — É um fato. Só não posso dizer como sei.
Ela não me olhava. Estava arrasada, mas nem por isso fazia menção de me fitar. Seu olhar contemplava o nada, enquanto seu coração batia num ritmo frenético e suas lágrimas insistiam de cair por sua belíssima pele rosada. Doía-me o coração vê-la daquele jeito e não poder confortá-la.
— Você irá me perdoar... algum dia? — não resisti. Seu silencio estava me matando, eu tinha que perguntar.
Ela hesitou.
— Não sei... eu sinceramente não sei, — respondeu, como se estivesse cansada. — Uma parte de mim quer te odiar com todas as forças, mas uma outra parte me impede de fazer isso... como se... como se fosse impossível te odiar.
— Então você não me odeia? — tentei manter a cautela, mas estava tão feliz com aquilo que não pude conter o meio sorriso.
— Não. Mas também não gosto mais de você — disse, fechando os olhos. — Não como antes. Eu te amava muito, respeitava, admirava... mas depois disso, tudo se dissipou e eu não sinto... nada a seu respeito.
— Nada? — minha voz falhou. — Nem mesmo rancor?
— Eu senti no começo. Senti raiva, ódio... Mas depois alguma coisa dentro de mim me impediu de continuar sentindo tudo isso... então meus sentimentos a você se resumiram a simplesmente nada.
Era como uma punhalada no estômago, muito mais forte do que quando eu pensei que ela me odiava. Ela ainda era importante para mim e não significar nada para ela era doloroso demais para digerir.
— E... Jake?
Ela estremeceu com o nome e fechou os olhos.
— Eu ainda o amo — confessou, com a voz dolorida. — Tento sentir raiva, mas não consigo. Ele preferiu você, mas não consigo odiá-lo por isso.
— Isso é normal, Ness — fui para tocá-la, mas me mantive em meu lugar. — Quando o amor é forte demais, ele se mantem até mesmo quando não o queremos.
Ela me ignorou.
— Eu ainda vou embora — murmurou. — Essa conversa não muda minha decisão.
Suspirei. De qualquer forma, eu já esperava por isto. Estava triste, mas também estava orgulhosa por ela não ter se comportado como uma garotinha qualquer que teve seu coração partido. Ela foi madura. Me ouviu mesmo odiando, tentou se controlar, se manteve firme e compreendeu tudo, mesmo ainda arrasada.
— Entendo — murmurei. Queria abraça-la em despedida, mas sabia que não tinha esse direito. — Quanto tempo ficará...
— Não sei — respirou fundo. — Quanto tempo for necessário para... esquecer. E superar.
— Estou orgulhosa da sua decisão. Está sendo madura — reconheci.
— É o mínimo que posso fazer agora. Jamais atrapalharia o relacionamento de vocês, já que essa foi a decisão dele... então o que me resta é partir e tentar recomeçar.
Não consegui resistir, ajoelhei-me na cama e a abracei. Ela ficou tensa, mas eu apenas a apertei em meus braços e deixei uma lágrima deslizar por minha face. Eu não fazia ideia do quanto sentia falta dela, do quanto ela era preciosa para mim desde a infância. Como uma irmã, como uma... filha. Era como se tudo estivesse completo com ela junto a mim, além de Jake. E esse sentimento se mantinha ainda mais forte neste momento, eu só não sabia dizer por que.
Ela relaxou um pouco e se permitiu ser abraçada, mas logo me afastou. Ainda era cedo para isso, cedo para perdoar.
— Acho melhor você ir — murmurou. — Tenho que terminar de arrumar minhas coisas, vou partir hoje a noite.
— Oh, sim — respondi, limpando a lágrima de meu rosto. — Desejo uma boa viagem.
— Obrigada — respondeu indiferente, voltando a arrumar sua mala quase pronta. — E adeus, .
— Adeus, Renesmee — respondi, encaminhando-me para fora do quarto. Por que essa despedida doía tanto?
Assim que postei-me para fora do chalé, inesperadamente alguma coisa se chocou contra mim e me mandou direto para o chão. Surpresa, apenas reuni todo o meu poder para acabar com o ser... quando vi quem era.
?! — Edward pareceu surpreso e levantou-se rapidamente de cima de mim. — Espera... Era você que estava aqui com Nessie?
Levantei-me mal humorada com o tombo e limpei a roupa suja de terra. Por que esse imbecil fez isso?
— É claro, seu idiota! E por que me derrubou?
— Achei que fosse uma feiticeira, não consegui ouvir seus pensamentos — respondeu, parecendo constrangido com sua atitude impulsiva.
— Oh — exclamei, entendendo. Depois sorri pretensiosamente. — Não consegue ouvir meus pensamentos?
— Você pediu para Bella te bloquear para falar com Ness? — ele pareceu espantado. — Mas ela nunca permitiria que conversassem sozinhas! Além do mais, eu estive ao lado dela o tempo to... — Pareceu que finalmente a ficha tinha caído e ele tinha percebido. — Não pode ser.
Sorri.
— Oh, pode ser sim.
— Como isso é possível?
— Digamos que eu aprendi uns truques nesses últimos tempos.
— Isso tem a haver com você voltar a ser humana?
— Hm... não — respondi, sorrindo com a tortura que estava lhe causando. Ele era muito curioso, não conseguia ficar sem saber alguma coisa por muito tempo. — Quando chegar a hora eu te conto.
— Como assim? Por que não pode me contar agora?
— Por que você nem mesmo me deu um abraço, seu bobão, eu estava com saudades! — reclamei para desviar do assunto, abrindo os braços para que ele me abraçasse.
Ele sorriu torto e me abraçou. Oh, como senti falta do meu irmão querido! Até do cheirinho doce de sua pele eu senti falta – céus, ainda bem que ele não ouve mais meus pensamentos, isso seria constrangedor.
— Também senti sua falta — murmurou. — Mas ainda quero saber como consegue bloquear seus pensamentos.
— AH! — grunhi irritada, empurrando-o. Não se pode mesmo driblar essa curiosidade mórbida dele? — Não posso contar agora, quando chegar a hora você saberá, seu chato!
— Palhaça — devolveu. — Faz isso de propósito, só para me deixar curioso.
Revirei os olhos.
— Olha, esqueça isso, logo você entenderá.
Bufou.
— Vamos para a mansão? — perguntou, indicando a trilha. — Os outros também estão com saudades.
— Oh... — respirei fundo. — Jake está me esperando e Nessie ainda está aqui, então é melhor eu ir.
Ele fez careta, parecendo não gostar muito de me ver partir novamente.
— Entendo. Mas voltará quando Nessie partir? Ela... ela vai embora hoje.
Céus, como ele estava triste. Queria ficar para confortá-lo, mas o melhor seria ir embora mesmo.
— Sim, isso eu garanto — murmurei. — Agora tenho que ir — O abracei fortemente pelo pescoço e beijei sua bochecha. Ele beijou o topo de minha cabeça e nos afastou. — Até mais, maninho.
— Até.

Droga, eu estava carente. Desde que Jake passou a fazer parte do conselho e a liderar o povo, ele teve de assumir tantas responsabilidades na Reserva que nós mal nos víamos. Ou melhor: nos víamos apenas de noite, quando eu estava morrendo de sono e comprometida a treinar nos sonhos. O ruim era que agora ele respeitava minhas responsabilidades, então, para ser mais exata, estávamos na seca.
Eu tentava me focar em coisas mais simples durante o dia para não me lembrar de nossos momentos ardentes, mas era tão difícil. Como agora mesmo... eu estava pensando na partida de Renesmee e mais do que logo meus pensamentos se retornaram a Jake. Ok, vamos tentar voltar ao ponto anterior.
Renesmee foi embora naquele dia e prometeu aos Cullen que se tornaria uma pessoa melhor nessa viagem, onde recomeçaria sua vida do zero e faria de tudo para encontrar a felicidade. Bella decidiu ficar, pois percebeu que a filha estava melhor para continuar sozinha – mas eu bem sabia que ela só tinha ficado, pois Ed não supriu seus caprichos de acompanha-la. Emmett e Rosalie mais do que rápido me chamaram para voltar para casa, mas Jake também foi rápido e me tomou o telefone, dizendo que eu ficaria mais algumas semanas. Mas do que adiantou, afinal? Nós nem podemos aproveitar esse tempo!
Droga, meus pensamentos voltaram para ele de novo... Ok, vamos procurar algo para se distrair, , pois você já não pode mais confiar na sua mente.
Fui até minha mochila e peguei o notebook que Emm e Rose trouxeram para mim naquele dia. Eu nem mesmo o tinha tirado da bolsa, já que não o usara uma vez sequer.
? — ouvi o chamado de Billy pelo corredor e as rodas de sua cadeira se arrastando no piso de madeira. Levantei os olhos até a porta.
— Sim, Billy? — respondi.
— Estou indo para a casa de Sue e Rachel foi para a de Paul. Pode vir comigo se quiser, mas Jake disse que já está terminando de resolver as coisas no conselho e logo virá para cá.
— Não, obrigada, posso aguentar um tempo sozinha — sorri. — Mas Billy, por que você não vai mais ás reuniões do conselho? — perguntei confusa.
Ele sorriu.
— Acontece que agora Jacob é o representante da família Black, não preciso mais estar lá.
— Ah — murmurei. — Então o que fará para se entreter? Devia arrumar uma namorada.
Ele gargalhou alto. Não entendi qual a graça.
— Já passei da idade, — respondeu, depois de uma longa sessão de risos descontrolados.
— Nunca é tarde — arqueei uma sobrancelha.
— Você é absurda mesmo — ele riu. — Mas vou te contar uma coisa... Se Charlie não estivesse no caminho... as coisas podiam acontecer do modo como você está insinuando.
Franzi o cenho.
— Do que está falando? — perguntei confusa. — O que Charlie tem a ver com você arrumar uma namorada?
— Já disse. Ele está no caminho — fez careta, enquanto saía do quarto. — Mas ainda não levou a melhor — murmurou baixo, não percebendo que eu podia ouvir todas suas palavras mesmo se sussurrasse. Ri baixo; Billy era uma comédia. Provavelmente ele e Charlie estavam disputando a atenção de Sue.
Parando de rir, abri o notebook numa página qualquer de notícias e comecei a ver o que rolava no mundo normal enquanto eu me mantinha presa no sobrenatural. Vamos ver... política, esporte... Aqui! Celebridades. O que estaria acontecendo com meu divo Tom Cruise? Faz tempo que não procuro nada sobre ele...
Cliquei na página sobre notícias de famosos e quase caí pra trás com a notícia que estampava quase toda a página. O título era: “John Baker volta a sua cidade natal e encontra o amor” e a foto era... de minha mãe com seu novo namorado – ou melhor: noivo. Rolei a página e li a notícia completa.
“John, o renomado empresário dos Estados Unidos e um dos mais ricos no mundo, no que seria um ato comum, decidiu retornar a sua cidade natal para reencontrar algum de seus amigos antigos. Mas ele encontrou algo muito melhor do que isso. Ele encontrou Joyce, sua paixão do colegial”.
Arregalei os olhos. Como assim paixão do colegial? Será que mamãe já namorou esse cara antes de papai? Balancei a cabeça para livrar-me de indagações e continuei lendo, mas ainda continuava assustada com as informações – meu futuro padrasto era milionário?!
“A história desse casal daria um ótimo filme de romance, pois os dois haviam se separado quando seguiram rumos diferentes na vida e depois de muito tempo conseguiram se encontrar novamente, com o amor ainda vivo em seus corações. Os dois já estão praticamente com o pé no altar agora, já que o casamento deles acontecerá ainda nessa semana, no dia 12. Pelo que descobrimos, eles planejam uma cerimônia simples à tarde, na Igreja do centro da cidade de Seattle, pois a esposa não quer nada extravagante por estar acostumada a coisas simples. Porém, o que a maioria dos vizinhos dela andam dizendo às nossas fontes, é que ela ainda está um pouco depressiva por perder o marido e a filha tragicamente, então está receosa quanto a essa nova “felicidade” posta a sua frente. Mas o que podemos garantir? São só boatos. Temos certeza de que esse antigo amor resultará muito bem para ambos.”
Franzi o cenho para o resto da notícia. Este jornalista estava idealizando demais os dois. Ele não sabe de nada! Nem sequer citou meu pai, além de como “marido morto”. Ele tinha noção do quanto minha mãe o amava? É claro que não! E ele tinha noção se ela amava esse tal de John tanto assim? Também não! E esse infeliz ainda diz os boatos que “os vizinhos estão dizendo”. Como ele podia colocar boatos de pessoas não confiáveis assim na mídia, para todo mundo ver?
Respirei fundo para acalmar-me e reli a notícia, percebendo uma coisa que não tinha percebido antes e tomando um choque... a matéria já era um pouco antiga e... o casamento de minha mãe seria hoje.
Deixei o notebook de lado e recostei-me da cama, sentindo meu coração pesar. Um dos momentos mais importantes da vida de minha mãe e eu não estaria lá para presenciar sua felicidade... Céus, eu queria tanto vê-la novamente. Mesmo que fosse de relance. E bem... que mal teria?
Ela poderia te ver e nunca mais te esquecer – a voz do Guia preencheu-me os pensamentos e eu rolei os olhos. Lá vem ele se metendo na minha mente.
Bem, eu tentaria impedir que isso acontecesse – contra argumentei, como se tivesse que convencê-lo para decidir-me do que fazer. E eu quero muito vê-la outra vez, Guia.
Não estou contra você – murmurou docemente. Seu coração está clamando por isto e quem sou eu para ficar contra? Eu sorri. Eu desenvolvi uma amizade tão forte com ele, que agora mal conseguia me imaginar sem sua presença frequente e sua personalidade engraçada. Ele suspirou em meus pensamentos, com ar de seriedade. Além disso, estou com um pressentimento quanto a isto.
Bom ou ruim? – perguntei, surpresa e temerosa.
Não sei dizer. Mas você deve ir. Uma verdadeira guerreira tem que encarar tudo de frente, não importa quais consequências lhe resulte.
Assenti determinada e levantei da cama, já me dirigindo em direção à porta. Você tem razão! Eu vou até lá.
Ótimo, mas agora tenho que ir...
Por quê? Perguntei, mas tão logo pude ouvir os passos de Jake na varanda e entendi. Mas não só isso: me assustei também. O que eu faria? Como driblaria Jacob agora?
Ele me encarou confuso quando entrou, por me ver tão próxima da saída e com a expressão levemente perdida.
— Você vai sair? — perguntou confuso, arqueando uma sobrancelha.
— Hm... preciso ir à Seattle — respondi, pensando no que fazer exatamente. Dizer a verdade era uma opção? Eu ainda estava indecisa quanto a isto, mas também não queria mentir para ele.
— Fazer o que? — perguntou, com o cenho levemente franzido.
— Er... — balbuciei, pensando. Mentir ou não mentir? Mentir ou não mentir? Mentir ou não mentir?
— Que seja, posso levar você na moto, o tanque está cheio — deu de ombros, entrando de vez e colocando um embrulho em cima de uma mesinha, logo depois vindo até mim e dando-me um selinho. — Senti sua falta hoje.
— Eu me surpreenderia se não sentisse — sorri fechado, ainda pensando no que fazer. É claro que ele me ofereceria carona, já que me tornei meio preguiçosa ultimamente... mas não seria uma boa aceitar desta vez. — Mas Jake... eu prefiro ir sozinha.
Ele me olhou preocupado dessa vez.
— Por quê? Não tenho mais nada a fazer, posso acompanha-la... ou está querendo se ver livre de mim? — fez graça, mas seu riso saiu nervoso.
— Não... Não. — murmurei, abraçando sua cintura para confortá-lo. Seu aroma almíscar penetrou por minhas narinas e eu senti vontade de abraça-lo tão forte que nossos corpos poderiam se unir. — É que preciso fazer isso sozinha. Não posso dizer porque, mas... peço que confie em mim.
Ele me olhou tenso.
— Está indo ver Oliver? — perguntou e eu arregalei os olhos. Eu nem me lembrava que tinha que resolver isso também.
— Não! — neguei prontamente. — Não é Oliver. É... algo mais pessoal.
, você pode me contar — tocou minha face delicadamente, olhando-me ternamente. — Do mesmo modo que me pediu para confiar em você, peço que confie em mim e me conte o que está acontecendo.
— Eu preciso fazer isso sozinha.
— Por que acha que me contar mudará este fato?
Suspirei.
— É que você... é muito protetor. E eu não quero que tenha que me ver... tão no auge de minhas emoções. Isso machuca você.
— Do que está falando? — exigiu, extremamente preocupado agora. — Está dizendo que vai sofrer? Agora pode me contar, pois não vou deixar você sair até falar!
— Tudo bem — concordei, para tentar acalmá-lo. Eu tinha falado demais, agora ele me seguiria se eu não contasse a verdade. — É minha mãe.
Ele se espantou por um momento, mas logo se recompôs, fitando-me com cautela.
— O que tem ela?
Pigarrei, para tentar aliviar o nó na garganta.
— Ela... ela vai se casar hoje. Na verdade, o casamento está prestes a começar. E eu quero vê-la uma ultima vez. Quero ter certeza de que está feliz.
Ele me abraçou.
— Eu vou com você.
— Não! — o empurrei. — É exatamente por isso que eu não queria te contar! — aumentei a voz, percebendo que começava a ficar embargada. — Não quero que me veja naquele estado outra vez... não quero que me veja chorar novamente. Posso enfrentar tudo isso sozinha, precisa acreditar em mim e me deixar ir.
, não posso fazer isso...
— Por favor — implorei, segurando sua face entre minhas mãos. — Por favor, meu amor, eu preciso... Eu quero ir sozinha.
Ele me olhou por alguns segundos e assentiu, logo em seguida beijando-me ternamente, com confiança e carinho.
— Vou estar a postos. Se... se o que você sentir for insuportável, eu não vou conseguir me impedir... eu vou ir até você.
— Está bem — concordei. — Agora tenho que ir.
— Tudo bem — assentiu mais uma vez, como que para conformar a si mesmo. — Boa sorte — beijou-me novamente e eu parti.

Eu tinha corrido o caminho todo e, mesmo estando preguiçosa esses dias todos, não parei até chegar em Seattle. Eu sentia um borbulho em meu estômago, com a ansiedade latente de rever minha mãe fazendo-me até sentir vontade de vomitar. Mas meu coração palpitava alegremente, já sentindo a emoção querer me dominar antes mesmo de reencontrá-la.
Tomando fôlego, finalmente me afastei da floresta e botei os pés nas ruas de Seattle... Oh, Seattle... quanto tempo.
As coisas tinham mudado um pouco nestes cinco anos – as ruas estavam mais movimentadas, os centros públicos destruídos pelos vampiros foram reconstruídos e algumas novas atrações presenciavam naquele arredor –, mas quase tudo continuava do jeito que eu me lembrava antes de partir. Minha amada cidade... onde vivi, cresci e morri.
Você não é mais meu lar nesta minha nova vida, Seattle, mas jamais estará fora de minhas recordações.
Sorri com a visão dos lugares lembrados e pude notar alguns vislumbres de memórias em minha mente, de alguns momentos que vivi. Mas foi rápido. Pois assim que avistei a igreja, não consegui mais me manter admirando aquele lugar. Eu tinha vindo com outro propósito... e agora ele me retornara a mente.
Minha velocidade foi tanta atravessando a cidade que ninguém foi capaz de me ver, apenas me notaram já nos degraus da igreja, ainda pensando no que deveria realmente fazer. Seria certo isto? E se causasse problemas depois?
Você tem que arriscar. A voz forte de minha consciência gritou em meus pensamentos, encorajando-me o suficiente para que eu parasse de encarar meus pés e apertar os dedos na palma, quase perfurando a pele com as unhas. Respirei fundo e subi alguns degraus, levantando o olhar para finalmente vê-la... finalmente enxerga-la naquele vestido perolado, ao lado de seu novo amor... do homem que a ajudaria a reconstruir sua vida. A reconstruir seu espírito glorioso e feliz.
Franzi os lábios e controlei-me para não chorar, enquanto ouvia a voz do padre dizendo as palavras finais para marcar aquele início de vida. Aquela frase tão conhecida em livros e filmes... “pode beijar a noiva agora”. Confesso que foi estranho ver minha mãe beijando outro homem, mas ela parecia tão segura nos braços dele, tão envolvida com seus lábios nos seus, que tudo que senti foi sua felicidade inundando meu coração e trazendo-me orgulho. Ela conseguiu... ela cumpriu o que me prometeu. Superou por mim.
Assim que o beijo foi cortado, fui tomada por uma enorme surpresa quando minha mãe virou seus olhos até a porta da igreja e me avistou, logo arregalando os olhos e entreabrindo os lábios. Milhões de emoções cruzaram sua face e ninguém a não ser eu notava isso. Seu coração aumentou o ritmo do palpitar, mas ela continuava parada, me encarando com os olhos começando a ficar marejados.
Não dei tempo que ela me observasse por mais um segundo e, com o coração apertado, desapareci de sua visão com minha velocidade sobre-humana, escorando-me na parede da Igreja para me recompor minimamente e fugindo logo em seguida... Mas não antes de ouvi-la sussurrar:
— Eu sabia que você viria, filha. Adeus, minha querida.


N/A: Hey girls! Demorei com a att, mas foi menos tempo que da ultima vez, não? Espero que tenham gostado do que aconteceu nesse capítulo, pois eu me decepcionei com minhas descrições no final.. acho que não consegui passar a emoção que deveria ser passada naquele momento. Mas espero que, como sempre, vocês pensem o contrário de mim kkk’ Enfim, vamos falar sobre o capítulo?
Aposto que muitas de vocês se surpreenderam com as reações de Renesmee, mas não pensem assim da nossa monstrinha. Aqui ela é diferente. Ela é uma pessoa bondosa, só está ressentida por ter perdido seu maior amor, seu primeiro amor. Ela está aprendendo a lidar com isso, a superar, então não a julguem, ok?
E sabem por que ela se permitiu escutar a PP? Por que a antiga Ness ainda realça nela, a antiga ligação dela com a PP ainda é forte, então... ok, deixa eu me calar por aqui.
Agora vamos falar da mamis. O que vocês acharam? Foi sem graça, né? Enfim, eu queria ter passado toda a emoção que as duas sentiram ao se verem. Eu queria poder passar melhor as reações da mãe dela, mas não encontrei uma forma de fazer isso sendo que a narração é no ponto de vista da PP. Então apenas digo que a mãe dela finalmente aceitou o que aconteceu, conseguiu dar uma chance a si mesma de superar ao ver sua filha outra vez. No fundo ela queria apenas isso: revê-la. Assim como a PP, mesmo que fosse só de relance. Agora ela está pronta para seguir sua vida humana e guardar sua filha na memória e no coração. Mas aí fica a dúvida para vocês... será que a mãe dela considerou aquela aparição algo verdadeiro? Será que ela pensou que era um fantasma? Será que ela pensa que aquilo é uma prova de que a filha está viva? HUAHUAHUAH Vocês nunca saberão, assim como a PP. Apenas basta que ela tenha superado agora, ela é humana e não deve se misturar a esse mundo perigoso que a filha habita.
Hm, mas então, o que esperam do próximo capítulo? O Guia teve um pressentimento, não? Pois é, ele estava certo. Algo surpreendente vai acontecer e eu quero ouvir os palpites de vocês, ok? Se preparem que o próximo capítulo vai ser MUITO emocionante e vai acabar com a paz de todo mundo.
Enfim, vou ficando por aqui.
Beijoos girls, e não se esqueçam de comentar ;*


46. As Gêmeas

Eu não podia calcular exatamente o quanto estava abalada com a cena presenciada, mas de uma coisa eu tinha certeza: meu coração estava afogado em tristeza. Era uma tristeza estranha. Não era aquele tipo de tristeza que beirava o arrependimento e te fazia viajar em memórias inexistentes de como a vida poderia ter sido, se seus passos tivessem tomado outro curso. Na verdade, a tristeza que eu sentia era como se eu desejasse um fruto proibido, uma dádiva que sempre estaria fora de meu alcance e que por mais que eu desejasse a distância entre nós jamais seria diminuída. Era exatamente assim que eu me sentia. Eu desejava viver uma vida confortável ao lado de minha mãe, vendo-a ser feliz e contribuir em sua felicidade, todavia, não queria perder nenhum segundo do que vivi quando a perdi; não queria perder meu amor por Jacob, os momentos que passei ao lado de minha família vampírica e os novos amigos que fiz. Eu queria o melhor dos dois mundos mesmo sabendo que nunca poderia ter.
Ofeguei, sentindo o soluço se soltar por minha garganta num engasgo doloroso e clemente por oxigênio. Apertei a mão sobre os lábios e mantive o máximo que podia as lágrimas trancafiadas em meus olhos, impedidas de caírem, enquanto andava cegamente pelas ruas de Seattle, deixando apenas meu instinto interior me guiar por um caminho invisível.
Eu esbarrava em pessoas conforme apressava os passos abruptamente, mas ignorava por completo os murmúrios me recriminando e os olhares indagando. Eu queria estar longe de tudo. Queria ter um lugar vazio onde pudesse estar a sós com meus pensamentos para poder enxerga-los, poder entendê-los e, por fim, acalmá-los. Grunhi frustradamente, em meio à tristeza. Jacob provavelmente estava sentindo o que eu sentia, e meu coração esquentava só de pensar na preocupação que devia estar lhe causando – eu nunca quis ser um fardo tão grande para alguém, principalmente com momentos tão pessoais.
Suspirei e controlei um pouco a vontade de chorar, deixando apenas um riso amargo escapar. Mas o que eu pensava afinal? Não havia forma de quebrar essa ligação que temos e muito menos uma forma de exclui-lo destes momentos íntimos. Eu sabia que não devia privá-lo de enxergar minhas fraquezas, de ajudar-me, mas não conseguia deixa-lo me descobrir completamente quando algo assim acontecia. Desde que chorei a sua frente vendo minha mãe pelo espelho, eu senti-me exposta, frágil e indefesa. Apesar de ter gostado de seu abraço reconfortante, de sua compaixão e de seu amor fervilhando em centelhas pelo olhar ardoroso, eu não conseguia me impedir de sentir-me assim. Era uma proteção automática, uma barreira que construí entre mim e as pessoas para que elas não descobrissem minha dor quando meu pai morreu. Era errado, eu percebia, mas desconfiava que essa barreira fazia parte de quem eu era, de minha personalidade imutável.
Diminui o ritmo de meus pés e me abracei, tentando eu mesma me reconfortar e acabar com aquela fragilidade de uma vez. Já passamos por isto uma vez, . Pensei para mim mesma. Não se torne a chorona e emotiva novamente, você é forte, vai superar. E de preferencia logo. Agora. Neste momento. Vamos logo, pare!
Bufei. Até com meus sentimentos eu era teimosa, me recusando a sentir o que sinto. Mas ajudou. Agora eu estava mais calma, quase que normal. Parei de andar e recostei-me numa parede qualquer, sentindo o cansaço da tristeza cobrando as forças de meu corpo. Mas não só isso, eu estava começando a me sentir mal. Ok, acho que isso não tem a ver com minha curta crise emocional. Um borbulho ácido na boca de meu estômago surgiu e gradativamente aumentou, deixando-me um pouco tonta e trôpega, conforme tentava me escorar em alguma coisa. Senti a bile subir pela garganta e a tranquei para que nada mais subisse por ela.
Céus, será que estou doente? Não é de hoje que estou me sentindo mal, melhor me tornar mais atenta quanto a isto.
Coloquei a mão sobre a barriga, respirei fundo e inspirei, tentando amenizar o mal estar repentino. E funcionou. Tão rápido quanto veio o enjoo passou e eu pude levantar os olhos e finalmente encarar com clareza o lugar onde estava. Prendi a respiração e arregalei os olhos. Eu não estava num lugar qualquer. Estava em casa.
Soltei a respiração um minuto depois, começando a contemplar a fachada familiar de meu antigo e simples lar, e tentando controlar os pensamentos conturbados e cheios de memórias trazidos à mente. A casa estava exatamente como a deixei – pelo menos por fora. Os três degraus de concreto levando a entrada numa minúscula – e arrombável – porta de madeira de uma cor mogno e as janelas altas de vidro, com cortinas púrpuras de seda tampando a visão de dentro da casa. Suspirei e ergui o rosto para olhar para cima. A varanda. A pequena varanda de meu quarto, onde eu costumava ficar sentada lendo livros chatos e escutando músicas. Meu refúgio.
Fechei os olhos por um instante e sorri. Sabia que meus instintos me guiariam para onde eu deveria estar, para que eu pudesse fazer o que deveria fazer. E de súbito eu pude compreender o que tinha que fazer. Eu não fui guiada inconscientemente até aqui só para admirar meu antigo lar... fui guiada para me despedir. Despedir-me de uma vida que não me pertencia mais.
Abri os olhos e agachei-me tomando um impulso, logo saltando sobre a estreita varanda e observando se alguém na rua notou meu movimento sutil. Inclinei-me contra a porta de vidro que ligava meu quarto a varanda e toquei o trinco, sorrindo com as memórias recentes cruzando minha mente apenas com aquele toque familiar. Suspirei mais uma vez e quebrei o trinco, finalmente entrando... em minha antiga vida.
Fui tomada por um choque inicial quando não enxerguei minhas coisas do modo como estavam, encontrando apenas algumas caixas de papelão fechadas com minhas coisas. Somente minha antiga cama de madeira jazia sobre o quarto, mas o resto estava tudo empacotado, como se eu estivesse apenas de mudança. Franzi o cenho. Não esperava que minha mãe fizesse isso, já que não fizera quando meu pai falecera. Mas não importava. Pelo menos eu sabia que ela não daria e nem jogaria fora alguma daquelas coisas, tinha certeza disso.
Torci a barra de minha blusa e mordi o lábio inferior, enquanto observava os detalhes do quarto profundamente e tentava absorvê-los na memória... quando meu olhar pousou no espelho de minha penteadeira ainda no quarto, que estava repleto de fotos coladas. Hesitante, caminhei até lá, sentindo um aperto no peito a cada rosto que se tornava familiar conforme avistava. Minha mãe deveria ter colocado mais fotos ali, pois tinha uma considerável quantidade e eu ainda me lembrava de quando tinha roubado quase todas quando vampira para tentar recuperar um pouco da memória humana. Não adiantou muito na época, mas agora fazia uma grande diferença...
Uma foto minha com James, meu melhor amigo um ano mais velho, enquanto comemorávamos sua licença de motorista. Outra foto minha com Jolie, minha melhor amiga, quando estávamos distraídas comendo lanches num fast-food – provavelmente tirada por James. E várias outras fotos com vários outros amigos que se mudaram para fora de Seattle, mas que manteram contato todo o tempo... É verdade, eles haviam mantido contato, mas com o tempo a amizade foi se perdendo com a distância e meu começo de depressão contribuiu para que logo deixássemos nossa amizade de lado. Mas eu nunca os esqueceria, eles sempre seriam especiais e fariam parte de minha vida humana... numa época de felicidade. Quando eu aprendera a superar a morte de meu pai me divertindo com os amigos. Quando minha única preocupação era cuidar de minha mãe cabeça oca, em vez de treinar de modo medieval para lutar com inimigos que não conheço e proteger o mundo. Solucei e torci os lábios. Eram ótimos tempos. Se aqueles malditos vampiros não tivessem vindo para cá atrapalhar nossas vidas... tudo seria diferente. Eu teria me formado ao lado de meus amigos, teria cursado uma faculdade aqui mesmo para não deixar minha mãe irresponsável sozinha, teria me tornado uma chata crítica de livros e filmes de alguma revista da cidade... e talvez... sofreria meu imprint por Jacob... da maneira como deveria ter acontecido.
Sorri e toquei uma das fotos.
— Não. — murmurei para mim mesma. — Tudo aconteceu como deveria ter acontecido.
Fitei minhas expressões nas pequenas fotos ao lado dos amigos e familiares antes esquecidos, e notei o quanto parecia outra pessoa ali. No auge de minha vida humana. Agora eu havia amadurecido, fortalecido... e encontrado amor. As coisas mudaram completamente. Eu mudei.
Levei minha mão a uma foto minha com meu pai e minha mãe e inevitavelmente senti uma lágrima quente deslizar por meu rosto. Eu os amava tanto. Limpei a lágrima rapidamente e relutantemente deixei a foto, ainda tendo um conflito interno se deveria leva-la comigo ou não. Mas eu sabia que não deveria. Eu os amava muito sim, mas esta era uma despedida, eu não podia continuar mais mantendo os laços intactos como se nada tivesse mudado neste meio tempo.
Você pode levar se quiser, . Não há nada de errado em levar a foto para preservar os momentos vividos com sua família. O murmúrio suave do Guia preencheu meus ouvidos e, mesmo tentando ficar irritada por ele invadir minha mente, tudo que fiz foi suspirar e responder: Minhas lembranças são o suficiente.
Afastei-me das fotos e voltei rápido para a varanda, querendo sair logo dali para que não voltasse a chorar – afinal, agora me tornei consciente da presença do idiota do Guia, que tem a mania irritante de fuxicar nos meus pensamentos quando estou sozinha. Grunhi baixo enquanto pulava de volta para o chão e me indaguei por que ele não havia respondido a minha provocação ainda.
Guia? Chamei, estranhando seu silêncio. Guia, você está aí?
Antes que eu pudesse deduzir, logo compreendi o porquê de seu silêncio imediato. Eu não estava mais sozinha.
Contraí os músculos do corpo enquanto tentava decifrar a presença. Não, as presenças. Duas pessoas. Passos silenciosos, respirações longas e batimentos cardíacos absolutamente normais. Humanos, minha mente deduziu, mas não relaxei. Meu instinto guerreiro gritava para que eu mantivesse a guarda, pois sentia que aquilo não era normal. Eu não deveria me deixar enganar.
Permaneci parada conforme duas figuras idênticas entravam no meu campo de visão cautelosamente, como se estivessem calculando o que aquele nosso encontro resultaria, analisando precisamente cada uma de minhas expressões e reações. E acredito que não obtiveram tanto sucesso ao me analisar, pois minha expressão era uma só: calculista; e minha reação: indiferente, mas interiormente preparada para qualquer coisa que viesse.
Eram duas garotas loiras, de aparentemente 17 ou 18 anos, gêmeas, mas apesar de serem iguais, suas expressões, roupas e cabelos eram levemente singulares. Uma tinha o cabeço mais curto, num corte reto e quadrado, a outra tinha o cabelo mais longo, cheio e ondulado, e enquanto uma se mantinha num semblante levemente sério a outra se mantinha num misto de deboche e dúvida.
— Quem são vocês? — rosnei, aproximando-me lentamente de seus corpos, como uma felina prestes a dar o bote. — Estão procurando por mim, não estão?
— Es...tamos — respondeu a de cabelo curto, ainda com cautela. — Você é a ?
Foi rápido, elas nem mesmo tomaram uma das reações que eu calculava que fossem tomar. Seus corpos estavam firmemente prensados contra a parede de tijolos de minha casa, enquanto cada uma de minhas mãos as erguia num aperto firme ao redor de seus pescoços.
— Como sabem meu nome?! — rugi, deixando que cada fibra assustadora exalasse de meu corpo e as amedrontasse. — O que querem aqui?
— O que você está fazendo, sua maluca? — grunhiu a de cabelos longos, irritada mesmo sufocando. — Nos solte!
Estreitei os olhos e escutei o batuque alto de seus corações acelerados, assim como os pulmões se alimentando com o oxigênio, mas não as soltei. Elas pareciam humanas, mas não eram normais. Possuíam uma aura estranha, sobrenatural. Meu espírito guerreiro gritava isso. Firmei mais ainda o aperto em seus pescoços.
... — a de cabelos curtos voltou a falar, passivamente, enquanto a outra se debatia sobre meu aperto. — Você muito provavelmente não nos conhece... mas estávamos... procurando por você... a um tempo...
Encarei-as por um tempo e relaxei o aperto. Não que ela tivesse me convencido com aquelas poucas e inúteis palavras. Mas por que, apesar de tudo, elas ainda eram humanas e eu poderia mata-las se continuasse daquele jeito... e eu queria saber o que queriam comigo. E se caso tentassem alguma coisa... bem, ela são inferiores a minha força e posso muito bem me defender e ainda revidar. Resolvi soltá-las, e elas caíram no chão ofegando, tossindo e massageando o pescoço.
— Quem são vocês? — exigi novamente, com um tom ameaçador bem evidente.
Elas me olharam por um instante, enquanto se levantavam. Se aproximaram protetoramente uma ao lado da outra e seguraram-se nas mãos.
— Nós, ér... — começou a de cabelos curtos, mas foi interrompida baixamente.
— Não. Melhor não dizer nada, não acho que seja ela a garota certa — sussurrou a de cabelos longos, rispidamente. Parecia raivosa e com tom intimidador, mas provavelmente não sabia que eu podia escutar cada palavra. Cruzei os braços e arqueei uma sobrancelha, ainda escutando-as. — Não acho que a escolhida seria tão bruta.
Foram com essas palavras que meus braços caíram e meus olhos se arregalaram, conforme tudo ia fazendo sentido aos poucos em minha mente. Escolhida. Elas sabiam que eu era a escolhida! Então elas sabiam sobre a profecia. E se sabiam sobre a profecia, elas eram... feiticeiras? Claro, por isso a aura estranha... Mas se elas sabiam que eu era a escolhida e que meu nome era ... e elas são gêmeas...
— Vocês são as netas de Ray! — gritei, finalmente entendendo, completamente estupefata.
Elas me olharam sem expressão por um instante e depois se entreolharam, com a de cabelos curtos dando um sorrisinho vitorioso.
— Está vendo? Ela é a garota certa.
— Ok — disse a mais chatinha, cruzando os braços e fazendo careta, parecendo nervosa com minha presença. E deveria estar de fato, eu estava no modo guerreira anteriormente, não deveria ter sido nada agradável. — Mas isto não muda o fato de que ela foi bruta.
— Tenho razões para ser — murmurei, pegando-a de surpresa. Certo, elas realmente não sabem que eu posso escutar até as formigas carregando farelos no chão. — Tenho que me proteger de todas as formas possíveis, não posso me dar ao luxo de ficar de boa quando alguém estranho aparece.
— Mas nós somos pessoas normais! — disse ela, exasperada.
— É claro que não são. Vocês são feiticeiras e eu pude perceber o lado sobrenatural de vocês apenas por enxerga-las.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Como? Não devia ser uma simples humana como a profecia diz?
— Sim e não. Mas não vou responder mais nada enquanto vocês não disserem por que estão aqui.
A de cabelos longos bufou, mas a outra sorriu cordialmente e deu um passo a frente.
— Eu sou Annie e esta é minha irmã Lillian. Você já deve ter ouvido falar de nós já que deduziu quem somos, então, para resumir, o que posso dizer é que estamos aqui para te ajudar.
— Me ajudar? — zombei. — Vocês estão praticamente se cagando de medo de mim, como poderiam me ajudar em algo?
Elas fecharam a cara, mas não se atreveram a fazer um comentário irônico, pois ainda sentiam medo de mim.
— Iremos lhe ajudar — disse Lillian, firmemente. Ela ainda parecia temerosa em relação a mim, mas teve coragem o suficiente para sua voz soar firme. — Nossa avó nos guiou até você e não iremos nos desviar do caminho.
— Espera aí, como sua vó te guiou? — arqueei uma sobrancelha. — Afinal, ela não passou para a — me interrompi, pensando se estaria autorizada a falar sobre as dimensões. Pensei um pouco e resolvi usar outro termo. —, para o outro plano?
— Sim, mas nós somos feiticeiras! — exclamou Lillian, obviamente. — Nós podemos nos comunicar com os mortos que chegam ao seu destino final. Assim como podemos fazer feitiços, ter pequenas previsões, e ajudar uma garota que é a escolhida mas que parece não ter nada de especial!
Ok, acho que ela deixou de ser temerosa a mim. Mas nada de especial? Ela já se esqueceu da velocidade com a qual as prensei na parede? Com a força que usei para segurá-las no alto pelo pescoço? Com minha incrível audição ao escutá-las? Essa imbecil está querendo mais uma demonstração terrível de minhas forças ou é sua parte suicida falando?
— Eu não preciso da ajuda de vocês — debochei, dispensando-as. O que tinha dado em Ray, afinal? Ela não estava a par de meus treinamentos? Eu não precisava e nem queria a ajuda de duas pirralhas loiras, chatas e covardes que não me serviriam de nada.
— Nossa avó disse que precisa — respondeu Annie. — Ela disse que é nosso dever, como uma das ultimas feiticeiras, te ajudar no que for preciso para completar sua missão.
— Mas como me encontraram? — perguntei em dúvida. Como Ray saberia que eu estaria em Seattle neste instante? Nem eu mesma sabia disso há algumas horas.
— Nossa avó nos deu um nome — murmurou Annie. — Cullen. Disse que encontrando-os, encontraríamos você.
— Sim, mas eles não moram aqui — respondi.
— Sabemos disso — resmungou a outra. — Por isso nos comunicamos com um espirito para que ele nos dissesse exatamente onde você estava neste mesmo instante. E tivemos sorte, pois tínhamos acabado de chegar no aeroporto de Seat...
Mais do que rápido eu já estava agarrando seus ombros com força, percebendo finalmente o sentido dessa baboseira toda. Claro, era isso! Era nisso que elas me seriam úteis! Sorri um sorriso vitorioso e assisti sua face espantada perder a cor com o medo, só então me dando conta da velocidade e brutalidade com que agi. Ok, eu estava mesmo bruta, mas isso era consequência de ser cercada por indestrutíveis e inabaláveis vampiros e lobos o tempo todo – era só o que faltava, agora não sei mais como agir com humanos. Soltei-a rapidamente e me afastei alguns passos.
— Me respondam claramente: vocês realmente podem se comunicar com espíritos?! — perguntei, ainda sobressaltada. Não conseguia controlar meus ânimos perante aquilo. Não mesmo.
Elas se espantaram ainda mais, mas assentiram. Então era realmente isso. Agora eu poderia finalmente dar um passo a frente na minha missão.
— Sim, fomos ensinadas — respondeu Annie, confusa com meu sobressalto.
— Eu já sei como vocês podem me ajudar. — respondi, já começando a tecer o plano em minha mente.
— Como? — perguntaram em uníssono, com as testas franzidas exatamente do mesmo jeito. Parecia até que havia um espelho entre elas e uma era o reflexo da outra. Abanei a cabeça e ignorei esse pensamento involuntário, tinha questões mais importantes a resolver agora.
— Vocês invocarão o espirito da lenda. O espirito mensageiro — respondi com firmeza, tendo certeza de que era isso o que estava reservado para mim neste dia. Afinal, o Guia teve um pressentimento, não teve?
Elas arregalaram os olhos.
— Não sabemos se temos poder suficiente para isso — respondeu Lillian, como se eu fosse uma criança de dois anos. — Muitos feiticeiros poderosos tentaram e não conseguiram... quem garante que nós duas inexperientes conseguiremos?
— Eu garanto! — confirmei, confiante. — O mensageiro só aparece quando é a hora de aparecer e a quem merecer. Tenho certeza de que este é o momento e que nós somos as pessoas certas.
Elas se entreolharam, como se pensassem “ela não entende nada”, mas assentiram para mim – talvez temessem que eu recaísse sobre elas minha fúria caso negassem.
— Tudo bem, tentaremos isso. Mas precisamos dos materiais necessários para o ritual.
— Vocês deem um jeito de consegui-los e me encontrem na floresta de Forks daqui uma hora. Estarei esperando-as. Sigam meu rastro. Conseguem fazer isso?
Elas assentiram ainda desnorteadas e eu comecei a me afastar para ir.
— Espere! Como conseguiremos tudo em uma hora? — Lillian gritou, indignada.
— Vocês darão um jeito — pisquei. — Esse ritual terá que ser feito agora, não podemos perder tempo.
— Por que tanta urgência? — perguntou Annie, apreensiva.
— Vocês saberão. Agora se apressem. Até mais — disse, antes de desaparecer na escuridão da noite. Dei uma olhada simplória para trás e ri sobre o vento com o espanto delas a minha velocidade. Bem, acho que elas vão se espantar muito ainda.

N/A: Olá girls! Primeiramente, me desculpem pelo capítulo ter saído tão curto, mas isso realmente foi necessário no quesito “estruturação de capítulo” (acabei de inventar). Eu tinha planos para ele ser ENORME, talvez o maior de todos, mas percebi que devia separar os acontecimentos para que as coisas ficassem mais organizadas. Enfim, eu prometi que neste capítulo a paz de todos acabaria, mas não aconteceu exatamente isso... mas já é um início, não? No próximo sim a paz de todos vai acabar, então aguardem, pois o capítulo já está quase pronto e não demorará muito para ser postado.
Enfim, espero que não fiquem bravas comigo por ter escrito tão pouco com tanto tempo para escrever... Mas é que eu ainda estava me decidindo onde o capítulo deveria terminar...
Espero que tenham gostado das gêmeas, elas serão de grande importância para a história a partir de agora.
E Ah! Há uma brecha, que propositalmente deixei neste capítulo, sobre uma das revelações do próximo capítulo... alguma de vocês conseguiu enxergar? Bem, eu não vou dizer qual é, então deixem seus palpites ksks ;)
Bom, vou ficando por aqui.
Bye


47. Abalada

Elas estão aqui. A constatação inconsciente surgiu em minha mente, conforme meus instintos se afloravam gradativamente por aquele pequeno arredor na floresta de Forks, para escutar os passos ritmados das gêmeas se aproximando de mim. Certo. Elas conseguiram cumprir o prazo de uma hora, mas eu ainda me sentia decepcionada com o tempo que gastaram para chegar. Não que eu estivesse entediada por espera-las, pois era exatamente o contrário. Eu aproveitara este tempo sozinha para meditar e me concentrar um pouco no meu eu-espiritual, na minha mente reboliça, então o tempo passou realmente... rápido.
Claro que o Guia era quem tinha me acostumado a estes hábitos estranhos, mas com o tempo eu aprendi a valorizá-los, até por que isso me deixava muito mais ligada as minhas forças interiores e me relaxava num nível... bem, digamos que inédito para mim. E sinceramente, eu precisava mesmo ter calma para lidar com essas garotas, já fui temida o suficiente por elas e não quero que isto continue.
Suspirei, deixando de lado minha meditação, e me pus de pé, pronta para recebê-las cordialmente – ou pelo menos um pouco melhor do que antes, não? Elas mereciam isso depois da boa colaboração.
Não demorou muito para que surgissem a minha frente, naquela pequenina campina com o céu fechado pelas folhas secas das árvores, começando a observar cada canto dali como se avaliassem se serviria para o ritual. Bem, eu tinha que admitir: elas eram competentes. Tinham a chance de me ignorar e partir de volta para casa, mas seguiram o conselho de sua vó e decidiram me ajudar num ato que claramente consideravam louco.
— Bem, estamos aqui com tudo, quando podemos começar? — perguntou Annie, cansada. Elas deveriam ter dado o seu melhor para conseguir tudo em apenas uma hora. Sorri de leve e aproximei-me com os braços cruzados.
— Vocês já podem começar, mas quero que me respondam uma coisa antes.
— O quê? — perguntaram em uníssono, levemente temerosas. Ok, acho que pensavam que eu as jogaria em mais uma missão louca.
— Quero que eu seja a porta-voz. Quero falar com o mensageiro eu mesma.
Elas entreabriram os lábios, chocadas.
— Isso é complicado — Lillian murmurou. — Você não é uma feiticeira, não pode ter contato com mortos, ou espíritos, como nós podemos.
— Talvez eu as surpreenda... — sorri, arqueando uma sobrancelha desafiadoramente. — Outra vez.
Elas rolaram os olhos ao mesmo tempo.
— Você tem a terrível mania de acreditar que tudo será fácil para você. Mas só porque é a escolhida, não quer dizer que tudo ocorrerá bem e sem nenhuma consequência. Talvez devesse parar de ser tão egocêntrica e começar a pensar claramente, , você tem responsabilidades a cumprir que vão além do seu estúpido umbigo — Annie respondeu amargurada e eu logo pude perceber que sua personalidade não era tão diferente à da irmã. Elas não eram aquele clichê de irmã má e irmã boa, elas eram simplesmente garotas que tinham a personalidade parecida, mas opiniões diferentes.
— Acontece que eu não digo isto apenas por que sou a escolhida, mas pelo que tenho conhecimento e vocês não. — respondi, levemente irritada, mas calma o suficiente para não deixar essa emoção me consumir. Eu acho. — Talvez devesse parar de julgar o que digo como se eu não tivesse passado pelo inferno para estar aqui agora cumprindo uma profecia que não me interessa, para proteger pessoas que nem mesmo me conhecem de um mal que ninguém sabe o que é. — grunhi nervosa e me afastei. Se elas continuassem com essas ladainhas chatas, eu desistiria dessa porcaria e as lançaria longe, pois a calma que consegui com a meditação começava a se evaporar conforme essa conversa inútil prosseguia. Certo, eu já devia saber que meditação nenhuma resolveria meu estresse. — Eu passei por coisas que vocês nem mesmo fazem ideia que existem e estou prestes a enfrentar um inimigo que vai além dessa profecia estúpida que foi mal interpretada por esses idiotas dos seus ancestrais — Elas pareceram não entender. E eu sorri malignamente. — Oh, claro que não sabiam disso, não é? Mas vocês achavam mesmo que toda essa grande história da profecia era para acabar com os Volturi? Se realmente fosse esse o caso, lindinhas, eu já poderia ter ido até a Itália e ter feito o inferno lá, pois aqueles assassinos italianos não passam de vermes comparados ao que eu me tornei agora. Estou sendo treinada para algo muito maior, garotas. Algo tão grande que nem mesmo tenho o direito de saber para não correr o risco de vacilar nessa missão estupida! Então parem de bancarem as mimadas e tratem logo de trabalhar nessa merda que pode nos dar um mínimo de vantagem nessa porra de batalha mortal!
Ok, agora eu tinha chegado ao meu limite, até berrei a ultima parte. Certo, respire e inspire, , não é tão difícil. Isso, se acalme... Ah que se dane essa merda toda! Que elas sintam medo mesmo, já não me importo mais!
— Do que você está falando? Como poderia existir algo pior que os... Volturi? — perguntou Lillian, amedrontada.
— Podendo, querida. — sorri irônica. — Mas eu só posso realmente responder mais do que querem me perguntar, quando vocês prestarem para alguma coisa e começarem logo esse ritual que pode me trazer as respostas que procuro.
Elas engoliram em seco e assentiram.
— Tudo bem. — Annie concordou. — Precisaremos do seu sangue.
— Meu sangue? — perguntei em dúvida. — Não sei se pode ser uma boa opção.
— Ah, vai dizer que está com medo de um pequeno corte? — Annie cobrou, pondo as mãos na cintura.
— Vocês realmente tiram conclusões muito precipitadas ao meu respeito — observei, injuriada. Elas deviam me odiar para sempre pensarem o pior assim.
Lillian cruzou os braços.
— Então por que não poderia ser uma boa opção? Nos dê um bom motivo.
Rolei os olhos e me aproximei delas. Elas quase recuaram com minha aproximação, mas não me intimidei com isso e raspei a unha de aço por minha palma esquerda, sentindo o liquido quente e escarlate escorrer por minha mão e entre meus dedos. Fechei o punho, tentando impedir o ferimento de se regenerar e as encarei. Elas assistiram aquilo silenciosamente.
— Não tenho medo de me cortar — respondi, séria. — Tenho medo de que isto cause outra coisa. — elas franziram o cenho e eu me afastei, como prevenção. — Vejam bem. Meu sangue não é comum... Se consumido por um vampiro, ele o destrói de dentro pra fora, derretendo cada parte de seu corpo até que não reste nada que não seja cinzas sobre uma possa de sangue.
Elas perderam o ar com o espanto e eu controlei um riso amargo. Se elas soubessem o quão horrível é assistir isso tudo e saber que você é a responsável... não se deixariam surpreender apenas pelos fatos contados.
— Mas-
— Posso até dar a vocês meu sangue — interrompi-as para que não soltassem perguntas que eu não estava com nenhuma disposição em responder. — Mas não podem tocá-lo. Não tenho certeza se isso pode ferir humanos também, mas realmente não quero tirar isso à prova agora.
— Isso não será problema — murmurou Lillian, que tirou um pequeno frasco de sua mochila e o jogou em minha direção. Porém, antes que eu pudesse alcança-lo, o frasco flutuou sob minha mão e o sangue começou a ser recebido pelo recipiente.
— Vocês sabem telecinese? — perguntei animada, reconhecendo meu próprio poder em outra pessoa.
Elas deram de ombros.
— Apenas podemos manipular alguns objetos, mas com um feitiço que consome um pouco de energia — murmurou Annie, já retirando os materiais do ritual de dentro da mochila. — , procure ficar no centro da campina. E nos entregue o frasco quando estiver pela metade. Mas certifique-se que nenhum pingo esteja do lado de fora para que não... corremos riscos.
— Ok — respondi, já encaminhando-me para o meio.
Lillian tirou um grande pedaço de carvão da mochila e começou a riscar o chão ao meu redor com desenhos distorcidos em símbolos, que fechavam-se num circulo largo ao meu redor. Annie acendeu velas em cada espaço propositalmente deixado entre os desenhos de Lillian e logo começou a queimar folhas de alguma planta escura.
— Para quê isso? — perguntei, sentindo o cheiro da fumaça subir por minhas narinas rapidamente. E não era bom. Não era bom mesmo.
— É um incenso de proteção, para afastar presenças malignas e incitar as benignas.
Senti o borbulho ácido retornar ao meu estômago fortemente com aquele cheiro desagradável e levei a mão ensanguentada ao estômago, apertando-o para que a dor se mantivesse ali e não levasse nada a gargan... Pressionei a mão limpa contra a boca e corri para fora do circulo do ritual, indo até o montueiro de mato mais próximo para botar tudo que comi hoje para fora.
Annie e Lillian pararam o que faziam, enquanto eu continuava botando as tripas para fora ali mesmo. Argh, nojento! Odeio isso, odeio vomitar, odeio ficar doente, argh! Nojento nojento nojento!
— Você está bem? — Annie se aproximou com a planta fedorenta e eu fugi de seu alcance na velocidade da luz, sentindo meu estomago se contorcer mais uma vez com aquele cheiro.
— Fique longe! — berrei, tentando controlar o mal estar, mas me sentindo meio tonta com isso.
— Você está doente? — perguntou Lillian, parecendo um pouco, eu disse um pouco, preocupada.
— Eu não fico doente! — respondi fraca, tentando me manter de pé depois de cuspir qualquer vestígio daquela nojeira de minha boca.
— Então o que é isso? — cruzou os braços.
— Talvez eu não me dê bem com esse incenso — apontei, mentindo. Não era isso, eu já estava me sentindo mal antes.
Lillian riu.
— Então talvez você seja uma presença maligna e o incenso está te afastando daqui — debochou.
— Há-há! Estou morrendo de rir — bufei e me virei para Annie. — Apague isso, não quero me sentir mal de novo.
— Mas não é seguro fazer um ritual sem o-
— Não importa, eu não aguento esse mal estar. Qualquer presença maligna aqui eu posso tentar lidar — fiz descaso, já encaminhando-me para o centro do circulo enquanto Annie dava de ombros e apagava o incenso. Ugh, bem melhor. Esse cheiro era pior que o chá que Ray tomava. Será que feiticeiros não têm olfato?!
Olhei para meu lado e notei o frasco com sangue ainda flutuando levemente ao meu lado. Arregalei os olhos ao olhar para minha roupa. LE-GAL. Roupa suja de sangue, como nos velhos tempos. Só que dessa vez o sangue é meu. Bufei nervosa e peguei o frasco com a mão limpa para terminar de enchê-lo, mas quando pus a ensanguentada acima dele notei que o corte já havia se fechado. Soltei o frasco e o mantive no ar com minha própria telecinese, enquanto prontificava outro corte em minha mão. Pronto! PRON-TO! Acho que as coisas podem parar de dar errado agora!!
— Estamos prontas, ! encheu o frasco, ou não?! — perguntou Annie, impaciente. E eu estava tão ocupada resmungando comigo mesma que demorei para entender que essa era a segunda vez que ela perguntava isso.
— Já! — respondi, pressionando o corte em minha blusa, já que estava suja mesmo, e mandando o frasco até suas mãos com meu poder. Ela arregalou os olhos para mim quando percebeu isso. — O que foi?
— Como você fez isso? — perguntou assustada. Lillian parecia chocada também.
Suspirei.
— É um dos meus truques. — pisquei, levantando a planta, do incenso que ela tinha queimado, do chão, e a lançando no ar com a força da mente. Elas piscaram surpresas. — Mas não liguem para isso, continuem logo o ritual.
— Sim! — assentiu, nervosa.
Então as duas, após derramarem meu sangue no centro do circulo dizendo palavras baixas, logo se prontificaram fora dele e se deram as mãos, começando a murmurar palavras desconhecidas e misteriosas, que fizeram um calafrio seco se apoderar de mim. Digamos que essa situação era um tanto familiar e eu não tinha boas lembranças dela.
Elas iam aumentando o tom de voz conforme falavam, até que começaram a gritar as palavras e os trovões começaram a fazerem barulho no céu. Os ventos chicoteavam contra a campina e as árvores se balançavam selvagemente enquanto relâmpagos reluzentes brilhavam acima de mim. Engoli em seco e assisti as chamas das velas se elevarem de repente à minha altura e rodearem o circulo como se estivessem sendo manipuladas. Só tenho que dizer que meu instinto estava tão despreparado para isso, que minhas mãos até se prontificaram para forçar as chamas para trás com os poderes caso ficassem próximas demais.
Por fim, as vozes das garotas desapareceram. Mas não só isso. Quando pisquei os olhos, tudo havia desaparecido. Exceto o circulo e o que estava dentro dele, ou seja: eu e as chamas. Trinquei os dentes e comecei a girar sobre meus pés, enxergando apenas escuridão além do circulo. Uma escuridão sem fim que trazia uma sensação horrível de desespero para meu corpo.
Espere, isso não era normal, era? Aquele lugar, seja ele qual for, estava fazendo todos os sentimentos ruins crescerem subitamente em meu peito. Dor, agonia, tristeza, desespero... medo. Aquilo não poderia ser comum, estava longe de ser.
Apertei ambas as mãos em punhos e senti meu poder realçar ante de mim em um brilho levemente visível e dourado.
— Essscolhida — um arrepio frio passou por mim ao som da voz sibilante. Céus, eu já tinha a ouvido antes. Mas não poderia ser! — Essstou feliz em rever-te...
— Não — murmurei, quando uma sombra negra se formou diante de mim, com a claridade das chamas tornando suas formas, borradas e ocultas pelo manto esfumaçado, levemente visíveis. — Como isso é possível?
— Você nos deixou a barreira livre, essscolhida.. — a voz assustadora, sibilante e densa, fez um caminho cego por meus ouvidos e envolveu minha mente mais uma vez naquela tenebrosa e familiar melodia sinistra. — Não me havia impedimento...
Arregalei os olhos. O incenso de proteção! Eu tinha feito Annie apaga-lo e agora meus inimigos conseguiram chegar até mim. Como eu pude ser tão burra?
— Ora... não precisa se lamuriar... ainda não é sua hora.
— Eu não chamei vocês, malditos! — gritei, enfurecida. — Não deviam estar aqui!
— Masss você queria saber mais sobre nósss com este pobre ritual... ou não? — a voz zombou e eu permaneci em silêncio. — E quem melhor para responder-te as perguntas, do que nós mesmosss?
— Então respondam! — sorri ironicamente. — Respondam-me exclusivamente o que vim saber: quem diabos são vocês?
— Nós somoss o seu fim. — a voz estava menos sibilante agora, quase que humana.
Rolei os olhos.
— Olha, vocês me parecem bem originais com esse papinho, mas, por favor, me poupem do discursinho “macabro” de vilão, não estou com nenhuma paciência para ouvir.
— Pergunte ao seu Guardião quem somoss. Talvez ele lhe mostre os motivos para nos temer.
— Oh sim, vocês são os mais fodões de todos os tempos e eu estou terrivelmente próxima do meu fim — zombei, não estava com paciência nem para o inimigo. Não gosto de clichês. Não gosto de histórias onde o inimigo leva metade de uma vida descrevendo suas qualidades e o quanto irá massacrar o mocinho, gosto de atitudes, gosto de ir direto ao ponto. Gosto de resolver as coisas com a firmeza que merece, não abaixar a cabeça enquanto se deixa ser humilhado. — Mas, escute, eu tenho certeza de que esse encontro não foi causado para que você gentilmente me respondesse todas as minhas perguntas. Então diga logo o que quer para que possamos acabar de vez com essa porcaria.
Um tentáculo negro surgiu do nada e enroscou meu pescoço, asfixiando-me tão inesperadamente que não pude fazer nada a não ser cair de joelhos no chão e agarrar com as mãos o que quer que fosse que estivesse em meu pescoço. Minhas mãos tentavam se firmar naquela pele gosmenta, mas deslizavam com o muco em excesso, deixando que o aperto se firmasse cada vez mais em mim.
— Você é ingênua, escolhida — a voz profanou. — Age como uma tola pensando ser o certo, mas não percebe a gravidade de sua infeliz condição.
Embora eu estivesse literalmente quase morrendo, minha vontade era de rolar os olhos e rir sarcasticamente. Ele apenas fez isso a mim para poder dizer seu discursinho de vilão. Idiota, parecia igual a qualquer outro inimigo de historia de quadrinhos. Fechei os olhos e concentrei o poder na palma das mãos, deixando que a esfera de energia dourada acertasse o tentáculo e o explodisse em meu pescoço, lançando-me metros para trás – quase em direção as chamas. Doeu. Doeu muito. Mas eu me recuperaria.
Tossi fortemente para que o ar adentrasse meus pulmões novamente e agarrei o pescoço queimado e dolorido, que já começava a se recuperar.
— Eu já disse... — tentei ficar de pé. — Para ir direto ao ponto. E o modo como lido com minha “infeliz condição” é um problema somente meu, então largue de idiotices e fale logo o motivo de estar aqui!
Ele gargalhou malignamente e num piscar a figura escondida pela sombra estava frente a meus olhos, com sua fumaça parecendo sugar minha energia vital.
— Apesar de ser tola, escolhida, eu te admiro. Nem todos têm essa coragem, perspicácia, audácia... E nem todo... esse poder... — um tentáculo acariciou minha face, mas quando tentei atacá-lo, percebi que todos os meus músculos estavam paralisados. — Mas de nada adianta tamanho poder nas mãos de uma criatura que não sabe usá-los, que não sabe que lado servir... Você quer mesmo saber por que estou aqui? Estou aqui por que você tem algo que eu quero escolhida, algo que estou disposto a negociar com você.
— Meu poder? — cuspi, raivosa, mas ao mesmo tempo surpresa por ter sido capaz de mover os lábios.
Um riso grosso e grotesco soprou contra meu rosto e eu reprimi a vontade de vomitar.
— Por mais que eu queira, seu poder não posso ter... o que quero é mais alcançável e muito mais valioso. Algo que... se estiver em minhas mãos pode se tornar de eterna preciosidade.
— Eu jamais o entregaria, seja o que for — respondi.
A figura se afastou e eu senti o controle de meus membros retornar. Suspirei em alivio.
— Eu posso lhe dar o que mais deseja, escolhida — a voz soprou, mas eu já não podia ver mais a figura. Porém, outra tomou forma a minha frente... uma familiar... Prendi o ar de meus pulmões e apertei os nós dos dedos na palma. Meu pai.
? — sua voz familiar soprou, espantada. — Princesa, é você?
Prendi as lágrimas em meus olhos e rosnei. Não era real, aquilo não era real! Esse desgraçado não ia enganar minha mente, não ia mesmo!
— Oh, ele é real sim, escolhida... Apenas não está realmente diante de você. Você apenas pode vê-lo agora, mas basta aceitar minha proposta que ele estará com você novamente. Vivo.
— Não! — gritei, fechando os olhos. — Eu não aceito! Não aceito!!
A figura de meu pai desapareceu e a sombra apareceu novamente diante de mim.
— Posso dar outras coisas também... Que tal a paz? Nenhuma morte, nenhuma guerra e você vivendo sua vida feliz ao lado das pessoas que ama.
— O que você quer?! Diga de uma vez!! — rosnei, indo em sua direção com a fúria me possuindo. Não aguentava esse jogo doentio. Ele não ia brincar com minha cabeça, não ia!
— O que eu quero, escolhida — a voz riu. — É o que há dentro de você.
— Você disse que não quer meu poder! — gritei, frustrada, cerrando os punhos para tentar acertá-lo, mesmo que de nada adiantasse.
— E não quero. Quero a vida da criança que habita seu ventre.
Minha mão parou no ar, enquanto todo o meu corpo perdia a ação. Meus olhos tornaram-se incrédulos, enquanto minha respiração aumentava.
— Desgraçado — sussurrei, apertando os olhos. Isso era demais para mim, minha mente não aguentaria aquele jogo. — O que diabos está dizendo?
— Essa criança ainda está se formando, mas já carrega um espírito divino e poderoso que me serviria bem.
— E-eu — gaguejei, finalmente abalada com algo que ele dizia. — Como eu poderia te oferecer uma criança que não existe?!
— Não existe? — a voz riu. — Então talvez não se importaria de desistir de algo que não existe e ceder a mim. Tudo que tem a dizer é que não o quer.
— Não — sussurrei, levando a mão à barriga inconscientemente. — Me deixe em paz!
— Diga, escolhida. Diga que não o quer. Diga que não existe.
Eu nunca arriscaria. Por mais que não acreditasse nele, jamais me permitiria aquilo.
— Então pense, escolhida. Que tal... Seu pai — a figura de meu pai surgiu novamente e eu me controlei para não chorar. Era tão real... — Seus amigos — meus amigos humanos e Layla apareceram a minha frente. — Sua família vampira viva — os Cullen apareceram também... só que humanos... — Sem guerra. A paz proclamada entre nós dois e o mundo, com ninguém tendo que morrer, com você sem ter que lutar ou perder alguém que ama. Apenas... vivendo feliz com todos os que ama... e ainda mantendo seus poderes.
— Jamais! — rugi, com minha mão se pressionando mais contra meu ventre.
— O que você quer então?! — a voz gritou em fúria, num descontrole anormal. — Diga! Diga o que mais quer neste mundo e eu lhe darei, apenas diga!!
Ri sarcasticamente, invocando meus poderes com toda a força que podia.
— Se é verdade o que diz. Se é verdade que estou grávida... Jamais daria a vida de meu filho para você. Mesmo que o Universo inteiro exploda. Eu não me importo! Nunca o terá!
— Então acabarei com todos que ama, um por um, em mortes lentas e dolorosas que somente os demônios do inferno conhecem! Queimarei um por um do modo mais horrível que exista nesse e em todos os Universos existentes! E você, escolhida, permanecerá viva até que implore pela morte diante da devastação que causarei em sua vida! Você verá! Você perderá tudo que te importa neste mundo e não encontrará nenhuma forma de consolo que não seja a morte! — a voz rugiu enfurecida e eu fechei os olhos, tentando ignorar o medo.
— Não importa! Eu acabarei com você antes disso, você nunca terá nada do que quer! Muito menos essa criança! Acabou para você, seu infeliz dos infernos!
Um grito estridente ecoou por todo o espaço vago daquele lugar e a forma se esfumaçou furiosamente em minha direção. Mas antes que me acertasse eu lancei uma esfera de energia com todo o poder que poderia reunir e voei para longe com a explosão de luz arrebatadora que teve. E, então, tudo desapareceu e minha visão escureceu.
Senti toques em minha bochecha e grunhi levemente, sentindo a consciência tocar levemente minha mente como se tivesse voltado de uma viagem longa. Arquejei e abri os olhos, percebendo que os toques suaves em minha bochecha na verdade eram tapas fortes que Annie e Lillian me davam. Céus, como elas são fracas. Ok, não, eu que sou resistente demais.
Pus uma mão sobre a cabeça e gemi levemente com a dor que realçou.
— O que aconteceu?! — Lillian exigiu, exasperada. — Estávamos fazendo o ritual e do nada uma camada negra cobriu todo o circulo!
— Presença maligna — murmurei cansada, pondo-me de pé.
— Então você não conseguiu contatar o mensageiro? Ou ele era tão ruim assim? — perguntou Lillian, enquanto Annie resmungava alguma coisa parecida com “eu disse que o incenso era importante, por que você tem que ser tão teimosa e blá-blá-blá”.
— Não. Não consegui contatá-lo com este ritual — suspirei. Quem me dera fosse o mensageiro. — Mas ele teve sua importância.
— Então descobriu alguma coisa? — perguntou Annie, levemente frustrada.
Olhei para um ponto vago e toque meu ventre, sentindo uma emoção estranha cobrir meus sentimentos.
— Sim... eu descobri. — murmurei dispersa. Elas me encararam estranho. — Preciso ir a um lugar. Vocês se viram sem mim?
— Na verdade... — Lillian coçou a nuca.
— Precisamos de um lugar para passar a noite.
Assenti. Ok. Depois de tudo que elas fizeram, eu não lhes negaria algo tão simples.
— Vocês se importam com vampiros? — perguntei, elas se encolheram instantaneamente. — Não, eles não bebem sangue humano, bebem sangue animal — elas ainda estavam assustadas. Suspirei. — Eles não lhe farão mal al-
! Onde você está?!
Virei a cabeça para a esquerda ao escutar a voz de Jacob, embora ele não estivesse aqui ainda.
— O que foi? Por que parou de falar, algum problema? — perguntou Annie.
Ele devia estar longe para elas não o escutarem, mas eu podia jurar que ele estava...
!
... perto.
— Jake — suspirei em alivio, correndo para seus braços assim que se aproximou. Céus, como eu precisava dele. Como eu precisava.
— O que diabos aconteceu? — ele perguntou desesperado, alisando meu cabelo. — Eu senti sua tristeza e até esperava por ela, mas quando você começou a sentir desespero e medo eu não pude me controlar.
— Está tudo bem, está tudo bem — garanti. Por mais que eu não gostasse que ele me visse tão frágil, ele é que me acalmaria.
— Quem são vocês? — perguntou com espanto, somente agora se dando conta das duas presenças... Hm, duas presenças idiotas que estão devorando o MEU homem com os olhos!
— Jake! — berrei, ele me encarou assustado. — Cadê sua camisa?!
— Eu vim... — ele hesitou e continuou a falar tão baixo e rápido que elas não puderam ouvi-lo. — Eu vim como lobo e não tive tempo de amarrar um jogo completo de roupa no meu tornozelo.
Bufei. Só por que eu ia precisar da ajuda dele isso tinha que acontecer. Como é que vou deixa-lo sozinho com elas? Não confio, não confio!
— Jake, essas são Annie e Lillian — murmurei e elas sorriram sedutoras. Rosnei e elas se encolheram. Bom! Maravilha! Agora não me importo nem um pouco que tenham medo de mim! — E garotas, este é Jacob: MEU namorado.
— Uau — Lillian sibilou e eu estreitei os olhos.
— Elas são suas amigas? — perguntou confuso.
— Er, te explico tudo depois — garanti e ele arqueou uma sobrancelha, desconfiado. — Agora: vocês! — elas ergueram o olhar para mim. — Precisam de um lugar para ficar e eu tenho um ótimo lugar para ficarem. Então largam de frescura e aceitem.
— Nós não vamos passar a noite na casa de vampiros! — Lillian urrou, irritada e temerosa ao mesmo tempo. Jake arregalou os olhos.
, o que-
— Não há outro lugar! E eles nunca machucariam vocês — garanti, interrompendo Jacob.
— Por que elas precisam dormir na casa dos sanguessugas? — perguntou ele.
— Elas precisam de um lugar para passar a noite.
— E você irá jogar duas humanas para dormir com vampiros? De onde você tirou essa ideia maluca?
— Você conhece os Cullen! Eles jamais fariam-
, eles podem não fazer, mas elas são só duas garotas e ficarão com medo dos predadores debaixo do mesmo teto que elas enquanto elas dormem!
— Exatamente — Annie sorriu para Jake e com um pequeno movimento da mão eu mandei a telecinese manda-la para trás, caindo de bunda no chão.
— Elas não são garotas normais, podem lidar com isso!
— Olha, que seja, elas podem passar a noite lá em casa.
— O quê?! — rosnei.
— O que? — elas perguntaram em uníssono, com os olhos levemente brilhantes.
— É. Se for só uma noite dá. Rachel vai dormir na casa de Paul e há um colchão extra guardado no quarto dela.
Droga, por que ele tinha que inventar isso? Eu tinha um lugar urgente para ir e não poderia ficar vigiando essas adolescentes doidas para pegarem meu Jake.
Suspirei – mais frustrada do que me rendendo.
— Tudo bem, faça como quiser. Mas eu tenho um lugar para ir, então você trate de chamar o Seth e leva-las para sua casa. Mas. Com. O. Seth.
— Ok, mas por que com o Seth? E pra onde você vai?
Hesitei.
— É só um lugar que tenho que ir para resolver uma coisa. E o Seth vai por que eu estou mandando!
— E por que está mandando isto? — arqueou uma sobrancelha, desconfiado.
Bufei nervosa e senti o sangue subir para minhas bochechas.
— Por que eu quero — me afastei, para que ele não percebesse que...
— Você está com ciúmes — riu convencido, puxando-me pelo pulso. Só que quando ele ia fazer charme, ele finalmente notou minha mão suja com sangue seco e ficou sério. — O que é isso? — perguntou sério, logo percebendo minha roupa também ensanguentada. — . O que aconteceu?
— Mais tarde te explico, agora tenho que ir — dei-lhe um selinho. — E não se esqueça de chamar Seth.
Corri antes que ele indagasse um monte de coisas que eu não queria responder agora e partir até a mansão dos Cullen. Eu precisava ter certeza.
Arrombei a porta da mansão – não literalmente – e passei direto pelos vampiros assustados, seguindo o cheiro de Carlisle.
! O que você está fazendo?
— Por que você está assim?
— O que deu em você?
— Por que não olha para nós?
— O que você quer lá em cima?
Gritei frustrada e me virei para os vampiros exaltados. Eles não percebiam que eu estava desesperada?!
— É exatamente pelo seu desespero que estamos exaltados — Edward resmungou. Droga. Bloqueio de mente ativado. Ele estreitou os olhos. — , como diabos você faz isso?!
— Não importa! — rugi. — Vocês todos voltem para o andar de baixo, quero ter uma conversa a sós com Carlisle. Na verdade, seria muito bom que vocês saíssem da mansão também, pois o que eu tenho a tratar com ele é algo muito particular.
Não esperei que respondessem e corri até o escritório, onde Carlisle abriu a porta assim que cheguei desesperada. Entrei rapidamente e fiquei andando para lá e para cá, enquanto escutava os passos dos vampiros lá de baixo saindo da mansão.
— O que quer tratar comigo, ? — perguntou cauteloso, mas preocupado.
— Preciso que faça um exame — respondi, ainda andando para lá e para cá no pequeno cômodo.
— Que tipo de exame?
— Eu não sei! De sangue deve servir! — resmunguei. Eu já não estava desesperada o suficiente? Por que ele tinha que fazer perguntas?
— Já fiz um exame com você antes. Por que quer outro? — perguntou. — Algum problema?
— Carlile, você não se queimou nem nada quando fez meu exame de sangue? — perguntei de repente, tentando focar minha mente em outra coisa.
— Não, eu não o toquei, então... sem danos colaterais — ele sorriu, entendendo minha curiosidade. Mas não era curiosidade de fato, eu apenas estava tentando focar minha mente em outra coisa para tentar diminuir o desespero. — , se acalme, sente-se.
Sentei na cadeira que ele me indicou, mas fiquei balançando as pernas irritantemente com o tanto de nervosismo me consumindo.
— O que precisa saber? — perguntou.
— Em quanto tempo pode ter o resultado? — perguntei.
— Se é tão urgente, posso fazer em no máximo trinta minutos. Mas no que tenho que me focar? Se sente mal, é isso?
— Não — sussurrei, nervosa enquanto estralava os dedos. — Apenas não se foque em nada... anormal. E sim em algo mais... humano.
— Humano? — arqueou uma sobrancelha.
— É.
Ele sorriu levemente.
— Acho que estou conseguindo entender o que está acontecendo — murmurou. — Algo mais humano, não? Algo... feminino?
— Totalmente — assenti, tentando não corar.
... você está achando que...
— E eu posso? — perguntei, assustada. Não sabia como lidar com isso. Tanta coisa acontecendo na minha vida e agora isso também vem a acontecer? O céu só podia estar desabando sobre minha cabeça. — Desde que voltei a viver eu nunca achei que isso fosse possível.
— Você chegou a ter alguma menstruação? — perguntou.
— Não — murmurei, com a voz levemente embargada. — Eu estava tão acostumada a não ter isso quando vampira que nem dei falta nesses tempos todos... não podia imaginar que... que...
— Talvez você não possa estar... Se você nunca teve nenhuma menstruação desde que voltou a viver, é provável que...
— Não, Carlisle — neguei, já tendo certeza. — Jacob e eu tivemos relações... no dia seguinte ao que voltei a viver. Eu não estou esse tempo todo sem menstruação por que não sou uma humana inteiramente normal... estou por que desde nossa primeira vez eu estou...
— Você têm tido os sintomas? — perguntou levemente, tendo em vista o quão sensível eu estava. E instável também. Eu não estava me sentindo tão desesperada com isso antes e agora parecia que o mundo ia acabar. E realmente ia! Era mais uma responsabilidade nas minhas costas. E pior: se eu continuar nessa missão de escolhida, não será só minha vida que estará em risco... mas também a de alguém muito mais importante e inocente.
— Sim — fechei os olhos. — Faz umas duas semanas que comecei a ter enjoos. Mas nunca imaginei que pudesse ser isso, pois eu não tinha vomitado de fato até hoje.
Agora estava explicado meu mal estar e minha moleza. Quase ri amargamente com esse pensamento.
— Se você começou a se sentir mal a duas semanas, pode não ser...
— Carlisle, Jacob e eu nunca nos protegemos, eu não tenho uma menstruação a mais de dois meses, estou com disposição para quase nada, meus seios estão se enchendo cada vez mais, embora eu tenha pensado que era resultado de outra coisa também, e... E eu sinto que tem uma vida dentro de mim.
— Você quer confirmar ou já tem a certeza? — perguntou baixinho.
Suspirei.
— Foi para isso que vim aqui. Faça o teste.
Mais uma vez eu estava andando pra lá e pra cá no escritório de Carlisle, quase fazendo um buraco no chão de tão forte que pisava. Ele estava examinando meu sangue precisamente e eu estava esperando impacientemente. Embora eu não fosse a única, já que os Cullen estavam inquietos no quintal, curiosos para saber toda essa minha explosão.
Mas Deus... será que aquele demônio estava falando a verdade? Será que há uma vida crescendo dentro de mim? Então como as coisas seriam? Nem mesmo como uma humana normal eu imaginava que poderia ser uma mãe como todas as outras, imagine agora que tenho todo esse peso nas minhas costas e vivo no mundo sobrenatural? Do que adiantou dizer adeus a minha antiga vida para proteger minha mãe desse mundo, se estou trazendo mais um inocente para essa batalha obscura? Ok, ele também seria um ser sobrenatural, mas mesmo assim, nesses tempos... Essa não era a melhor hora. Na verdade, eu nem sei qual poderia ser a melhor hora, eu jamais seria uma boa mãe!
.
— O QUÊ?! — gritei, me assustando. Céus, eu chegava a parecer demoníaca com tanto desespero assim. Daqui a pouco Jake está aparecendo por aqui para saber por que estou me sentindo assim. Oh God... como Jake reagiria? Em outros momentos eu teria certeza que ele amaria a noticia, mas ele também está por dentro de toda essa guerra que está por vir, então...
— Hm — ele pigarreou e eu tentei me acalmar. Óbvio que não deu certo. Acho que a essa altura nem um calmante resolveria o pandemônio de minhas emoções. Talvez Jasper. É, Jasper poderia resolver isso, mas eu não quero que ninguém saiba de nada até eu ter a absoluta certeza. Caramba, meus pensamentos não param um segundo quando estou nervosa. — Já tenho o resultado.
— Apenas despeje de uma vez — murmurei, fechando os olhos para que, de alguma forma, o impacto fosse menor.
— É verdade. Você está grávida, .

N/A: Ai gente, eu ia deixar essa att para segunda, ou para amanhã, mas com o comentário da Déh decidi postar agora mesmo. Vocês acreditam que ela adivinhou exatamente o que ia acontecer neste capítulo? Pois é, acho que isso não é coincidência não, minha gente, acho que ela está me espionando mesmo. Ou será que ela desenvolveu um incrível poder de ler mentes? Hm, acho que vou começar a fazer o mesmo treinamento mental que a PP UHAUHAUAHUHA
Enfim, o que acharam do capítulo? Enfim a paz acabou! Sim, minha gente, a PP finalmente ficou abalada (fazendo jus ao titulo do cap) e as coisas agora serão muito mais complicadas do que já eram antes. 1- Por causa do Baby. 2- Por causa dessa missão macabra durante a gravidez. E 3- Por causa desse inimigo que desenvolveu um desejo doentio pela criança e que está furiosamente louco para se vingar matando as pessoas que a PP se importa. Haja coração, não?
Espero que vocês comentem bastante, pois a att saiu bem rápida e cheia de cenas emocionantes, então não me decepcionem!
Agora vou ficando por aqui e até a próxima, girls!! ;)

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3 comentários:

  1. Continua PF.o fanfic ta incrível e VC não pode PR agora então PF,PF Continua..

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  2. Oooooooh Mulher cade a continuação? Manoooo .. essa fic é tão perfeita e eu so queria a continuação dele ... o mano me da um final vaii pfvr

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Por favor, comentem sem desmoralizar ninguém.

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